Cartões Postais e Amuletos

Dói um pouco te ver aí, vivendo tanto tanto tanto tudo tanto. Dói, as vezes, saber de um silêncio. Ver o seu sorriso se estender de um lado a outro do atlântico, sorrir de volta um sorrisinho menor que uberlândia, saber ouvir um assobio marítimo. Dói um pouco compartilhar as alegrias que eu não tenho e que anseio em ter, dói um pouco saber que todo sonho tem sua porcentagem de fracasso, que eu hoje sou só um projeto.
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AMO RECEBER CARTÕES POSTAIS. JÁ É O QUARTO. PRA MIM ELES SÃO COMO AMULETOS - E EU OS GUARDO SEMPRE JUNTO COM MEU MOMENTO. METADE DELES FORAM DILACERADOS COMO TODOS OS BONS ROMANCES, MAS A OUTRA METADE RESGUARDA UM PASSADO, UM PRESENTE E UM FUTURO. E ISSO É DOCE COMO TRÊS COLHERES DE AÇUCAR.
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A temporada do silêncio parecia se extinguir, parecia ter tomado outros rumos e outros tons, mas ela só se travestiu e agora exibe suas saias e seus rugidos com menor frequência. As minhas certezas estão se esvaindo.
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MANDE NOTÍCIAS (fotografias) DE LÁ. MANDE NOTÍCIAS MESMO QUE RUINS.
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E quando serei eu? E quando eu venço essa barreira invisível que grita mediocridade pra mim toda vez que abro um caderno ou uma capa de cd ou aperto um botão de uma câmera ou entro numa sala de ensaio ou digito um texto ou entro num teatro ou será que - guarda pra mim um pedaço daí. Guarda pra mim uma península ibérica e envia pelo correio. Guarda pra mim um amigo de infância que eu nunca vi.

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