Joelhos gelados.
Café quente.
Silêncio estranho.
Vozes. Vozes. Vozes.
Silêncio estranho.
Cobertores.
Nariz gelado.
Parece que o frio da cidade sorri pra mim. Só pra mim.
E as canecas todas transformam esses homens em meninos. O corpo contraído, os joelhos juntos, as duas mãos que seguram as xícaras. Deixa sair. Deixa ir pra fora e molhar as barbas brancar desses meninos de seis anos.
O frio coletivo, a falta de dedos nos pés, o silêncio falando por todos.
Três filhos, três pinos, três vezes adeus. Três homens que se encontram com a morte - da mão, da mãe-esposa, de si mesmos. "É um vazio muito grande...". Eu sei.
Quando tudo acaba, a cidade está molhada de garoa. O dia nem começou e está tudo aberto, tudo de volta ao lugar (os dois sofás, as televisões...), avisando que o mundo não escuta as presses que dizem "Calma...". Logo mais é meio-dia. Dizem que o sol não nasce em Inácio Martins.
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