<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496</id><updated>2012-01-18T07:15:09.142-02:00</updated><category term='e mais um pouco de sexo'/><category term='Um pouco mais de sexo'/><category term='e ainda mais sexo'/><category term='Tire a roupa'/><category term='Enredo fraco'/><category term='Primárias'/><category term='Mais sexo'/><category term='Sexo'/><title type='text'>Cachecol Xadrez</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' 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uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>177</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-1666799124419744783</id><published>2012-01-18T06:32:00.000-02:00</published><updated>2012-01-18T06:34:23.023-02:00</updated><title type='text'>f u l v o</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Pela manhã, abro os olhos lentamente e observo, suave e ainda um tanto inerte, aquele silêncio luminoso invadir todo o espaço da casa, e quem sabe também todo o meu espaço, me invadindo como, como pode uma sonoridade de árvores em meio a tanta claridade nesse aconchego colo, os olhos que ainda piscam pensando se sim ou se não, não pra se acostumar a nesga, não pra sair da escuridão do sono, mas pra apreciar e precisar que som inexistente tem esse segundo, que dura algumas horas talvez, mas que pede somente um alívio de som, de falta de sonoridades, de sonhos ou de paisagens infinitas de campos de trigo que invadem meu quarto, se despejam sobre minha cama e sobre meu peito nu e parte do meu pescoço, preguiçosamente nas cobertas e no lençol que se fora branco agora é esse amarelo carinhoso e perpendicular, inclinado pra esquerda, invasivo mas bom samaritano, sorrindo enquanto me persuade a não sair de onde estou, não mover mais que as pálpebras que piscam lentas nesses três ou quatro segundos, glória suspensa de nuvens e partículas de poeiras entre os rasgos claros que não vão entrando, já estão lá, eu os peguei desprevenidos, ainda que pra eles isso pouco importe, essa invasão não é um crime, é uma necessidade, pra mim é importante pensar que não os vejo entrando e jorrando até onde estou, eles já estão, numa constante. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-1666799124419744783?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/1666799124419744783/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=1666799124419744783' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/1666799124419744783'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/1666799124419744783'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2012/01/f-u-l-v-o.html' title='f u l v o'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image 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Vou levando vagaroso assim assim querendo dizer que sim mas só dizendo que não. Pode ser que não seja nada além de mim ali fora mexendo nos arbustos perto do latão de lixo. Pode ser. Vou assim também girando no meu eixo vendo outras coisas sempre do meu lugar parado gira-gira. Bordô colorido flamejante vai criando e construindo gosto de chuva também bolinhos além de avós gerais e comuns. Muitos móveis. As escadas e os espaços escassos pouco parcamente divididos sendo assim aconchegantes claustrofóbicos e saudosos. Não era tudo de madeira antes parece. Um monte de gente revezando águas correntes de chuveiro com gatos molhados em azulejos. Cheiro de brigadeiro em pote que vem de mansinho perto da cabeceira da cama tremendo Parkinson. Muitos registros sons ré bemóis chances perdidas de revolta ou de adolescências florescendo nos cantos de madeira ali entre os plásticos com prazos de validade e estampas coloridas. Nomes próprios e títulos. Aquela mesma foto do mesmo menino dizendo o mesmo de sempre como quem sorri estampando o mofo de um tempo velho cheiroso de mar e peixe e cais e navios e pouca areia. Muitos bibelôs artesanais carvalhos girassóis cavalos-marinhos barquinhos diversos ampliados em quadrinhos e esculturas com tons primários pastéis. Nada mais brota. Nada mais brota na selva de louça de azuleijos da sala de leitura de livros de autores de lugares de verdade. Os corredores e o espaço pouco e escasso e de encontro com espelhos que reproduzem amplitude falsa como todo o azul celeste dessa falta de jardim. Sal a gosto tem que ir embora o quanto antes para além de todos nós. Que sagrado.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-2922678636902214608?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/2922678636902214608/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=2922678636902214608' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/2922678636902214608'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/2922678636902214608'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2012/01/c-e-r-u-l-e-o.html' title='c e r ú l e o'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-2562998827461922623</id><published>2011-12-02T02:41:00.001-02:00</published><updated>2011-12-02T02:41:54.116-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Primárias'/><title type='text'>c a r m i m</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Sou eu, digo. Digo um pouco mais alto, talvez não tenham me escutado lá na coxia. Sou eu, mais uma vez. Parece que não tem ninguém interessado em saber, mas isso é típico: nem mesmo eu me interesso por esse tipo de trivialidade. Dar alguns passos pode resolver o problema, meu cérebro pensa que talvez as cadeiras vazias sobre o palco sejam um sinal de que não é o melhor momento para estar ali, especialmente com o silêncio reinando tumular, principalmente fúnebre e quem sabe com um ligeiro toque de melancolia. Fujo de meus afazeres para estar aqui, sei de todos os riscos que corro – de saúde, de moral, de sociedade particular e financeiros – e ainda assim observo lento as cortinas, os refletores, as cadeiras vazias no palco que parecem anunciar uma presença que não enxergo. Não há ruído, não há vozes, não há sinal de movimento, mas sei que se há algo nesse espaço, esse algo é alguém. Alguém está ali junto comigo e não respondeu o meu sou eu por puro desinteresse em minha leviandade.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Talvez seja hora de regressar. Aguardo ansioso o sinal sonoro que me diz: olhe para a janela nesse momento, vai ver a espera concretizada, enfim, tudo lá, corra para uma das coisas que mais anseia no momento. E eu vou abandonar esse palco, essa história toda, esse monte de silêncio e de ausência, essa porta batendo insistente como se alguém estivesse ali. Mas não está, é só o vento. É sempre só o vento. Vou abandonar tudo isso e fingir enfim que sou alguém, inventar uns personagens, uma vida para eles – provavelmente tão inferior quanto a minha, já que seria eu incapaz de criar uma vida grandiosa para meus personagens, visto que não passo eu mesmo do minimamente interessante e essa porta que segue em bater e se fazer notar aqui, nesse trecho de nada.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Não ouvi sinal, mas meus sentidos me diziam que já havia passado o momento e que era ora de olhar a janela e me deixar ir embora. Essa aventura de mim em mim só poderia ser feita com tais frases clichês e esse horário estampado no relógio. É o sono que bate em mim, digo, e digo bem alto para que todos os que estão ali comigo saibam das minhas conclusões pessoais. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Viro-me. Vou-me.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-2562998827461922623?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/2562998827461922623/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=2562998827461922623' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/2562998827461922623'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/2562998827461922623'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2011/12/c-r-m-i-m.html' title='c a r m i m'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-4503484877513589999</id><published>2011-09-23T17:10:00.002-03:00</published><updated>2011-09-23T17:18:37.088-03:00</updated><title type='text'>Para uma das minhas Semíramis</title><content type='html'>O sol não nasce em Inácio Martins. O dia vem de mansinho, em silêncio, clareando como quem não quer nada as ruas de paralelepipedo, as casas de madeiras com jardim. Quando se percebe já são oito horas da manhã, a neblina vagueia pela cidade, os passarinhos corajosos se põem a aquecer a voz e a dizer que sim, há vida lá fora.&lt;div&gt;Joelhos gelados.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Café quente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Silêncio estranho.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Vozes. Vozes. Vozes.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Silêncio estranho.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Cobertores.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nariz gelado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Parece que o frio da cidade sorri pra mim. Só pra mim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E as canecas todas transformam esses homens em meninos. O corpo contraído, os joelhos juntos, as duas mãos que seguram as xícaras. Deixa sair. Deixa ir pra fora e molhar as barbas brancar desses meninos de seis anos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O frio coletivo, a falta de dedos nos pés, o silêncio falando por todos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Três filhos, três pinos, três vezes adeus. Três homens que se encontram com a morte - da mão, da mãe-esposa, de si mesmos. "É um vazio muito grande...". Eu sei.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando tudo acaba, a cidade está molhada de garoa. O dia nem começou e está tudo aberto, tudo de volta ao lugar (os dois sofás, as televisões...), avisando que o mundo não escuta as presses que dizem "Calma...". Logo mais é meio-dia. Dizem que o sol não nasce em Inácio Martins.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-4503484877513589999?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/4503484877513589999/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=4503484877513589999' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/4503484877513589999'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/4503484877513589999'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2011/09/para-uma-das-minhas-semiramis.html' title='Para uma das minhas Semíramis'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-2436044272064398929</id><published>2011-08-29T23:15:00.002-03:00</published><updated>2011-08-29T23:29:05.110-03:00</updated><title type='text'>Particular de todo mundo</title><content type='html'>&lt;div&gt;Eu já vi Rei Leão umas oito milhões de vezes. Sei todas (todas mesmo) as falas de cor, até os rugidos e as onomatopéias, e fui assistir ao filme por que é tipo o filme da minha vida (ficam ele e o Toy Story 3 aí no fight). Ele diz muito a respeito da minha personalidade, de alguma forma, já que eu cresci assistindo e convivendo com esses personagens. Formação de caráter, praticamente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pois bem. Fui eu esperando um 3D bem inocente, como os de Toy Story 1 e 2 e suas re-exibições. Fui esperando ver meu filme preferido do jeitinho que eu sempre vi, o mesmo gosto, o mesmo sabor, na telona.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No primeiro aspecto, fui surpreendido. Sem nenhum trailer antecendendo, o filme já começa com um 3D fodido na abertura clássica do ciclo da vida. Arrepios, lágrimas, viadage. Pra quem for macho, pelo menos um sorriso, né?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No segundo aspecto, não fiquei nem um pouco decepcionado. Está tudo lá. Talvez uma ou duas frases re-dubladas, mas nada que te enraivessa. Só um gritinho novo, uma risada que sumiu. Nada demais: é o mesmo filme de sempre. Ainda bem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E por isso mesmo não vou falar do filme, né caraio? Todo mundo sabe como o filme é awesome e isso nã oprecisa ser dito. Vou falar do que é essa re-exibição num cinema.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Claro que, na minha relação extremamente pessoal com o filme (como foi com Toy Story 3), o valor das coisas é bem maior que para a maioria da platéia. A começar, por exemplo, pelo monte de crianças comentando um filme que eu assisti na idade delas. Não nego: a principio, morri de raiva. Mas logo entendi que muitas dessas crianças tinham o filme na sua infância como eu tinha também. Isso por que a grande maioria dos pais dessas crianças tem mais ou menos a minha idade, e, provavelmente, deram aos seu filhos o prazer de assistir esse filme antes de saber que ele seria re-exibido. Como eu fiz com meu sobrinho.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E é exatamente isso: esse filme fez parte da infância de todo mundo, e todo mundo é tão saudosista com ele (merecidamente), que entregam essa jóia para a geração seguinte, que não pode crescer sem conhecer o reinado de Simba, sem a filosofia do Hatuna Matata (na dublagem maravilhosa da versão brasileira). E é tão todo mundo, mas tão todo mundo, que o filme de 1994 lotou a sala de gente usando óculos, muitas dessas pessoas sabendo as falas de cor, como eu.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E aí fica a mágica que eu vos digo: vão assistir. É sério. Não percam essa oportunidade, se o filme for importante pra vocês, por que existe um sentimento de compartilhamento tão inerente e íntimo, que eu me senti amigo de todo um cinema quando os três personagens do filme começaram a cantar Hatuna Matata e a platéia toda seguiu. Todo um cinema cantando feito criança uma música de um desenho animado de 1994. O quão fantástico é isso? A sensação de que eu voltei a ser criança e tou de frente pra tv da minha sala, cantando animado e dizendo as falas, e compartilhando isso com todos os meus amigos que também amaram o filme vale cada centavo do ingresso. Um amigo meu disse que é quase como ir a um estádio de futebol ou a um show que a platéia é muito fã do artista. Eu digo que a sensação é ímpar: por que é muito íntimista. Era uma multidão e eram todos meus amigos, eram todos meus comparsas e estavam todos sentados no meu sofá. E ninguém se importa de vocês dizer as falas junto, cantar com o filme, conversar sobre ele, levantar no meio. Por que ele já foi visto tanta vezes e é tão nosso, tão pertencente, que é quase como re-encontrar um velho amigo depois de muito tempo e ter as mesmas conversas de sempre. É um breque no envelhecimento, é se permitir ser criança junto com todos os outros adultos, com as crianças, com todos. Inacreditavelmente, é um filme que une as pessoas. Desde 1994.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-2436044272064398929?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/2436044272064398929/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=2436044272064398929' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/2436044272064398929'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/2436044272064398929'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2011/08/particular-de-todo-mundo.html' title='Particular de todo mundo'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-3554584925435749608</id><published>2011-08-07T22:31:00.006-03:00</published><updated>2011-08-07T23:10:33.629-03:00</updated><title type='text'>As avessas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não tem?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não. Não tem o mesmo caráter, não é do mesmo jeito, entende? O Bruno... ele... - e silênciou-se, pensando.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Que tem ele? - E meteu a boca no canudinho, chupando suco de limão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- O Bruno é inverso. - disse, com os pensamentos aflorados e derramando sobre o sanduíche - Inverso em tudo que faz. Ele ama como faz sexo e faz sexo como ama. O amor dele é divertido, prazeroso, presencial, concreto, entende? É um amor físico, é existencial. Não é daqueles amores ilusórios, cheios de metáforas e cheio de poesia. Não é um amor falso de novela, de filme hollywoodiano. É um amor que eu sinto o gosto, o cheiro, a textura... que é um gigantesco croissant! - E, satisfeita, deu mais uma mordida no sanduíche.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Hmm. - Deu mais um gole.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- O amor que ele exala pelos poros é sensual, aguça todos os meus sentidos - prosseguiu, engolindo. - E é o cúmulo da diversão, cheio de momentos particulares em lugares públicos sem ser desrespeitoso, parece que ele tá sempre tirando a minha roupa com os olhos, sempre consigo sentir o hálito dele perto da minha nuca só de vê-lo sorrir. As vezes ele não precisa falar nada, e a presença dele ali, em completo silêncio, me arrepia toda, me dá uma vontade louca de gritar. - Mordeu o sanduíche de novo. Instaurou-se um momento em que ninguém disse nada, mastigando ou canudinho. Seguiu: - Já no sexo...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sim? - Precipitou-se, largando o canudo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ele é a poesia em pessoa. Parece que me completa, e eu páro de sentir meu corpo, seus pêlos, nossa pele. Eu e ele viramos uma coisa só, entende?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- ...Não. - Por fim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Nem eu, na verdade. Por algum motivo eu me vejo fora do universo, e isso é tão idiota. É como se o mundo inteiro parasse de existir de repente, e só houvesse nós dois que na verdade somos um. E aí a gente respira junto, os mesmos pulmões, a mesma vida exalando cheiro no aposento todo. Não há separação dos corpos, não há vão entre nós, a gente ocupa o mesmo espaço, ao mesmo tempo... isso é contra as leias da física, né?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sei lá. - e pôs-se a mastigar o canudinho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- E ele é assim, sabe? - pingando o molho do sanduíche na bandeja toda. Observou: - Por que você tá chateado?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Comigo não era assim.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-3554584925435749608?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/3554584925435749608/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=3554584925435749608' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/3554584925435749608'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/3554584925435749608'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2011/08/as-avessas.html' title='As avessas'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-4872986286095350002</id><published>2011-07-29T00:08:00.003-03:00</published><updated>2011-07-29T00:28:01.753-03:00</updated><title type='text'>Conformismo começa com C</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E de repente, não mais que de repente, César parou de existir. Assim, tão súbito que nem deu tempo de reprovar o gesto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sua família, a princípio, não notou. Estavam acostumados a César inexistir, embrenhado no quarto, horas no chuveiro, dias fora de casa. Mas quando suas roupas param de ir para a lavanderia, quando não mais havia gente andando pela casa a noite, quando não se podia mais pedir pequenos favores ou reclamar de pequenas coisas da vida, pegar alguns artefatos emprestado ou reclamar sobre sua incapacidade de acertar o maldito do vaso sanitário ou dos pratos que ficavam no quarto, seus pais e seu irmão mais novo perceberam que César não existia mais. Teria ele fugido de casa, se mudado para a Austrália, encontrado o grande amor com o qual estaria morando agora?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No ambiente escolar, a ausência de César foi sentida com um pouco mais de rapidez. A princípio, noitou-se uma falta, duas, três e então os colegas de turma passaram a ligar, ligar, ligar e sem nenhuma resposta. E-mails, contatos em sites de relacionamento, mensagens de celular, tudo sem resposta. Em nenhum lugar havia quaisquer resquício que indicasse para onde havia ido César, se ele algum dia tivesse ido a algum lugar. Os livros emprestados, as músicas favoritas, de repente César foi virando meio que o assunto do momento na escola, e todos os alunos gostariam de saber a respeito do rapaz que simplesmente desapareceu. Mas tão logo ganhou fama, tão logo a perdeu, e no segundo horário de matemática já ninguém mais se importava com a sua inexistência, o que era de fato muito natural. A maioria das pessoas não se importa com o que não existe.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já a lojinha em que César trabalhava, com uma senhora gorda, notou sua ausência tão logo ela passou a existir. Onde estava o rapaz para alcançar a prateleira mais alta? Para atender os clientes? Para limpar as privadas, as pias, as porcelanas e os porta-retratos? Para ir buscar um trocado na loja da frente, para cuidar do balcão no meio tempo em que a dona da loja dava uma sumidinha (no sentido figurado) com o amante dela? Mas ali, em especial, a existência de César era tão simples de ser resolvida que no dia seguinta já havia um novo rapaz para tudo isso, e César não precisava mais existir, mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje em dia, as vezes, as pessoas param e lembram de alguns bons momentos que tiveram com César. Seu rosto de enche de alegria num sorriso bobo, os olhos ficam um pouquinho vidrados, e as vezes até iniciam uma conversa sobre o rapaz. Mas isso dura pouco, e tão de repente quanto havia começado, César volta a Inexistir.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-4872986286095350002?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/4872986286095350002/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=4872986286095350002' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/4872986286095350002'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/4872986286095350002'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2011/07/conformismo-comeca-com-c.html' title='Conformismo começa com C'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-9175708256803824160</id><published>2011-06-21T23:56:00.002-03:00</published><updated>2011-06-22T00:15:36.241-03:00</updated><title type='text'>Questões transitórias</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A cidade de São Rafael era conhecida por suas ruas largas e pouco movimentadas, com pedestres demais e carros de menos a transitar pelas avenidas enormes e com canteiros bonitos acompanhando os jardins. Mas de um dia pro outro - quase que literalmente - houve o boom dos automóveis e dos edifícios e São Rafael se tornou uma megalópole das mais terríveis e cruéis que poderiam existir. E foi tão súbita essa mudança de cidadinha de interior para maior cidade do planeta que ninguém, nem mesmo os melhores engenheiros ou prefeitos, conseguia desenvolver uma ordem lógica pra tanto sinal (conhecidos por lá como "Farol"), radar, faixa de pedestre, placa de trânsito, burocracia num geral.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando o trânsito já estava ficando insuportável e toda a verba de São Rafael era usada para, basicamente, contratar guardas e mais guardas que faziam a função de placas, sinais, radares, faixas e tudo mais que fosse necessário, quando bateu-se o martelo de que não existiam mais fundos para cobrir gastos do tipo, quando isso passou a afetar também a saúde com o número inacreditável de acidentes de trânsito e batidas por esquina, ouviu-se um eureca de algum gabinete anônimo que veio com a solução ideal: todo motorista era agora guarda de trânsito também. Observem quanta cidadania nessa ação social, podemos observar se quisermos, o quanto isso alimentava a moral e os bons costumes do trânsito, como isso criava bons motoristas conscientes e preocupados. Cuidando de si e dos outros, todos por uma São Rafael mais viva e sem buzinas. E para incentivar os cidadãos a cumprir o novo decreto, a cada 3 denúncias, um ponto na carteira era esterilizado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É claro que não deu certo. Ao que a medida foi implementada, todos os motoristas passaram a andar na linha pensando que qualquer um poderia multá-lo em qualquer lugar. Mas bastou um dia, talvez nem mesmo 24 horas, pra um motorista com a corda no pescoço de tantos pontos na carteira ter a brilhante ideia de sair inventando denúncias contra Deus e o mundo para aliviar a sua penalização. E foi tamanho problema que em uma semana estavam todos com suas carteiras por um fio, procurando mais e mais carros para denunciar, para contar ao governo, aos vizinhos, aos animais se fosse o caso, a infração que o carro da frente tinha cometido. Os motoristas passaram a andar com cadernetas e lápis à mão, prontos para anotar qualquer placa que surgisse, e dirigir virou muito mais que se locomover de um lugar à outro de São Rafael, mas uma épica caçada em que todos eram lobos e todos eram cordeiros. Não adiantava que você quisesse ser bonzinho, multar só quem mereciam, fazer valer a lei de verdade. Não, nesse caso você talvez tivesse uns dois dias de carteira de motorista e fim. Tudo estaria terminado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Então, tão de repente quanto foi o boom dos automóveis, a prefeitura inaugurou um metrô construído na surdina, sem nenhum anúncia. E assim, súbito, todo o desastre do deslocamento municipal foi jogado pra debaixo dos tapetes de asfalto agora desertos, cobrindo gente e mais gente empilhada dentro dos trens largos e barulhentos de São Rafael.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-9175708256803824160?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/9175708256803824160/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=9175708256803824160' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/9175708256803824160'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/9175708256803824160'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2011/06/questoes-transitorias.html' title='Questões transitórias'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-8403717271768745264</id><published>2011-04-07T23:34:00.005-03:00</published><updated>2011-04-07T23:57:39.413-03:00</updated><title type='text'>Nada a ser feito</title><content type='html'>É natural dos peixes nadar, e por isso todo peixe nada. É natural das lesmas rastejar, e por isso toda lesma rasteja. É natural dos tigres rugirem, e por isso todo tigre ruge. É natural dos cachorros latirem, e por isso todo cachorro late. Ainda que os seres não passem todo o seu tempo fazendo o que lhes é natural, hora ou outra acabam por voltar a fazê-lo: ainda que os cães passem um dia inteiro em silêncio, refreando suas vontades caninas de fazer alvoroço e latir uns com os outros, mais cedo ou mais tarde eles voltam a latir entre si. É só natural.&lt;div&gt;Pode vir quem quiser, lhes pôr focinheiras, lhes adestrar a só latir quando for permitido, dar a aos cachorros ossinhos pra roer e gastar os dentes como recompensa à mudez aversa à natureza. Mas hora outra eles latem: quando voltam a se ver, e o instinto natural aparece, os cães latem pra quem quiser ouvir, sem vergonha de serem cães - muito pelo contrário, orgulhosos do que são. Veja se tem cabimento essa gente querendo ensinar os cães a deixarem de ser cães, a negarem tudo que eles são. Acho, no mínimo, um desrespeito a tudo que os cães pensam.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas já disse e repito, sem medo de parecer redundante: nada adianta, volta e meia eles tornam a latir, voltam a mostrar quem são, o que pensam e sentem. Não são capazes de apagar de si mesmos essa deliciosa sensação que é gostar de ser quem se é. E mesmo quando resignam-se, pela alegria alheia, ao silêncio, os olhos atentos e as orelhas levantadas denunciam que o adestramento é incapaz de torná-los menos cães, menos leais, sinceros e espontâneos. Os menores detalhes do comportamento são resquícios gritantes e alarmantes de um latido preso na garganta, procurando qualquer brecha e qualquer espaço que possa pra sair. Não há cachorro que deixe de ser cachorro, que deixe latir, com cada uma das cinco letras.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-8403717271768745264?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/8403717271768745264/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=8403717271768745264' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/8403717271768745264'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/8403717271768745264'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2011/04/e-so-natural.html' title='Nada a ser feito'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-8358027365900518839</id><published>2011-03-12T19:43:00.003-03:00</published><updated>2011-03-12T20:06:50.376-03:00</updated><title type='text'>Cheio dos adjetivos.</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Gatos. Sempre gatos em cima de gatos. Arrogantes ou não, de variadas cores, uma bola de felinos rolando dia após dia em sua frente. Miados e mais miados manhosos, incertos, imprecisos. Aquele andar insinuante e aquele rabo sinuoso, elegante. Aqueles olhos meio inexpressivos, meio ameaçadores. A doçura parece ser apenas uma desarrogada vontade de conquista. As garras que se escondem, sem mostrar o real perigo que são.&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;E aí, de repente, um cachorro. Antes de tudo, amigo. Ele agradece feliz o carinho, sorri com os olhos por um afago na orelha, se põe perto e se faz notar. Late alto, direto, franco, seguro. Abana o rabo sem pensar se isso pode parecer pra alguns gatos humilhante: estar sempre ali, pronto pra simplesmente estar. Maciço, direto, sem meandros e sem medos de errar, o cachorro simplesmente está. Está lá mesmo quando você não está. E isso o faz o mais bonito dos animais. Ser assim: sincero, indiscreto, grandioso e humilde. Ele sabe que é importante e sabe que te faz bem. Não suporta te ver chorar, não pode aguentar quando você sai de casa. Ele te acompanha, sempre, e morre de alegria quando você sai com ele, quando você está com ele. Ele quer mesmo é que você fique com ele e quer ficar com você.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;E esse amontoado de gatos, que antes parecia tão bom, perdeu toda a graça logo que o cachorro apareceu. Ficaram ali, no canto, fazendo um montinho como quem pede adoção, mas não chegavam nem perto de ser adoráveis e amáveis como o cachorro. Este latia desconfiado pros felinos, que arrogantes nem se importavam. Teve até um gato que se esfregou discretamente nas pernas do dono, como que pra conquistá-lo. O dono chegou a olhá-lo, mas viu que não gostava mais desses felinos incertos e insolentes. Nem se deu ao trabalho de retirar a mão do cachorro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Mas um dia o cachorro foi embora. O dono criara o péssimo hábito de só colocar a mão sobre ele e não afagá-lo mais como fazia antes, se limitara a sair pra dar a volta no quarteirão e já voltar pra casa  - ainda que não possamos dizer que esse tenha sido o motivo de sua partida. E, dessa vez, o dono espera. Espera que o cachorro descubra a rua, entenda essa vida lá fora, e torce pra que ele conheça o caminho de volta pra casa. Confia tão plenamente no cachorro que nem se deu ao trabalho. Confia que, se o cachorro decidir voltar, vai ter mudado todos esses hábitos que ele percebeu que tinha desenvolvido. Confia que, se o cachorro decidir permanecer lá fora, pode se cuidar bem e que, tal qual elefantes - que o dono não conhece - nunca esquece.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-8358027365900518839?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/8358027365900518839/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=8358027365900518839' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/8358027365900518839'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/8358027365900518839'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2011/03/cheio-dos-adjetivos.html' title='Cheio dos adjetivos.'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-7642014190663886156</id><published>2011-03-11T02:08:00.003-03:00</published><updated>2011-03-11T02:21:28.320-03:00</updated><title type='text'>Pra ser mais literal</title><content type='html'>Teve aquela vez que eu liguei a tv e só via o chiado. Só o barulho infernal muito alto no meio da madrugada. Aquele monte de chuvisco me olhando de volta, e eu afundando no sofá feito pedra, descendo, descendo, descendo, alcançando o chão, passando o chão e fazendo um buraco que deu a volta na terra. Lá do outro lado do mundo as coisas pareciam fazer menos sentido que o chiado, e não demorou muito pra eu cansar e ter vontade de mudar de canal - mas o controle remoto não funcionava em outro lugar que não na tv. Afundei de novo, feito um elevador descendo, descendo, descendo, parando só lá no terreo, em baixo do sofá, de frente pra tv. O mesmo chuvisco, o mesmo barulho. E o controle que não funcionava, a tv que não respondia. Mudava e mudava de canal e era sempre a mesma coisa. O mesmo alvoroço de coisas.&lt;div&gt;Aí parece que a tv captou alguma coisa: um breve segundo, um milésimo de tempo, a tv me cuspiu alguma forma humana sendo carregada. Ou foi o que pareceu. Saiu da tela e grudou no canto do meu cérebro pra fazer o chiado ser mais baixo e menos visível. Nesse pedacinho de luz colorida devastando a sala, eu vi: a tv está quebrada. Mas o botão de power não funciona mais.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-7642014190663886156?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/7642014190663886156/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=7642014190663886156' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/7642014190663886156'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/7642014190663886156'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2011/03/pra-ser-mais-literal.html' title='Pra ser mais literal'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-1499827940622130111</id><published>2011-02-17T01:16:00.004-02:00</published><updated>2011-02-17T01:42:41.757-02:00</updated><title type='text'>Conto instantâneo tipo Sucrilhos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Maria um dia pegou seu melhor e mais bonito vestido de bolinhas - o único - e saiu de casa com ele nas mãos. Quem via Maria passar, sorrindo, ficava chocado com a alegria que tal ato podia acarretar numa boca tão bonita e cheia de dentes brancos. Maria gostava mesmo que as pessoas a olhassem, que tivessem a impressão que quisessem sobre ela. Que pensassem "Oh, lá vem a Maria, toda bonitona carregando esse vestidinho mequetrefe de bolinhas brancas, um desacato à moda!". Ou que pensassem que Maria era mesmo muito bonita e que o vestido era muito bonito também e que era uma pena ela não estar usando ele.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;João um dia pegou sua melhor e mais bonita camisa listradinha - a única - e saiu de casa com ela nas mãos. Quem via João passar, sorrindo, ficava chocado com a tristeza que tal ato podia acarretar em olhos tão bonitos e antes cheios de vida. João não gostava muito que as pessoas o olhassem, que tivessem qualquer impressão sobre ele. Que pensassem "Ah, lá vem o João com cara de enterro, carregando essa camisa listradinha bonita, cheia de personalidade!". Ou que pensassem que João era mesmo muito feio e que vestir a pobre da camisa seria na verdade uma péssia idéia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Mas João não era feio, era só um pouco mal-cuidado: a barba sem fazer a dias, as sobrancelhas caídas a dias, o rosto encovado, tudo isso dava a ele um péssimo ar que Maria desaprovava. E por isso Maria decidiu um dia que João podia ficar mais bonito e mais felizinho. Foi até sua casa e perguntou se João não queria casar-se com ela, Maria, toda linda e cheia de graça. João disse que não, muito obrigado pelo convite, mas Maria não lhe apetecia de todo. Tanto foi o desagrado de Maria que ela lhe propôs um desafio: apostou com João que, se ela conseguisse fazer com que ele lhe achasse bonita, eles se casariam. João contrapôs o jogo de Maria dizendo que se ele conseguisse fazer ela o achar feio, eles não se casariam e não se tocava mais no assunto. E foi aí que João e Maria saíram correndo de suas casas com suas roupas na mão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Quando Maria chegou à casa de João, e não o encontrou, tratou logo de sentar-se, vestido a mão e ideia pronta na cabeça. Já João, quando não encontrou Maria em casa, voltou para sua própria residência, temendo o que ela pudesse estar tramando. Maria estava lá, em frente à porta de João, completamente sem roupa, só com um vestidinho de bolinha na mão, Disse à João: "Quer Maria mais bonita que uma Maria nua? Põe um vestido de bolinha nela.", e lhe entregou o vestido. João, sem dizer nada à Maria, pegou o vestido e o vestiu, colocando em seguida a camisa listrada no corpo nu da mulher que estava parada em frente a sua casa. Mas nesse momento houve um pequeno estalar no cérebro dos dois. E logo estava um João de vestido correndo atrás de uma Maria quase nua não fosse a camisa listradinha, implorando por um casamento.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-1499827940622130111?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/1499827940622130111/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=1499827940622130111' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/1499827940622130111'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/1499827940622130111'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2011/02/conto-instantaneo-tipo-sucrilhos.html' title='Conto instantâneo tipo Sucrilhos'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-5954930296627115394</id><published>2011-02-01T02:08:00.005-02:00</published><updated>2011-02-01T02:47:55.054-02:00</updated><title type='text'>Diretor conceituado responde ofensa direta</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; color:black;mso-fareast-language:PT-BR"&gt;Após ser amplamente aclamada pela crítica especializada por semanas a fio, a peça &lt;i&gt;O Armário&lt;/i&gt;, dirigida por Rafael Machado, que está em cartaz no espaço A Enchente, recebeu &lt;a href="http://cafeinaporfavor.blogspot.com/2010/12/resenha-de-o-armario.html"&gt;uma dura crítica&lt;/a&gt; de um jornalista de renome conhecido como Victor Augusto, neste sábado. Sem meias palavras, o jornalista - que até então nada sobre teatro tinha escrito - revelou não somente uma sinopse cheia de meandros e críticas jocosas como até mesmo o final do espetáculo, desencadeando assim a queda vertiginosa na venda de ingressos para a temporada que pretendia ir até o final do mês seguinte, as sextas, sábados e domingos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; color:black;mso-fareast-language:PT-BR"&gt;A grande repulsa que o jornalista sentiu acarretou numa série de discussões a respeito de sua conduta na revista Veja e na sua evidente destruição do teatro enquanto fonte de cultura. Segundo alguns poucos colegas do ramo jornalístico, que conseguiram manter a calma o suficiente para conceder uma entrevista sem gritar enfurecidos, nem mesmo Barbara Heliodora havia sido tão cruel em qualquer uma de suas críticas. A fúria tomou parte dos profissionais da área, que se dividiram então entre criticar a resenha e o ato anti-heróico de Victor Augusto e entre remediar a situação elogiando ainda mais a obra de Rafael Machado. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; color:black;mso-fareast-language:PT-BR"&gt;O diretor, quando procurado, pôs-se a sorrir com certo ar de desdém: "Não vejo por que tamanho alvoroço.", disse, "Não é como se alguém realmente levasse qualquer coisa que ele escrevesse a sério.". As evidentes quedas na venda de ingressos, porém, mostram que, não apenas o diretor parece estar errado, como Victor Augusto caiu nas graças do público como um autor populista, representante do povo brasileiro. Rafael Machado, entretanto, comenta a respeito da redução de público: "Nós não esperávamos muita gente, na verdade. É uma peça bem intimista. Ele pode até pensar que nos prejudicou de alguma forma mas só ajudou no que pretendíamos enquanto arte.", afirma.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language:PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; color:black;mso-fareast-language:PT-BR"&gt;O autor da atualmente famosa resenha, que teve sua carreira inicialmente em jornais de classificados, passou pelo &lt;i&gt;Superpop&lt;/i&gt; em pequenas reportagens &lt;i&gt;free lance&lt;/i&gt; e por fim ingressou como repórter no programa &lt;i&gt;Brasil Urgente&lt;/i&gt;, sendo aclamado pela população como defensor da justiça, dos fracos e oprimidos - surgiram inclusive &lt;i&gt;hashtags&lt;/i&gt; no twitter do gênero #victornossoherói - vai responder agora a infinitos processos judiciais de homossexuais que consideram a sua crítica ofensiva e homofóbica. "Me sinto mais ofendido por meia dúzia de palavras que esse jornalista medíocre escreveu do que por tudo que o Bolsonaro disse!", reage João Monte Claro, ativista gay, autor de uma das muitas ações. Ao que tudo indica, boa parte da comunidade gay está revoltada com o desdém com que o universo gay foi retratado na resenha. Rafael, porém, nega a idéia de que a peça tinha qualquer teor homossexual: "Na verdade, trata-se de um grande tributo a diversão, a alegria e a cultura pop, coisas que eu e todo mundo sabemos que o pobre Victor abomina. Acho que ele precisava era sair d'O Armário!", brinca.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-5954930296627115394?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/5954930296627115394/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=5954930296627115394' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/5954930296627115394'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/5954930296627115394'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2011/02/diretor-conceituado-responde-ofensa.html' title='Diretor conceituado responde ofensa direta'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-7269770039447997122</id><published>2010-12-08T23:02:00.005-02:00</published><updated>2010-12-08T23:16:34.015-02:00</updated><title type='text'>O segundo texto</title><content type='html'>Atrás. Sempre atrás. O tempo todo atrás.&lt;div&gt;Não existe lucro, um momento de glória que diga "Eureca! É isso!". Nunca é aqui onde se estabelece uma vitória, nunca se está pleno e totalmente. Sempre vencido, ainda que vencedor.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O discurso de um perdedor é vitimista e com isso reduntante. Pelo menos esse aqui é.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sempre na negativa. Mesmo quando crê que as coisas vão dar certo alguma coisa lhe diz que não: não será o melhor, não será o primeiro, não será nada além do segundo lugar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Volta e meia acredita ter alcançado o grande resultado a melhor das qualidades o jeito perfeito de se sobrepor e se expôr e colocar-se enfim em evidência poder se exibir sem que isso pareça um problema e enfim imagina-se feliz no topo do pódio querendo estourar a champanha e comemorar o tão merecido e adiado e inconcebível e inalcançável verdadeiro e real glamour, sucesso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas não. Não. Não. Não. Não. Não. Nessa escadinha irreverente dos fracassados há sempre um outro degrau, um patamar que enquanto se esforçava para alcançar o mais alto surgiu e o sobrepôs. Está atrasado. Sempre atrasado. Sempre tem algo melhor, mais atual, mais moderno, mais interessante, mais bem trabalhado, mais qualquer coisa. No outro caso é menos, mesmo que sejam qualidades: menos sujeira, menos problemas, menos carisma, menos excessos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E se enfim encontra o lugar de destaque, aquele momento de reconhecimento e confete, ele não é tão bom quanto um outro primeiro lugar que é mais exibido que este. E assim esse primeiro lugar é o segundo lugar entre os primeiros, atrás daquele outro. Atrás. Sempre atrás. O tempo todo atrás.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-7269770039447997122?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/7269770039447997122/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=7269770039447997122' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/7269770039447997122'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/7269770039447997122'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2010/12/o-segundo-texto.html' title='O segundo texto'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-2161193486351469844</id><published>2010-11-20T13:29:00.004-02:00</published><updated>2010-11-20T13:45:45.646-02:00</updated><title type='text'>Todo mundo sabe que isso vai dar merda</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Espera, explica tudo de novo. Do começo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- A ideia é a seguinte: na segunda cena, onde existe aquele enforcamento do personagem do Geraldo, a gente tem aquele nó maroto que desfaz quando a corda puxa. A gente ensaia sempre com a corda, pra dar segurança pra ele, todos os dias com o nó safadinho pra ele ficar sabendo que não tem risco.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Certo, isso eu saquei.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Aí, o professor responsável pela matéria é o Antônio. E todo mundo aqui ama o Antônio, certo? Então a gente, pra tirar o Antônio da jogada, vai fazer o seguinte: no dia da apresentação, a gente vai trocar o nó maroto por um nó real. E aí o Geraldo vai se enforcar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- ...caralho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- A gente pode até tirar ele de lá quando a gente ver que a coisa tá feia, mas eu tenho medo de que, se ele sair ileso, nada aconteça com o Antônio. Se o Geraldo morre em cena a gente tá feito: o Antônio é responsável, processado e, mexendo alguns pauzinhos, é dois passos pra ele sair da cadeira de professor. E aí não tem lugar que ele consiga assumir como professor por que isso vai sujar a ficha dele pra sempre.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Tá, mas as pessoas vão notar que ele tá morrendo enforcado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não vão, por que depois disso tem um blackout e o começo da cena seguinte rola no escuro. A gente dá umas pausas mais longas e pronto. Quando a luz acender de novo o corpo tá lá, pendurado no meio do palco, balançando e aí o caos vai começar. E aí a gente tira o Antônio do jogo e assim ele não vai nunca mais interferir na nossa vida em nenhum aspecto, em nenhum lugar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- E se alguém sacar que foi armado, Gu? Quer dizer, alguém trocou o nó e isso vai ser investigado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sim, mas aí a gente vai fazer parecer que foi um acidente. A gente leva duas cordas, uma com o nó normal e uma com o nó falso. Faz parecer que alguém confundiu as cordas na hora de colocar e diz que tava com a corda de nó real lá sem querer, por que a gente tava fazendo piada com a possibilidade dele ser enforcado de verdade. A gente pode até fazer o nó na frente dele, rindo junto com ele, e aí dar um jeito de trocar os nós. É simples.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Você tem mesmo coragem de fazer isso?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não. Mas que seria genial, seria.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;Folha de São Paulo:&lt;/i&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-large;"&gt;Aluno morre em cena de conclusão de Disciplina na USP&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"(...) Quando foi comunicado, alguns minutos antes do inicio do espetáculo, que Geraldo tinha quebrado a perna, o professor Antônio Delfim Souza, 34, definiu que Gustavo Montes, por conhecer todas as falas o substituiria. (...) Iniciou-se um processo de investigação à respeito do acidente, mas a responsabilidade até então está recaindo sobre Antônio que já foi afastado de suas funções na USP."&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-2161193486351469844?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/2161193486351469844/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=2161193486351469844' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/2161193486351469844'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/2161193486351469844'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2010/11/todo-mundo-sabe-que-isso-vai-dar-merda.html' title='Todo mundo sabe que isso vai dar merda'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-6874726617029397658</id><published>2010-10-18T02:40:00.004-02:00</published><updated>2010-10-18T02:53:35.709-02:00</updated><title type='text'>Originalidade é perda de tempo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Alô?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Olha eu queria só te dizer que é impossível fingir que na verdade eu não estou aqui quando eu estou aqui sempre do seu lado pensando que independente do que acontecer entre você e eu você e eu você e eu e etc na verdade sempre houve e haverá alguém mais interessante para frear qualquer processo que possa acontecer nesse entre-meio dos dois corpos seu e meu isto é aqueles que nós sempre pensamos ser os mais importantes numa qualidade egocêntrica que reflete a respeito do umbigo do universo e dos parâmetros que as outras pessoas a sociedade na verdade deve seguir se por um lado a gente consegue se quer pensar numa linha a ser seguida ou um jeito determinado de uma sociedade qualquer ser que não venha a comprometer eu e você e esse momento que nós vivemos intensamente como qualquer casal normal faria próximo a um aniversário de um dos dois que espera pacientemente pelo presente de sempre aquele mesmo previsivel ganhado no ano anterior e no ano anterior e no ano anterior e no ano anterior e no ano anterior e assim progressivamente as avessas como sempre o mesmíssimo embrulho o laço de sempre a verdade dentro da caixinha mínima que se finge de importante enquanto que entre nós nunca há nada nem laço nem presente nem caixa nem embrulho nem aniversário nem sociedade que dirá qualquer coisa que se possa chamar casal ou da casualidade de um ser que pensa existir alguma relação entre ambos que não esse mínimo seduzir enquanto compra ou comprar para que seja seduzível ou seduzir para comprar enquanto que o normal entre o meu corpo e o seu não existe mais que algumas centenas de quilômetros de distância quando na verdade estamos bem um ao lado do outro ou dentro do outro numa sequela que não deixa rastros nem vestígios entre cidades e estados quiçá países mas esse eu não creio de fato acho que somente pode existir eu e você se a distância entre nós não for mais que a conta de telefone capaz de vir por esses dias e penetrar a minha caixa de correio como se fosse aquela mesma coisa que a gente faz sempre ou fingia ou pretendia fazer numa simplicidade mórbida de quem já conhece o código e já sabe o que vem em seguida para que nem sempre seja previsível o irmão que chega súbito ou o horário que impede qualquer tipo de toque além de um beijo mal dado e meramente perdido dentro de algum veículo como um ônibus um navio ou uma espaço-nave que de qualquer forma não faz tanta diferença nem para mim nem para você que segue cada um sua própria vida pensando nesse outro corpo agora presente no meu toque no meu cérebro na minha memória subvertida em palavras simples e diretas nesse telefonema que na verdade é uma pequenina declaração de amor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- ...quem tá falando?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Tu tu tu tu tu tu tu tu tu tu...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-6874726617029397658?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/6874726617029397658/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=6874726617029397658' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/6874726617029397658'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/6874726617029397658'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2010/10/originalidade-e-perda-de-tempo.html' title='Originalidade é perda de tempo'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-2643914217352981031</id><published>2010-10-02T21:47:00.003-03:00</published><updated>2010-10-03T03:10:46.848-03:00</updated><title type='text'>Oportunidades</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Naturalmente, pela manhã, havia uma questão social a ser resolvida quando desceu indócil para comprar margarina no mercadinho de frente ao prédio marrom-sujeira. Observou os preços junto com uma moça de cabeça raspada com roupas desinteressantes, que até chegou a comentar o absurdo que era o preço da manteiga. Pra não deixá-la ali monologando, meneou com a cabeça e pegou a primeira Qualy que apareceu na prateleira. Em direção ao caixa ouviu alguém comentando algo sobre Nescau e Toddy serem coisas muito diferentes - um deles era achocolatado, aparentemente - e achou alguma graça dos dizeres, então deu um sorriso sincero a respeito. No caixa, enquanto a atendente passava os códigos de barra naquelas maquininhas, ele observava uma marca de chupada em seu pescoço e, quando ela terminou de passar e percebeu que ele tinha notado, estendeu-lhe a nota e as moedas com apenas uma mão, muito contrangida escondendo com a outra a marca.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mais tarde, no metrô, ele estava farto de si mesmo quando se viu comprimido entre um cara bem alto e cabeludo, usando um moletom esportivo roxo, uma senhorinha gorduxa de vestido florido e chapinha no cabelo, um senhor de idade com cara de quem bebe muito chopp e uma barra de aço na qual ele inutilmente se segurava. Sentia a respiração do cara na sua nuca, a da moça próxima ao seu antebraço esquerdo e a do senhor, apesar de ele não sentir, conseguia ouvir de tanto que ele ofegava. O peito do cara empurrando suas costas, o da senhora ali próximo ao seu pâncreas enquanto que o senhor de idade, bem ele o empurrava com a bunda mais ou menos na região da crista ilíaca.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como atendente de telemarketing, passou a metade da tarde descobrindo tudo que podia sobre Suzanas, Rosanas, Otávios, Franciscos, Flávios, Reginaldos, Paulinas para preencher formulários e vender jornais à eles. Desde de idade à Cadastro de Pessoa Física.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na volta pra casa, antes de chegar a estação de metrô, quase foi atropelado por um carro que passava no farol vermelho. Gritou o xingamento mais feio que sua avó tinha lhe ensinado e ouviu o motorista gritar de volta algum xingamento tão feio quanto, enquanto ambos erguiam e exibiam o dedo do meio da mão esquerda. Ainda emputecido, comprou o bilhete do metrô de uma atendente japonesa simpática que perguntou à ele - em pleno horário de pico! - o que tinha acontecido pra ele estar tão bravo, ao que ele respondeu: "Não tenho muito contato com as pessoas. A solidão anda me perseguindo."&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-2643914217352981031?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/2643914217352981031/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=2643914217352981031' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/2643914217352981031'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/2643914217352981031'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2010/10/oportunidades.html' title='Oportunidades'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-1190498909009700066</id><published>2010-08-17T23:37:00.005-03:00</published><updated>2010-08-18T00:48:57.100-03:00</updated><title type='text'>Atestado de Óbito</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Henrique tinha o costume de acordar nas segundas-feiras ouvindo Capital Inicial dizer que pneus de carro cantam, diretamente do seu celular, as oito horas da manhã. Depois de alguma higiene básica ele comia o costumeiro pão com manteiga comprado na padaria do bairro enquanto via algum desenho animado que estivesse passando no primeiro canal que a televisão ligasse. Em seguida saía para o trabalho, andando de metrô com os foninhos no ouvido a dizer que ia entrar na sua roupa e onde você menos esperar eu vou estar na na na na na na na na na. Ficava lá umas oito horinhas, tinha um almoço rápido em que comia arroz feijão e frango a passarinho, depois voltava para a casa e punha-se a estudar para concursos públicos que ele em geral nunca passava. Quando percebia ser umas oito da noite, preparava alguma comida instantânea no microondas por que tinha medo de acender o fogão com isqueiro, comia assistindo a novela que estivesse passando no mesmíssimo canal do desenho da manhã. Em geral, pouco antes dela acabar ele começa a bocejar e sentir os olhos cansados. Ia para a cama deitar-se, aceitar o tão cobiçado mundo dos sonhos até o dia seguinte.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Henr_que ti_ha _ _ostume d_ a_ordar n_s terças-feiras ou_indo Capita_ Inici_l diz_r _ue pn_us _e carr_ _antam, di_etamente d_ _eu ce_ular, _s o_to _oras d_ m_nhã. D_pois _e a_guma h_giene b_sica e_e com_a _ cos_umeiro pã_ c_m ma_teiga com_rado _a _adaria _o bai_ro en_uanto vi_ alg_m d_senho ani_ado q_e estive_se pa_sando _o pr_meiro c_nal _ue _ televis_o li_asse. E_ segui_a _aía p_ra _ t_abalho, a_dando d_ m_trô c_m _s foninho_ _o o_vido _ di_er qu_ i_ e_trar n_ su_ rou_a _ o_de voc_ me_os e_perar _u vo_ esta_ n_ _a _a _a n_ _a n_ n_ _a. _icava _á uma_ oit_ hor_nhas, tinh_ u_ _lmoço _ápido e_ qu_ co_ia a_roz f_ijão _ fra_go _ pass_rinho, depo_s v_ltava _ara _ cas_ _ _unha-_e _ estu_ar par_ co_cursos públic_s _ue e_e e_ gera_ _unca _assava. Qua_do pe_cebia _er u_as _ito d_ noit_, _reparava algu_a _omida in_tantânea _o micro_ndas _or qu_ tin_a _edo d_ ace_der _ fogã_ co_ _squeiro, comi_ assisti_do _ nove_a qu_ estive_se _assando n_ mesm_ssimo _anal d_ de_enho _a manh_. _m _eral, _ouco a_tes del_ a_abar _le com_ça _ boce_ar _ se_tir o_ olho_cansado_. _a par_ _ _ama deita_-_e, a_eitar _ _ão cobi_ado _undo do_ _onhos a_é _ _ia segui_te.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;H_nr_que _i_ha _ _os_ume __ a__rdar __s quartas-feiras ou_i_do C_pita_ _nici_l di__r _u_ pn_u_ __ ca_r_ _an_am, _i_etamente __ _e_ ce__lar, __ o__o _o_as __ m__hã. D__ois __ a_g_ma h_gi_ne b_sic_ e__ c_m_a _ cos_u_eiro _ã_ c__ _a_teiga _om_rado __ _ad_ria __ ba__ro en_ua_to v__ a_g_m __senho _ni_ado q__ e_tive_se _a_sando __ pr_m_iro c__al __e _ te_evis_o li_a_se. __ se_ui_a __ía p_r_ _ t_a_alho, a_da_do __ __trô c__ __ fon_nho_ __ o__ido _ d__er _u_ __ e_t_ar __ s__ _ou_a _ o__e _oc_ m__os __perar __ _o_ e_ta_ __ __ __ __ __ __ __ __ __. _i_ava __ u_a_ oi__ _or_nhas, _inh_ __ __moço _ápid_ __ _u_ _o_ia __roz f__jão _ fra_g_ _ p_ss_rinho, _epo_s v__tava __ra _ _as_ _ _u_ha-__ _ e_tu_ar pa__ co_curso_ p_blic_s __e __e __ _era_ _un_a _as_ava. Q_a_do pe__ebia _e_ u_a_ _i_o __ _oit_, __eparava al_u_a _o_ida _n_tantânea __ _icro_ndas _o_ q__ t_n_a _ed_ __ _ce_der _ _ogã_ _o_ _s_ueiro, _omi_ a_sisti_do _ nove__ _u_ e_tive_se __ssando __ _esm_ssimo _ana_ __ d__enho __ _anh_. __ __ral, _o_co a__es de__ a_a_ar __e _om_ça _ boce_a_ _ _e_tir o_ o_ho_ ca_sado_. __ p_r_ _ _a_a _eita_-__, a_ei_ar _ __o c_bi_ado _un_o _o_ _on_os __é _ __a _egui_te.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;H_nr_qu_ ___ha _ _os_u_e __ a___dar ___ quintas-feiras _u_i_do C__ita_ _n_ci_l _i__r ___ pn___ __ _a_r_ _an_a_, _i__tamente __ ___ _e__lar, __ ___o ___as __ m___ã. ___ois __ a___ma h__i_ne b_s_c_ ___ c_m__ _ c_s_u_eiro ___ ___ ___teiga _om__ado __ _a__ria __ _a__ro en_u__to ___ a___m ___enho _ni_ad_ ___ e__ive_se _a_s_ndo __ _r_m_iro c__a_ ___ _ te_e_is_o l__a_se. __ _e_ui_a __í_ p___ _ t_a_al_o, a__a_do __ __t_ô ___ __ fon_n_o_ __ ___ido _ d__e_ ___ __ e___ar __ ___ _ou__ _ ___e __c_ ___os __pera_ __ ___ e__a_ __ __ __ __ __ __ __ __ __. ___ava __ u___ _i__ __r_nhas, _i_h_ __ ___oço __pid_ __ ___ _o__a __ro_ ___jão _ f_a_g_ _ p_ss_r_nho, _e_o_s v___ava __r_ _ _a__ _ _u_ha-__ _ e__u_ar p___ _o_curso_ __blic_s ___ ___ __ _e_a_ __n_a _as_av_. Q___do pe__ebi_ ___ u___ _i__ __ _ _it_, __e_arava _l_u_a ___ida ___tantânea __ _i_ro_ndas ___ ___ t___a __d_ __ _c__der _ __gã_ ___ _s_ueir_, _o_i_ a_sisti__o _ _ove__ ___ e__ive_se ___sando __ _e_m_ssimo __na_ __ ___enho __ _an__. __ ___al, ___co a__e_ _e__ __a_ar ___ _o__ça _ boce___ _ ___tir __ __ho_ ca_s_do_. __ __r_ _ ___a _eita_-__, a__i_ar _ ___ c_b__ado __n_o ___ _o__os ___ _ ___ _e_ui_te.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;__nr_qu_ ____a _ __s_u_e __ a___ar ___ sextas-feiras _u___do C___ta_ ___ci_l ____r ___ _n___ __ ___r_ __n_a_, ____tamente __ ___ ____lar, __ ____ ____s __ m____. ____is __ a___m_ h____ne b___c_ ___ c____ _ c___u_eiro ___ ___ ____eiga _o___ado __ ____ria __ ____ro _n_u__t_ ___ ____m ____nho _n__ad_ ___ ___ive_se ___s_ndo __ _r_m__ro c____ ___ _ _e_e__s_o ___a_se. __ ___ui_a ____ ____ _ __a_al_o, a__a__o __ ____ô ___ __ f_n_n_o_ __ ___i_o _ ___e_ ___ __ ____ar __ ___ __u__ _ ____ ____ ___o_ ___era_ __ ___ ___a_ __ __ __ __ __ __ __ __ __. ____va __ ____ ____ ____nhas, _i___ __ ___o_o ___id_ __ ___ ____a ___o_ ____ão _ f_a___ _ __ss_r_nho, ___o_s v____va ____ _ ____ _ _u__a-__ _ e____ar ____ ___urso_ __blic__ ___ ___ __ _e___ ____a _a__av_. Q____o _e__ebi_ ___ ____ ____ __ _ __t_, __e__rava ___u_a ___i_a ___t_ntânea __ _i__o_ndas ___ ___ ____a ____ __ ____der _ ___ã_ ___ ___ueir_, ___i_ a__isti__o _ __ve__ ___ e___ve_se ____ando __ ___m_ssimo ___a_ __ ___e_ho __ __n__. __ ____l, ____o a____ ____ __a_a_ ___ _o__ç_ _ _oce___ _ ___t_r __ __h__ ca_s_do_. __ ____ _ ____ _ei_a_-__, a____ar _ ___ c_b___do __n__ ___ _o__o_ ___ _ ___ _e__i_te.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Respiro. Desfibrilador.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;__nr__u_ _____ _ __s___e __ ____ar ___ segundas-feiras _____do C____a_ ____i_l _____ ___ _____ __ _____ ____a_, ____t_mente __ ___ _____ar, __ ____ _____ __ _____. ____i_ __ a_____ h_____e ____c_ ___ _____ _ c___u__iro ___ ___ ____e_ga _o___a_o __ ____ri_ __ _____o ___u__t_ ___ _____ ____nh_ ____ad_ ___ ___i_e_se ___s__do __ ___m__ro _____ ___ _ ___e__s_o _____se. __ ___ui__ ____ ____ _ ____al_o, a__a___ __ _____ ___ __ __n_n_o_ __ _____o _ _____ ___ __ ____a_ __ ___ _____ _ ____ ____ _____ ___e_a_ __ ___ _____ __ __ __ __ __ __ __ __ __. _____a __ ____ ____ ____nha_, _____ __ _____o ____d_ __ ___ _____ _____ ____ã_ _ f_____ _ __ss_r_n_o, _____s _____va ____ _ ____ _ _u___-__ _ _____ar ____ ___urs__ ___lic__ ___ ___ __ _____ _____ _a___v_. Q_____ _e__e_i_ ___ ____ ____ __ _ ____, __e__r_va ___&lt;b&gt;_&lt;/b&gt;_a _____a ___t__tânea __ ____o_ndas ___ ___ _____ ____ __ _____er _ _____ ___ ___u_ir_, _____ ___isti__o _ __v___ ___ e____e_se ____and_ __ ___m_ssi_o _____ __ ___e__o __ _____. __ ____l, _____ _____ ____ __a___ ___ ____ç_ _ _o_e___ _ _____r __ _____ _a_s_do_. __ ____ _ ____ __i_a_-__, _____ar _ ___ c_b___d_ _____ ___ ____o_ ___ _ ___ _e____te.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;___r__u_ _____ _ ______e __ ____a_ ___ terças-feiras ______o C______ ______l _____ ___ _____ __ _____ ______, ______mente __ ___ ______r, __ ____ _____ __ _____. ______ __ ______ h______ ______ ___ _____ _ c___u___ro ___ ___ ______ga _o_____o __ _____i_ __ ______ ______t_ ___ _____ _____h_ _____d_ ___ _____e_se ______do __ ___m___o _____ ___ _ ______s_o ______e. __ ____i__ ____ ____ _ _____l_o, ___a___ __ _____ ___ __ __n_n___ __ ______ _ _____ ___ __ ______ __ ___ _____ _ ____ ____ _____ _____a_ __ ___ _____ __ __ __ __ __ __ __ __ __. ______ __ ____ ____ ____nh__, _____ __ ______ ______ __ ___ _____ _____ ______ _ ______ _ __ss___n_o, ______ _____v_ ____ _ ____ _ _____-__ _ ______r ____ ____rs__ ___l_c__ ___ ___ __ _____ _____ _____v_. ______ _e__e___ ___ ____ ____ __ _ ____, __e____va ___&lt;b&gt;_&lt;/b&gt;__ ______ ___t__tâ_ea __ ____o_nd_s ___ ___ _____ ____ __ _____e_ _ _____ ___ ___u__r_, _____ ___i_ti__o _ ______ ___ e____e__e _____nd_ __ _____ssi_o _____ __ ______o __ _____. __ _____, _____ _____ ____ ______ ___ ______ _ _o_____ _ ______ __ _____ _a_s__o_. __ ____ _ ____ ____a_-__, ______r _ ___ c_____d_ _____ ___ ______ ___ _ ___ ______te.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;______u_ _____ _ _______ __ ______ ___ quartas-feiras _______ _______ _______ _____ ___ _____ __ _____ ______, _______ente __ ___ _______, __ ____ _____ __ _____. ______ __ ______ _______ ______ ___ _____ _ ____u___ro ___ ___ ______g_ _______o __ _______ __ ______ ________ ___ _____ _______ _______ ___ _______se _______o __ _______o _____ ___ _ ________o _______. __ _______ ____ ____ _ _____l__, _______ __ _____ ___ __ ____n___ __ ______ _ _____ ___ __ ______ __ ___ _____ _ ____ ____ _____ _______ __ ___ _____ __ __ __ __ __ __ __ __ __. ______ __ ____ ____ _____h__, _____ __ ______ ______ __ ___ _____ _____ ______ _ ______ _ __ss_____o, ______ _______ ____ _ ____ _ _____-__ _ _______ ____ _____s__ _____c__ ___ ___ __ _____ _____ _______. ______ _e______ ___ ____ ____ __ _ ____, __e_____a ___&lt;b&gt;_&lt;/b&gt;__ ______ ___t__tâ__a __ ______nd_s ___ ___ _____ ____ __ _______ _ _____ ___ ___u____, _____ ___i__i__o _ ______ ___ _____e__e _____n__ __ _____s_i_o _____ __ _______ __ _____. __ _____, _____ _____ ____ ______ ___ ______ _ _______ _ ______ __ _____ ___s__o_. __ ____ _ ____ ______-__, _______ _ ___ c_______ _____ ___ ______ ___ _ ___ ______t_.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;________ _____ _ _______ __ ______ ___ quintas-feiras _______ _______ _______ _____ ___ _____ __ _____ ______, ________nte __ ___ _______, __ ____ _____ __ _____. ______ __ ______ _______ ______ ___ _____ _ ________ro ___ ___ ________ ________ __ _______ __ ______ ________ ___ _____ _______ _______ ___ _______s_ ________ __ ________ _____ ___ _ _________ _______. __ _______ ____ ____ _ ________, _______ __ _____ ___ __ ________ __ ______ _ _____ ___ __ ______ __ ___ _____ _ ____ ____ _____ _______ __ ___ _____ __ __ __ __ __ __ __ __ __. ______ __ ____ ____ ________, _____ __ ______ ______ __ ___ _____ _____ ______ _ ______ _ __ss______, ______ _______ ____ _ ____ _ _____-__ _ _______ ____ ________ ________ ___ ___ __ _____ _____ _______. ______ ________ ___ ____ ____ __ _ ____, ________a ___&lt;b&gt;_&lt;/b&gt;__ ______ ___t__tâ_____ ______nd__ ___ ___ _____ ____ __ _______ _ _____ ___ ________, _____ ___i__i___ _ ______ ___ ________e ________ __ _____s___o _____ __ _______ __ _____. __ _____, _____ _____ ____ ______ ___ ______ _ _______ _ ______ __ _____ ___s____. __ ____ _ ____ ______-__, _______ _ ___ ________ _____ ___ ______ ___ _ ___ ________.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;_______________________________________sexta_-feira_,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;_________________________________________________&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;_________________________________________________&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;_________________________________________________&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;______________oito_de_agosto_de_2010,______________&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;_________________________________________________&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;_________________________________________________&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;_________________________________________________&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;_________________________________________________&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;_________________________________________________&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;_________________________________________________&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;_________________________________________________&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;_________________________________________________&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;_________________________________________________&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;_________________________________________________&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;_________________________________________________&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;___________________&lt;b&gt;_&lt;/b&gt;_____________________________&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;_________________________________________________&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;_________________________________________________&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;_________________________________________________&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;_________________________________________________&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;_________________________________________________&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;_________________________________________________&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;_______________Funerária São Vito.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-1190498909009700066?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/1190498909009700066/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=1190498909009700066' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/1190498909009700066'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/1190498909009700066'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2010/08/atestado-de-obito.html' title='Atestado de Óbito'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-1610905893484161348</id><published>2010-06-13T20:14:00.004-03:00</published><updated>2010-06-13T20:33:27.435-03:00</updated><title type='text'>Pós-guerra</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois de todas aquelas balas de "Eu te amo", a bomba atômica final nem parecia tão ofensiva assim. O vibrador azul era até bem bonito, mesmo que fosse ficar escondido pra todo o sempre dentro de alguma gaveta, e fora um presente de dia dos namorados até bem vindo para Estela. Seu namorado ia passar um ano no intercâmbio, lá na Inglaterra, explorando novas possibilidades econômicas ou qualquer coisa assim e, como não queria que a namorada ficasse sem pica devido a distância, fez a gentileza de comprar um peru de borracha, enfiá-lo num pacote rosa-yogurte, e dá-lo carinhosamente depois de um almoço num restaurante japonês. Claro que Estela nem chegou a tirar o pinto de dentro da caixa, mas sorriu gentilmente e agradeceu com o rosto corado. À noite, com o pênis na mochila, ela foi levá-lo até o aeroporto e se despediu com um beijinho molhado no lábio inferior, que deixou o marmanjo cheio de batom na boca.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas agora, dia 13 de julho, quase 20h30, Estela balançava pensativamente a rola azulada em frente ao rosto e pensava que seu namorado logo mais estaria chegando à Londres, onde haveriam muitas londrinas (e londrinos, por que não?) com bucetinhas prontas pra afagar um falo. Ele tinha deixado ela com um consolo, e ela não dera algo que desse pra ele, que deixasse ele satisfeito e sem a necessidade de enfiar o cacete em qualquer buraco que aparecesse alheio à situação, num metrô ou na Picadilly Circus, por exemplo. Começou se sentindo culpada, por ser uma péssima namorada e não ter pensado nessa idéia fabulosa antes do rapaz ir embora. Pobrezinho, sem sexo e sem vagina por um ano! Isto é, se é que ele se daria ao trabalho de polpá-la dos chifres. Com ódio crescente, ela começou a bater a piroca na cabeceira da cama, gritando impropérios indignos de serem ditos em um texto tão romântico. Para esquecer o assunto, ela foi até a sala e ligou uma televisão de 29 polegadas que passou a dizer-lhe que o avião de seu namorado havia caído e que, provavelmente, ninguém teria se salvado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desesperada, sem saber o que fazer, agarrou a benga de borracha e passou a beijá-la entre as lágrimas, pedindo desculpas e clamando por sobreviventes, especialmente aquele que deixara um sósia de seu órgão genital em suas mãos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-1610905893484161348?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/1610905893484161348/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=1610905893484161348' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/1610905893484161348'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/1610905893484161348'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2010/06/pos-guerra.html' title='Pós-guerra'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-1307919269984177470</id><published>2010-05-14T00:03:00.002-03:00</published><updated>2010-05-14T00:35:58.167-03:00</updated><title type='text'>Desmedida de Luiza</title><content type='html'>Luiza trabalhava incessantemente em um clube, daqueles que tem piscinas e que as pessoas fazem exames médicos nos dedos dos pés e nas virílias para certificar-se de que não trasmitiram doenças para as outras pessoas através da água. Ela era relativamente bonita, jovem, e o seu trabalho nesse clube era limpar os banheiros e colocar papel higiênico nos boxes quando estes acabavam.&lt;br /&gt;Um certo belo dia de sol, em que Luiza limpava arduamente o banheiro masculino vazio da sessão de piscinas olímpicas, viu entrar o seu ídolo musical sertanejo famoso mais preferido de todos. Ele estava só de sunga, carregando uma toalha e um sabonete, e estava pingando água e cheirando a cloro, com os cabelos molhados meio caídos no rosto narigudo. Um charme! Irresistível! E ela tratou de colocar um sorriso no rosto quando ele entrou e o cumprimentou com um meneio saudável de cabeça, que ele retribuiu meio distraído. Enseguida ele entrou num box com um chuveiro quente e pôs-se a tomar banho.&lt;br /&gt;Luiza ficou estática quando viu, um pouco depois, a mão do seu ídolo pendurar na porta do box a sunga verde-esmeralda que ele até então usava. Seu primeiro pensamento foi olhar por debaixo da porta ou por cima do box a visão fantástica que devia ser aquele homem mais nu do que com as pernas e peito cabeludos a mostra como quando ele entrou no banheiro. Mas aí teve uma idéia melhor e pensou em roubar a sunga disfarçadamente, correr com ela e realizar algumas ações meio pornográficas em outro banheiro do clube. Em seu devaneio sobre pegar ou não pegar a sunga, sobre olhar ou não olhar a porta, ela viu a mão pegar a toalha que também estava pendurada na porta e, alarmada, permaneceu estática até que a mão voltou e pegou de volta a sunga. Tudo estava acabado.&lt;br /&gt;Pouco depois o homem saiu do box, cumprimentou novamente, agora com mais atenção e chegou mesmo a comentar do tempo. Ela, deprimida com a perda da sunga, não fez mais do que dizer "pois é" num tom triste e melancólico que denunciava um suicídio. Mas logo que o ídolo se afastou ela percebeu: Ele esquecera o sabonete!&lt;br /&gt;Sem demora e sem pensar duas vezes, entrou no box, pegou o sabonete cheio em pentelhos na mão e fechou a porta. Num momento louco de tesão ela abriu a boca, pôs a língua pra fora e, imaginando o seu homem que jamais seria seu, pôs-se a lamber o sabonete, imaginando que este tocara cada uma das partes do corpo do seu cantor sertanejo favorito. Apesar do gosto horroroso e da ânsia de vômito, o tesão era maior e a volúpia a contralava. Seus dedos tocavam todo o seu corpo enquanto ela acariciava o sabonete com a língua. E gemia baixinho o nome do cantor.&lt;br /&gt;Sentiu então a porta do box bater em suas costas e olhou assustada seu chefe que o olhava com uma cara tão assustada quanto. Ele não titubeou nem deu momento para que ela se explicasse: berrou "Está demitida, Luiza!" e virou-lhe as costas. Ela, passado o choque, sentou no chão molhado do box, pensando na desgraça que lhe acontecera, no azar que ela tinha, e ficou ali espumando de raiva.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-1307919269984177470?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/1307919269984177470/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=1307919269984177470' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/1307919269984177470'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/1307919269984177470'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2010/05/desmedida-de-luiza.html' title='Desmedida de Luiza'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-4333575209398117295</id><published>2010-03-19T01:48:00.003-03:00</published><updated>2010-03-19T02:03:33.440-03:00</updated><title type='text'>Medo de dar tchau</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aos poucos, com o passar lento do tempo e das relações humanas, fui entendendo que conversar é o melhor meio de adiar o tão temeroso tchau: o momento em que as coisas acabam, em que a separação é inevitável. Não só para relacionamentos amorosos, mas também para familiares, amizades e mesmo profissionais. Não há forma melhor de se prolongar uma relação entre duas pessoas do que pô-las para conversar e se entenderem, ainda que uma delas ache que fazer bico ou ficar de birra seja mais eficaz. O perdoar, o entender os motivos, o deixar pra lá, são a única forma de sustentar sem dor uma outra pessoa na sua vida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas aí eu venho notando que as coisas as vezes vão e tornando irrefreáveis, e que a conversa em si não é tão eficaz nem avassaladora quanto o tempo. O tempo vai dando liberdade pras pessoas, e a intimidade, tão cobiçada a princípio, vai desvalecendo e mostrando aspectos que as pessoas preferiam não conhecer e não conversar sobre. A partir daí a cara feia, o ficar chateado, o medo da repreensão vão virando rotina, parte integrante da relação, aspecto constante que acaba por dilacerar qualquer conversa que venha, nem que timidamente, se colocar em meio ao caos. O perdão vai se tornando menos eficaz, as incertezas tão comuns do principio vão reaparecendo, o medo de por fim terminar sozinho volta a sondar, sorrateiro, de leve.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu me prendo ao máximo à conversa. Nisso, jogo todo meu orgulho fora e sou sincero aonde posso e aonde não posso também. Digo o que me magoou, peço desculpas por tudo que a outra pessoa não tenha gostado que eu tenha feito, vou limpando o jogo até o problema real aparecer. Em geral demora muito, tem muita briga boba e muito perdão remoído no meio. Mas quando dá certo e o problema é na real superado (coisa difícil, com o tempo), as coisas voltam à estaca zero, me sinto seguro outra vez pra continuar errando e passo a, novamente, me mostrar como sou, ainda que isso vá desagrandando vagarosamente a pessoa. É uma questão de habituar-se aos defeitos, entender os motivos, prezar os pontos altos depois das desculpas aceitas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E em meio a isso tudo eu me vejo perdido, cagando de medo de ter de me despedir de algo que eu ainda gosto. De estar dizendo adeus de forma mais subita do que o normal, que vai se dissipando e sumindo como um degradê dolorido. Além de morrer de medo de ficar sozinho, eu tenho medo de dizer adeus.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-4333575209398117295?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/4333575209398117295/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=4333575209398117295' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/4333575209398117295'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/4333575209398117295'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2010/03/medo-de-dar-tchau.html' title='Medo de dar tchau'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-4132589715415353267</id><published>2010-03-03T01:24:00.003-03:00</published><updated>2010-03-04T00:49:29.305-03:00</updated><title type='text'>Fênix da meia-noite</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma bela noite, na última viagem antes de ir pra casa, Eduardo viu entrar pela porta da frente do ônibus um rapaz com óculos enormes do tipo que nem a sua avó usaria, um cabelo esquisito e arrepiadinho, usando aparelho e uma camiseta com um encanador e um dinossauro nela. O rapaz pagou a passagem a Eduardo, girou a catraca e foi sentar lá no fundo do ônibus. Então, subitamente e como se isso fosse algo totalmente racional pra se fazer num ônibus depois da meia-noite, o cara tirou um laptop lindo e branco da Apple e pôs a digitar desenfreadamente, os fones de ouvido ligados ao aparelho finíssimo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eduardo arregalou os olhos. Era o notebook mais lindo que já vira em toda a vida, era de um cara franzino e de óculos de deus-sabe-quantos-graus, era meia-noite e não tinha ninguém no ônibus. Devia ser mais caro que o salário dele. Três vezes mais caro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fixou o olhar nas moedas que organizava em saquinhos e, com as mãos trêmulas sem motivo, tentou voltar aos seus afazeres, ouvindo o &lt;i&gt;tectec&lt;/i&gt; sutil que vinha do fundo do ônibus. Começou a cantarolar uma música dessas que fizeram moda no carnaval, algo que tinha Red Label na letra, mas ele já tinha perdido o ritmo e já ouvia o barulho das teclas de novo. Retirou cuidadosamente os olhos das moedas e virou-se para o último banco, onde o cara ainda estava com seu notebook a mostra, fazendo barulho na calada da noite, dentro de um ônibus vazio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não para, Reginaldo, até eu mandar você parar. - disse Eduardo ao motorista, tirando de dentro da bolsa lateral estilo-carteiro uma faca.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dirigiu-se para o fundo do ônibus, a faca as costas, ainda que isso fosse desnecessário já que o cara estava totalmente fissurado em seu laptop maravilhoso e branco. Com o coração disparado, ouvindo sirenes inexistentes de viaturas que atravessavam imaginárias a frente do ônibus e construíam um bloqueio, se perguntando o que sua mãe pensaria se o visse naquele momento, que exemplo estaria dando aos seus filhos junto com o notebook certamente capaz de rodar The Sims 3 perfeitamente, os pés quase se encontrando num tropeço que não veio, Eduardo se aproximou do rapaz e, quando estava suficientemente perto, apontou-lhe a faca e disse, o mais impiedosamente que sua voz trêmula podia ser:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Passa o computador, filho da puta!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O cara parou de digitar e olhou para cima, vendo o rosto de Eduardo e, em seguida, a faca afiadíssima. Sem dizer nenhuma palavra ou emitir qualquer som, ele fechou o computador, colocou-o dentro da pasta largada no banco ao lado e o estendeu a Eduardo, com o olhar firme mas cheio e medo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eduardo pegou o notebook e mandou o motorista parar e abrir a porta. Quando o cara desceu, o cobrador pensou na placa do ônibus, no horário inusitado, no fato de ser cobrador, no fato de o cara parecer muito inteligente e em como ele cedeu tão facilmente e sem remorsos ao computador. Por isso, desceu em seguida e atingiu-o com doze facadas nas costas e no peito em seguida. O cara caiu de borco, se remoendo de dor e a rua deserta tornou-se apenas gritos de dor que não demorariam a cessar. Nesse meio tempo, o cobrador já tinha voltado ao ônibus e mandava o motorista correr loucamente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aqui, para uns a vida de Eduardo acabou. Para outros, ela estava apenas começando.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-4132589715415353267?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/4132589715415353267/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=4132589715415353267' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/4132589715415353267'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/4132589715415353267'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2010/03/fenix-da-meia-noite.html' title='Fênix da meia-noite'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-3995483457130594788</id><published>2010-02-27T04:36:00.003-03:00</published><updated>2010-02-27T04:49:51.934-03:00</updated><title type='text'>Coisa de priminho</title><content type='html'>- Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito...&lt;div&gt;- O que tá fazendo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Nada. Um, dois, três...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Como nada?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Nada. Três, quatro, cinco, seis...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não, não, me conta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não vou te contar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Por favor, me conta! Por favor!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não, saco, não quero te contar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Mas por que? Eu não sou bom o bastante?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não tem nada a ver com você, ué.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não pode mesmo me contar?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não, não posso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Hmm.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Dois, três, quatro, cinco...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Vinte e dois, quatorze, sessenta e quatro, quarenta e oito...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Para com isso!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Por que?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Por que eu não consigo contar assim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Se não vai me contar não vai contar também.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Nossa, como você é insuportável! É por isso que eu nunca te conto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não, nem é. É por que eu não conto, né?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Do que você está falando, exatamente?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Nada não. Deixa pra lá. Vai, começa a contar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não, agora me conta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não, conta você.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Eu já tava contando antes de você se intrometer.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Pois é, não quis me contar agora não te conto também.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ah, nem queria saber mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- E nem eu queria contar, babaca.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Vou contar pra sua mãe.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Pode contar, nem ligo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Que bom. Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-3995483457130594788?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/3995483457130594788/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=3995483457130594788' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/3995483457130594788'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/3995483457130594788'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2010/02/coisa-de-sobrinho.html' title='Coisa de priminho'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-4845284146672463663</id><published>2010-02-21T17:09:00.003-03:00</published><updated>2010-02-21T17:17:38.858-03:00</updated><title type='text'>Tudo que ele precisava era roupa nova</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;     &lt;/span&gt;UHUUUUW Vamos matá-lo aos pouquinhos então, de desgosto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;     &lt;/span&gt;Estava eu fazendo um topo de blog pra um amigo (assim que o blog dele tiver pronto entra pra estante ali do lado) e aí me animei e fiz esse aí que agora enfeita o topo do velho cachecol xadrez. &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Estou eu relendo o próprio título do blog e, junto com a cara nova, quero dar um novo significado pra ele. Talvez tornar o negócio menos sério e mais divertido, falar mais abobrinha e não me preocupar muito com a qualidade. O cachecol aguenta, hihi, e se os leitores não aguentarem eles sempre podem ler um dos ótimos &lt;i&gt;outros&lt;/i&gt; blogs que eu indico ali à direita.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;     &lt;/span&gt;Como o que realmente presta desse blog são os textos velhos, o passado ganhou algum destaque, só por desencargo de consciência. Então, se quer ler alguma coisa boa minha, fuce aí em cima no meio de todo o lixo que eu garanto que você vai achar pelo menos algo interessante.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;     &lt;/span&gt;Ah, a real é que eu gosto muito de escrever, não tava a fim de criar um outro blog pra abandonar ele também só por que eu gosto muito desse. Se é pra matar, então vamos matar ele com alguma maldade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;     &lt;/span&gt;Então tá: a partir de agora o cachecol xadrez está devidamente ressuscitado, e, talvez, volte a ser um blog normal como era antes, sem crise e sem neura. Tomara que ele retorne à qualidade tanto quanto a vida, mas não é algo que eu esteja me importando por enquanto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;As cores da nova roupa são meio mortas, mas é por que ele ainda não está totalmente vivo. Tipo um blog zumbi.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-4845284146672463663?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/4845284146672463663/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=4845284146672463663' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/4845284146672463663'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/4845284146672463663'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2010/02/tudo-que-eu-precisava-era-de-uma-roupa.html' title='Tudo que ele precisava era roupa nova'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-8382197687553831020</id><published>2010-01-08T15:08:00.003-02:00</published><updated>2010-02-21T16:56:40.479-03:00</updated><title type='text'>Atestado de óbito</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Decidi por fim abandonar o blog. Não vou dizer "Não tem volta" por que vai que de repente eu acabo numa daquelas sindromes de inspiração e eu resolvo postar aqui? Mas o fato é que o pobre coitado está abandonado, eu venho gostando cada vez menos do que eu tenho escrito e com isso tenho cada vez menos vontade de escrever. Não é bem um hiato criativo, já que eu até tenho idéias, é falta de vontade mesmo. Meus textos tem ficado menores e menos interessantes e eu acho que o pobre do cachecol merece coisa melhor do que isso. Portanto, estou aqui avisando que a falta de textos não é por que eu estou sem internet ou por que falta inspiração. É por que eu não quero mais postar, mesmo, não quero estragar uma coisa que eu fiz durante tanto tempo com coisas do meu agrado. Acho portanto, digno matá-lo (ou pô-lo em coma, talvez seja uma expressão melhor) pelo seu próprio bem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Por que eu não consigo mais escrever? Por que eu estou feliz, acho. Os meus problemas são todos bem pequenos, do tipo que eu consigo resolver sozinho e por isso a terapia de escrever não é mais necessária. Não me ajuda em nada fugir de problemas tão simples quanto esses.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Com esse bilhetinho (por que também está curto e sem graça) venho dar adeus a um canto da internet que eu me refugiava e imprimia pedaços de mim mesmo. Boa noite.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-8382197687553831020?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/8382197687553831020/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=8382197687553831020' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/8382197687553831020'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/8382197687553831020'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2010/01/atestado-de-obito.html' title='Atestado de óbito'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-2543901695035384</id><published>2009-12-22T11:50:00.002-02:00</published><updated>2009-12-22T17:51:21.425-02:00</updated><title type='text'>Gorjeta</title><content type='html'>Entrou silencioso na lanchonete, olhando de esguelha a garçonete bonita. Sentado no banco, pediu um misto-quente, mas lembrou-se que era vegetariano. Pediu para que retirassem o presunto, mas lembrou que era intolerante a leite e derivados. Pediu que retirassem o queijo mas lembrou que pão engordava.&lt;div&gt;Desgostoso rodou todo o cardápio. Café tem cafeína, refrigerante tem muita caloria, suco precisa de açucar, adoçante é muito industrial, água é muito sem graça.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Então a garçonete se encheu dos pedidos e despedidos do rapaz e disse, farta:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Por que não pára de comer e não morre de uma vez?!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O rapaz não ergueu os olhos do cardápio logo em seguida. Muito devagar, como quem toma uma decisão, foi baixando o papel, levantando a cabeça e, ao olhar nos olhos da garçonete que franzia as sobrancelhas, severa, sorriu com o canto da boca.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Então levantou-se, tirou a carteira de dentro do bolso de traz da jeans surrada e de dentro da carteira tirou uma nota de dez reais. Colocou sobre o balcão, meneou com a cabeça e, virando-se para a saída, disse num tom baixo:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Fique com o troco. É sua gorjeta.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-2543901695035384?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/2543901695035384/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=2543901695035384' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/2543901695035384'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/2543901695035384'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2009/12/gorjeta.html' title='Gorjeta'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-3401993781213294260</id><published>2009-11-29T01:00:00.001-02:00</published><updated>2009-11-29T02:01:49.325-02:00</updated><title type='text'>Tchbum!</title><content type='html'>Foi até a ponta da prancha. Olhou o mar lá em baixo, sentiu a ponta do sabre as costas. Não tinha mais volta. Era aquele azul faminto pronto para engolir-lhe para todo o sempre, talvez fazendo parte do cenário de algum velho navio naufragado, ou do covil de uma lula gigante, como um esqueleto de um infeliz, carregado pelas ondas, morto sabe deus por que, encontrado nunca mais nas profundezas do oceano.&lt;div&gt;Ouvia os gritas de fúria dos outros piratas as suas costas, ouvia o barulho das ondas no casco, ouvia o ranger da prancha. Queria muito ser capaz de olhar para o céu, de prestar contas ao senhor deus ou sabe-se lá que divindade proteja os piratas, mas a vertigem não permitia. Pensava nas moedas de ouro que jamais encontraria, nas garrafas de rum que jamais beberia, nas lutas de espada que jamais venceria, nas belas mulheres que jamais seduziria. Pensou em conchas, em estrelas-do-mar, em barcos de papel. Revirou sentimentos outrora inexistentes, como a certeza de ter visto e ouvido, certa noite, uma sereia cantando no mar muito próxima ao seu barco, os cabelos molhados escorrendo enquanto os dedos tocavam a proa. Sonhou com arpões, em caças baleias, em velejar pelos mares gélidos da Noruega. Imaginou o mar vermelho como sendo realmente vermelho e se sentiu um tanto quanto infeliz por saber que jamais poderia vê-lo dessa ou de qualquer outra cor.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O sabre o levou pouco mais pra frente. O coração fez uma pequena pausa, a coragem invadiu seus pulmões, ele saltou por si próprio e não por obrigação de nenhum pirata barbudo e peludo que achava que mandava em sua vida. Não. Pulava agora para se encontrar com os seres místicos do oceano, para ver a baleia azul, para habitar o glorioso oceano, por pouquíssimo tempo que fosse, como o tão grandioso animal. Era agora um bicho que descia, vertiginosamente, em pé, de encontro à água azul escura, ao frio de quebrar os ossos, aos tubarões, aos cardumes, à falta de solo até tantos metros de profundidade. Saia do seguro e do seco pra entrar numa outra curta e intensa, de uma vez só, pra uma morte prevista e esperada que garantia que o frio, o baque e a dor fossem apenas experiência de um ser aquático.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pedro sentiu os pés baterem no fundo da piscina de mil litros e a mãe dele brigar em seguida pelo aguaceiro no quintal.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-3401993781213294260?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/3401993781213294260/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=3401993781213294260' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/3401993781213294260'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/3401993781213294260'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2009/11/tchbum.html' title='Tchbum!'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-6139052882567928648</id><published>2009-11-15T18:45:00.000-02:00</published><updated>2009-11-15T19:13:55.996-02:00</updated><title type='text'>Metáforas ruins para uma pessoa sem criatividade</title><content type='html'>De vez em quando meu mundo vem em forma de prosa. Nesses dias, eu estou racional, penso por todos os ângulos, vejo todos os personagens, assumo posturas, narro em primeira pessoa.&lt;div&gt;Outras tantas vem em forma de texto dramático. Aí eu faço cena, abdico ou não o realismo, leio como eu quiser, dou a intenção que eu preferir, ignoro ou não a rubrica.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Por vezes vem em forma de dissertação. Então eu analiso tudo, aponto prós, contras, me coloco a favor ou contra, tento não me manter neutro, tento sempre concluir o dia de forma a reafirmar minha posição e, se possível, propor uma solução para os problemas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Também vem meu mundo em forma de poesia. E aí eu faço o que eu quiser, sem ninguém me olhar torto. Vejo vocabulários que ninguém vê, sinto gostos que ninguém sente, entendo as pessoas por dentro. Fico misterioso, ambíguo, com alguma dualidade aparente. E ruim, em geral.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ainda há dias em que meu mundo vem fantasiado de crônica. Aí eu debocho de tudo, me faço de irônico, saboreio o sarcasmo, evoco paralelos e comparações junto a metáforas que expliquem muito mais do que o necessário. Esdrúxulas, em geral.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Também posso amanhecer meio conto. Aí eu finjo que sou outra pessoa, invento uma outra história, desenvolvo um personagem que, no fim, sou eu mesmo me fazendo, sou eu contando, eufemista, meus próprios problemas através da boca de outro, com metáforas sem graça.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-6139052882567928648?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/6139052882567928648/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=6139052882567928648' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/6139052882567928648'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/6139052882567928648'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2009/11/metaforas-ruins-para-uma-pessoa-sem.html' title='Metáforas ruins para uma pessoa sem criatividade'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-8658716870730389377</id><published>2009-11-02T16:22:00.002-02:00</published><updated>2009-11-02T16:27:46.308-02:00</updated><title type='text'>Experimento 2</title><content type='html'>&lt;i&gt;Um apartamento qualquer, de uma cidade qualquer, onde mora qualquer pessoa. A campainha toca. Ela vai atender. Ao abrir a porta, depare-se com ele. Faz menção de fechar a porta, mas ele a olha com algum desespero e segura a porta com alguma força, ao que diz:&lt;/i&gt;&lt;div&gt;- Eu não vim aqui pra entender ou explicar, nem pedir nada pra mim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;Pausa. Ela suspira e pára de forçar a porta.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Eu vim pelo que sei. E pelo que sei - &lt;i&gt;ele desvia o olhar do rosto dela, recaindo sobre a maçaneta&lt;/i&gt; - você gosta de mim. - &lt;i&gt;pausa curta, volta a olhá-la&lt;/i&gt; - É por isso que eu vim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;Ela o olha firme, não vacila na pausa que se sucede.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Eu não quero cantar pra ninguém a canção que eu fiz pra você. - &lt;i&gt;em seguida, abaixando o tom de voz, ele prossegue&lt;/i&gt; - Que eu guardei pra você... pra você não esquecer que tenho um coração e é seu tudo mais que eu tenho. Tenho tempo de sobra, - &lt;i&gt;ele sorri pra ela, ela permanece firme&lt;/i&gt; - tenho um jogo de botão, - &lt;i&gt;ela acaba por sorrir também&lt;/i&gt; - tenho esta canção.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;Ela o deixa entrar.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-8658716870730389377?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/8658716870730389377/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=8658716870730389377' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/8658716870730389377'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/8658716870730389377'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2009/11/experimento-2.html' title='Experimento 2'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-2177586158179001118</id><published>2009-10-23T00:33:00.002-02:00</published><updated>2009-10-23T01:07:28.752-02:00</updated><title type='text'>Feito papel machê</title><content type='html'>Endureci. Nesses seis meses sozinho, posto pra secar, passei de massa disforme a objeto. Todo o líquido que de mim pingava secou. Impossível extrair qualquer outra gota. Pode me apertar o quanto quiser, não sai mais nada. Estou impecavelmente seco.&lt;div&gt;Ninguém nota, mas por dentro eu sou complexo, cheio de camadas independentes. A extrema dureza é só externa, eu sou feito nessa intenção de enganar mesmo. De ninguém saber que o que parece tão firme por fora é tão desfigurado por dentro. Me perfurar e conseguir passar qualquer coisa por dentro de mim sem que essa se perca nas minhas entranhas é algo complicado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não faço barulho quando caio no chão. Pareço até meio fofo, de certa forma, eu sou duro de uma forma que ao bater não produz ruído, independente do impacto. Pode me jogar no chão, e o ruído não vai ser duro, uma pancada. Vai ser amortecido, esquisito, como quem se recusa a gritar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Agora que estou seco, que me pegam pra usar, fazem pouco caso. É só um amontoado de papel, cheio de cola. É só isso que ele é.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E pensar que pouco antes desses seis meses de exílio desensopante alguém veio com carinho e construiu sobre o amassado que eu era as três camadas, lindas, pacientemente, uma a uma. Queria ver se fosse possível eu voltar ao estado original de amarfanhamento total e ver se o atual me pegaria na mão devagar, seguraria nas pontas dos dedos, cortaria o jornal em pedaços muito miudinhos e recobriria-me centímetro por centímetro, paciente, sabendo que leva tempo e que eu não posso ser manuseado logo depois de feita uma camada. Que eu preciso secar pra endurecer, e que a última camada leva tempo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não. O presente vem com tudo pronto, só faltava vir embrulhado e com um laço em cima. Um verdadeiro brinquedo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-2177586158179001118?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/2177586158179001118/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=2177586158179001118' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/2177586158179001118'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/2177586158179001118'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2009/10/feito-papel-mache.html' title='Feito papel machê'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-4303055403644769684</id><published>2009-10-08T20:16:00.002-03:00</published><updated>2009-10-08T20:23:56.749-03:00</updated><title type='text'>Defina dor.</title><content type='html'>- Dor é aquela vontade louca de levar o dedo à boca quando erramos a faca e acontece o corte inevitável.&lt;div&gt;- Dor é esquecer o aniversário do seu melhor amigo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Dor é querer respirar e não poder.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Dor é querer não respirar e não poder.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Dor é não ter quem me segure quando caio da cama.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Dor é cair de bicicleta e ralar o joelho.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Dor é comer doze pedaços de pizza e não conseguir dormir depois.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Dor é não conseguir dormir mesmo sem ter comido pizza.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Dor é cair da escada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Dor é ter de ir embora.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Dor é ter de ficar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Dor é bater o dedo na cama.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Dor é prisão de ventre.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Dor é aquele dia que você não me abraça nem uma vez.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Dor é quando você me manda embora.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Dor é ser assaltado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Dor é ser humilhado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Dor é lembrar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Dor é saudade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Dor é nostalgia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Dor é melancolia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Dor é não poder coçar o braço engessado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Dor é torcer o pé e não poder brincar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Dor é perder o último ônibus.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Dor é não ter inspiração.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-4303055403644769684?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/4303055403644769684/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=4303055403644769684' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/4303055403644769684'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/4303055403644769684'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2009/10/defina-dor.html' title='Defina dor.'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-5678928800863282718</id><published>2009-09-26T18:54:00.004-03:00</published><updated>2009-09-26T19:26:39.076-03:00</updated><title type='text'>É por isso que eu gosto de andar ônibus</title><content type='html'>&lt;i&gt;No fundo, naqueles bancos de cinco lugares, nas extremidades de cada um, um homem e uma mulher, ao celular. Ambos olham a janela, absortos.&lt;/i&gt;&lt;div&gt;- Alô, tá ainda aí?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Roberta? Alô, Roberta?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Seria legal se você demorasse menos pra me responder.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ah, amor, que isso, não gosto dessas brincadeiras.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não sou sua namorada, Fernando, não sou nada sua.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ué, por que?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não e pronto, não adianta insistir.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Mas então como você vai fazer pra me ver?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não, Fernando, não. Não quero e não vou.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- É culpa dele, de novo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ah, larga de ser babaca.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Você fica fingindo que não, mas eu sei que ele é que te traz todos esses problemas. Eu sei que é tudo culpa dele.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não, Fernando! Mas meu Deus do céu! Que ódio de você e dessa sua mania. Já chega, cansei de você.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Que horas no seu apartamento?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- O que?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Alô? Que horas, Roberta?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Sei lá, quando der, não me faz diferença. Você tem a chave, entra lá e faz o que precisa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Roberta, Roberta, por que você não confia em mim e não me diz a verdade?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Pega o seu poodle ridículo, Fernando, e enfia no cu! Tá bom? No cu! Depois faz dele cotonete ou sei lá!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;Ela então desliga o telefone e, brava, fica encarando a janela.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Roberta, não acredito que seja tão sério assim. Seu pai não teria coragem de bater em você, sério.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;Santa coincidência, batiman!&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-5678928800863282718?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/5678928800863282718/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=5678928800863282718' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/5678928800863282718'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/5678928800863282718'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2009/09/e-por-isso-que-eu-gosto-de-andar-onibus.html' title='É por isso que eu gosto de andar ônibus'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-231098893647276558</id><published>2009-09-16T11:45:00.002-03:00</published><updated>2009-09-16T12:47:47.996-03:00</updated><title type='text'>O pouco tempo que sobra</title><content type='html'>Abri devagar a gaveta da cozinha, distraído com a outra mão a alcançar um pão, e tateei a procura de uma faca. Senti dentes de garfos, colheres, diversos cabos, pra então finalmente alcançar uma faca. Pesada e esquisita, ela era diferente das outras, o que me fez desviar os olhos do pão e notá-la pela primeira vez.&lt;div&gt;A faca era pesadíssima, toda de metal, com um cabo gordinho e desenhado com muitas firulas e arabescos. A parte cortante, já não mais tão afiada, perdia-se fina e sem dentes. Prateada, bonita. Mas com uma cara de velha.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sentei-me. Girando a faca e analisando-a, percebi que se tratava de uma faca de gerações passadas, utilizada numa ceia de casamento por um bisavô meu, engomado em seu terno e chapéu, com o vocabulário robusto a acariciar alguma bisavó minha. Cortando alguma carne deliciosa com essa mesma faca, naquela época lustrosa e bonita, demonstrando toda a aristocracia que um jantar a dois.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Na verdade, esta faca foi o que salvou um antigo pirata, pronto para ser morto por um sabre afiadíssimo, que a alcançou sobre um barril ao seu lado e, numa reviravolta acrobática, defendeu todos os ataques do inimigo com uma faca à epoca com pouco corte, talvez usada no máximo para desarrolhar as garrafas de rum.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;De fato, esta faca pertencia a um tesouro perdido, da rainha de um paí longíquo onde os dodôs ainda existiam e a paisagem natural belíssima refletia nas moedas de ouro e na faca prateada, posta cuidadosamente ao lado de uma taça de cristal tão floreada quanto a própria faca.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Também poderia ter sido ela quem matou o velho Alberto Costa, com 32 facadas de sua esposa, enquanto dormia no sofá depois de um porre e dez mulheres diferentes num bordel. Sangue escorrendo pra todo lado e uma dor alucinante de uma faca sádica que nem cortar de uma vez corta, vai devagar, doendo muito mais do que cortando.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E agora a pobre coitada está ali, cortando pão, talvez o ato mais insignificante de sua vida, talvez seu momento de calmaria, uma velhice tão esperada nas reviravoltas de uma vida de aventuras.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-231098893647276558?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/231098893647276558/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=231098893647276558' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/231098893647276558'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/231098893647276558'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2009/09/o-pouco-tempo-que-sobra.html' title='O pouco tempo que sobra'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-74601656417987642</id><published>2009-09-07T20:10:00.002-03:00</published><updated>2009-09-07T21:32:13.254-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_CVp_F9gITQU/SqWdWLdxzfI/AAAAAAAAASE/FH0k9lgKHSQ/s1600-h/parabens.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_CVp_F9gITQU/SqWdWLdxzfI/AAAAAAAAASE/FH0k9lgKHSQ/s400/parabens.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5378878334324297202" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Que independência que nada! Hoje fazem três anos que o Cachecol Xadrez foi criado. Dois anos que eu posto de verdade, mas eu resolvi assumir a data da primeira postagem como nascimento dele, mesmo que eu tenha sido um pai negligente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Por volta de 150 textos, entre poesias xinfrins e auto-avaliações, entre contos e argumentos, vem sendo explícito aqui um pouco do que eu acho que sou. É uma delícia reler tudo isso e ver como eu era, como eu mudei, como eu não penso mais igual.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Hoje é dia de nostalgia! Hoje é dia de lembrar do passado. Eu ia indicar três textos legais (que eu considero legais) nesse post, mas tem tanta coisa legal aqui. Acho triste restringir a três. Então vou indicar dez! Por que 3+7 dá dez! Por que sete de setembro é dia de cachecol, não d'Ouviram do ipiranga!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- - - - -&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://cachecolog.blogspot.com/2007/11/verdade-sobre-o-tempo.html"&gt;A Verdade Sobre o Tempo&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://cachecolog.blogspot.com/2008/03/voc-mesmo-um-menino.html"&gt;Você é mesmo um menino?&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://cachecolog.blogspot.com/2008/05/sobra-tanta-falta.html"&gt;Sobra Tanta Falta&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://cachecolog.blogspot.com/2008/05/almoo.html"&gt;Almoço&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://cachecolog.blogspot.com/2009/02/pessoas-estranhas-reagindo-estranheza.html"&gt;Pessoas estranhas reagindo à estranheza de outras pessoas&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://cachecolog.blogspot.com/2009/02/fruteira.html"&gt;Fruteira.&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://cachecolog.blogspot.com/2009/03/tenho-pena.html"&gt;Tenho pena.&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://cachecolog.blogspot.com/2009/05/sobre-satisfacao-conjugal.html"&gt;Sobre satisfação conjugal&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://cachecolog.blogspot.com/2009/05/anfibio-x-10.html"&gt;Anfíbio x 10²³&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://cachecolog.blogspot.com/2009/05/blog-post.html"&gt;÷&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Obrigado a quem acompanha, obrigado a quem critíca, obrigado a quem tem blog e me inspira a escrever! O Cachecol Xadrez agradece!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial; color: rgb(51, 51, 51); font-size: 13px; "&gt;&lt;h3 class="post-title entry-title" style="color: rgb(51, 51, 51); font-size: 22px; font-weight: bold; line-height: 1.4em; margin-top: 0.25em; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/h3&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-74601656417987642?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/74601656417987642/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=74601656417987642' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/74601656417987642'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/74601656417987642'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2009/09/que-independencia-que-nada-hoje-fazem.html' title=''/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_CVp_F9gITQU/SqWdWLdxzfI/AAAAAAAAASE/FH0k9lgKHSQ/s72-c/parabens.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-1711839757490761035</id><published>2009-08-22T12:49:00.003-03:00</published><updated>2009-08-22T13:46:26.171-03:00</updated><title type='text'>Das duas às quatro</title><content type='html'>Puxou a coberta pra cima da cabeça. A chuva molhava todo o quintal e batia com força na janela. Seu coração batia com força no peito. Respirando devagar, contando o oxigênio, nenhuma luz, escuro.&lt;div&gt;O cobertor roçando de leve o nariz. Alergia, espirro, falta de ar. Puxou a coberta pra baixo, respirou alto, alívio. O barulho do ar sendo sugado ecoou no quarto vazio. Sentiu vontade de levantar e acender a luz, mas a caminhada era muito longa. Muito longe. Muito medo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pensou nas coisas horríveis de sempre, nos pesadelos de todas as noites. Pensou no que viria a seguir, pensou em quão vulnerável estava. Pensou que não devia pensar nisso, que não ajudava em nada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Parou de respirar um segundo. Ouvira um barulho, um estalo, um portão bater. Ouvira muita coisa, já, e nenhuma delas se concretizara no seu pavor, mas não confiava na experiência. Fixou o olhar na porta. Podia ver, a qualquer momento, qualquer coisa ali.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Virou-se de lado, as costas pra janela, e imediatamente se arrependeu. Estava mais vulnerável. Voltou a posição original, a cama rangendo muito alto, como que para denunciar que havia alguém naquela cama, naquele quarto. Os olhos arregalados tentavam enxergar qualquer coisa no escuro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Já estava ali tinha umas duas horas. Não conseguia dormir, não conseguia não se preocupar. Rondando o quarto, alguma coisa, logo ali. A maçaneta virando, certeza. É agora.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Agarra-se ao travesseiro, fecha os olhos com força, fica de costas pra porta. Agonia, pânico. Um grito que não sai, um tremor que não existe, uma dor que não vem. Não ouve a porta abrir. Não houve nada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sua frio. Nega-se a abrir os olhos, os mesmos pesadelos pregados nas córneas, como que estampados nas pálpebras. Impedindo o sono de chegar. Cadê a manhã que não vem, eternamente adiada?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-1711839757490761035?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/1711839757490761035/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=1711839757490761035' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/1711839757490761035'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/1711839757490761035'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2009/08/das-duas-as-quatro.html' title='Das duas às quatro'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-1435309751876287471</id><published>2009-08-10T14:31:00.003-03:00</published><updated>2009-08-10T19:37:24.203-03:00</updated><title type='text'>Feliz dia dos pais</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- É sério, filho. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Ah, qual é. Esse monte de absurdo não cola mais, pai. Já tenho 27 anos, vim aqui só pra não dizerem que sou mau filho. Como era mesmo? Bom filho a casa torna?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Mas custa me ouvir mais uma vez, então?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Tá bem, tá bem.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Como eu dizia, no meu tempo não tinha essas coisas. Essa história de correio eletrônico, holograma, férias lunares...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Sei, sei, vai dizer, de novo, que vocês assistiam os programas numa caixa de plástico com um vidro na frente...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Que não transmitia cheiro nem sabor, sim, é verdade.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Não adianta, é bobagem demais.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Internet só com fio. Quando apareceu a sem fio, era restrito a espaços pequenos, normalmente em shoppings.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Sei, e vocês usavam um treco DESSE TAMANHO que chamavam de laptop, né.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- E as maiores caixas de e-mail – que sim, ainda existia – eram de 2 gigas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Nonsense, pai. Tudo uma pantomima.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- As gírias eram mais simples, também. Balela, por exemplo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-ansi-language:EN-US"&gt;- Last week, também, né. &lt;/span&gt;Last week é bem ultrapast, hein.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- É, naquele tempo não existiam unicórnios, dodôs, dinossauros de verdade...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Milagres da genética, pai.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Eu sei. Comigo era na base da imaginação, da fé. Deus ainda existia, naquela época.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Hahahaha, que ridiculous!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Não era todo mundo que sabia falar inglês, também. O português era valorizado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Ainda bem que isso mudou, lol.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- É, a gente ainda ria com “Hahahaha”, mesmo. Chat na internet só via texto. Com vídeo era lento e problemático...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Que bobagem. Era só pegar um teletransportador e falar tudo a vivo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Mas isso é novidade. Você sabe que a gente ainda usava aquelas coisas cheias de botões que substituíram meu bom e velho MSN 11. Não faz nem dois anos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Right, right, você tem razão.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- A gente até fazia sexo, naquela época...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- NOSSA, que perda de tempo!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- É, e a gente nem vivia até os 120 anos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Vai dizer que ser bissexual era estranho, também?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Era, mas estava começando a ser bem aceito. Acho que essa mudança foi bem gradativa, se você pensar...&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Sei.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Epidemias eram comuns. Aparecia um vírus e as pessoas morriam de medo. Morreram milhões graças a AIDS.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Estudei isso na escola, pai.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Eu usava cadernos de papel, na escola. Escrevia com canetas. À mão.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Oh shit.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- E ainda existia mata atlântica e cerrado pra contar história e o número de animais em extinção era bem maior.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Viu só, melhoramos muito nesse aspecto.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Sim, claro, se você considerar “Zoológico” como fauna.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Ah, essa nostalgia é sem motivo, pai. Estamos muito melhores, mais conscientes, mais interessantes, mais responsáveis, mais inteligentes...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- E morrendo de calor com 3°C a mais.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Vai dizer que calotas polares existiram e derreteram e que existe uma cidade perdida sob o mar chamada Santos?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Não filho, não peço pra você acreditar em pantomimas.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-1435309751876287471?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/1435309751876287471/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=1435309751876287471' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/1435309751876287471'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/1435309751876287471'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2009/08/feliz-dia-dos-pais.html' title='Feliz dia dos pais'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-2111025797745399851</id><published>2009-08-04T18:22:00.002-03:00</published><updated>2009-08-04T18:53:58.481-03:00</updated><title type='text'>A título de pesquisa</title><content type='html'>- Não! Não volte mais aqui. Pelo amor de Deus, não.&lt;div&gt;E bateu o telefone com força no gancho.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os lábios tremendo, suspirou um pouco, sentiu o rosto quente, corado talvez.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Passara três semanas inquieto com os olhares dos vizinhos do prédio, tanto os do mesmo andar quando os de cima e os de baixo. Sorria inocente para eles, que lhes devolviam um sorriso cúmplice. E aí ele não entendia o porquê de toda a simpatia por parte deles. Alguns vinham mesmo lhe perguntar se estava tudo bem, durante a semana, e quando dizia que sim, eles lhe sorriam o mesmo sorriso e, meneando com a cabeça afirmavam "Que bom, que bom".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E isso começara desde que trouxera sua melhor amiga pro seu apartamento novo. Não eram mais melhores amigos, de fato. Ele não sabia bem como chamar aquilo, mas amizade pura e simplesmente que não podia ser. Normalmente não comemos nossos amigos, certo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Era uma loucura. Nunca tinha feito sexo como fazia com ela. Desde que começaram a transar, ele sentia que finalmente o que é que "sexo" queria dizer. Há duas semanas sentia-se finalmente sexualmente ativo, parecia que tinha perdido a virgindade de novo. E olha que a sua primeira vez não tinha sido nada mal.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eles vinham se encontrando regularmente. Toda sexta à noite, os dois viravam a casa pelo avesso nas mais diversas posições sobre as mais diversas superfícies. Talvez ela fosse uma louca tarada ninfomaníaca, mas ele parecia não ligar muito. Já quebraram quatro copos e um vaso, desde que tudo começou. No domingo ela ia embora, satisfeita e sorridente (tal qual ele), dona de si, e deixava o edredon pelo chão, o sofá virado, as almofadas na mesa. Pra ele arrumar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E ele arrumava de bom grado. Depois de gemer alto por duas noites e um dia, ele arrumava tudo feliz, ouvindo música alta, normalmente ainda de cueca, no domingo mesmo. À noite estava exausto, dormia cedo e ansiava o resto da semana pela próxima festa a dois.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Foi só quando a vizinha do lado apareceu pedindo pra eles gemerem mais baixo, na segunda de manhã, que ele caiu em si sobre quão longe ia seu prazer. 15 metros de distância, pela cara dos vizinhos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Já estava cansado deles batendo em sua porta, farto de responder suas perguntas pervertidas, quando ouviu a campainha, logo depois de desligar o telefone. Abriu a porta, exasperado, e gritou pro prédio todo ouvir:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- É, ELA É MUITO BOA DE CAMA E EU ADORO QUANDO ELA ME FAZ FIO TERRA, O QUE QUE TEM?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E a moça, assustada, abaixou-se para pegar uma prancheta com alguns formulários com o título Sexualidade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- O-obrigada por colaborar com nossa pesquisa, s-senhor.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E saiu esbaforida.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-2111025797745399851?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/2111025797745399851/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=2111025797745399851' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/2111025797745399851'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/2111025797745399851'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2009/08/titulo-de-pesquisa.html' title='A título de pesquisa'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-3963562305577993385</id><published>2009-07-28T18:27:00.008-03:00</published><updated>2009-07-28T22:31:53.013-03:00</updated><title type='text'>New Perspective</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_CVp_F9gITQU/Sm98U84Iq8I/AAAAAAAAAL8/yQ2iVlPKlPU/s1600-h/rrronm,.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 189px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_CVp_F9gITQU/Sm98U84Iq8I/AAAAAAAAAL8/yQ2iVlPKlPU/s400/rrronm,.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5363642380602354626" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nem sabia bem como foi, exatamente. Quando percebeu, já tinha se passado tudo de uma vez, já era uma nova história, um novo parágrafo. Sabia por que, entendia a situação, tinha vagas lembranças, mas nada definido. Tudo que podia entender é que estava sentado, um gato estranho ali, se esfregando devagar por suas pernas, seus pêlos tocando sua pele. E essa sensação era familiar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Abaixou-se e levou as mãos entre as orelhas do felino, que ronronou agradecido. O ronrono levou um tempo para ser captado pelo cérebro, a informação parecia não se encaixar. Os dedos tocando o pelo castanho do gato, suavemente, e o semblante franzia-se numa expressão de pensamento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esse gato claro não devia estar aqui. Onde estava, afinal, aquele de pêlo preto, que pulava em seu colo e ficava horas ali, a cabeça baixa, os olhos fechados, um ronrono de verdade vindo com o carinho entre as orelhas? Tinha ido embora.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A culpa era dele, no fim. De alguma forma, assustara o pobre gatinho, que o abandonara tanto quanto ele o abandonara. Era uma separação mútua, ambos caminhavam para direções opostas, só natural. Não, nada de natural. Que isso, cadê o gato, cadê o ronrono?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O calor dos pêlos claros nos dedos foi se desfazendo. O gato estranho, que não era aquele de outro momento, e sim o que se enrolava em suas pernas, saía discretamente de perto dele. Suave, quase imperceptível, lhe dava as costas, o rabo empinado, rumando para o meio do carpete, onde se entenderia e se lamberia num banho interminável. Talvez esse gato precisasse muito de uma companhia, mas nesse momento não lhe veio isso a cabeça. Abriu a porta e, deixando-a aberta, abandonou o felino pardo. Ali, no chão, sozinho, ele parecia ainda mais indefeso que nunca quando desistiu do banho e ficou olhando a noite entrar suave pela porta. Escura, sem cor. Sem lua.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Onde fora seu dono? Nunca fora seu dono. Nem sabia quem era aquele gato. Era o gato preto que fazia diferença, que era essencial. Era o gato preto que precisava ser resgatado para, finalmente, resgatar seu dono, insconsciente de o fazer. Sabe-se lá onde estaria o felino, talvez enfiado em uma cama gostosa com um novo dono ou uma nova dona. Talvez sentado num muro olhando a brilhante lua iluminar sua pelagem negra. Talvez estivesse ocupado caçando um rato para se exibir depois com a sua presa. Talvez estivesse justamente vagando, a procura do dono, talvez mesmo sem se dar conta disso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E esse pensamento agradou o dono dos gatos, que não era dono de verdade, de ninguém.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-3963562305577993385?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/3963562305577993385/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=3963562305577993385' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/3963562305577993385'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/3963562305577993385'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2009/07/nova-perspectiva.html' title='New Perspective'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_CVp_F9gITQU/Sm98U84Iq8I/AAAAAAAAAL8/yQ2iVlPKlPU/s72-c/rrronm,.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-3964200855388545731</id><published>2009-07-22T17:36:00.002-03:00</published><updated>2009-07-22T18:23:41.172-03:00</updated><title type='text'>Muda</title><content type='html'>Percebi que a laranjeira novinha lá fora, plantada a umas três semanas, já está cheia de folhas novas, de laranjinhas surpreendentes e de vida. Já despontam uns novos galhos na plantinha, e a planta cresce de maneira assustadora, já já deve tomar todo o quintar e fazer uma sombra enorme. De muda a árvore, e eu nem vou reparar.&lt;div&gt;Aproveitei o novo layout do blog, que inclui uma ferramenta de busca que, dessa vez, funciona (experimentem! [?]), pra checar algumas palavras e ver com que freqüência elas aparecem nos meus textos. Dar uma checada no passado, ver como estão as coisas por lá. Com passagens de ida e volta, claro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A palavra "Eu", dentre as pesquisadas, é a que mais aparece. Sou um completo egocêntrico, não é? Afinal de contas, ninguém quer saber nada sobre "eu", e ainda assim insisto em escrever textos (criptografados, as vezes, mas o blog é menos inocente do que eu pensava e os incluiu também) sobre mim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Depois, temos "humano". Eu pretendia ser psicólogo, e nesses textos fazia uma belíssima análise da humanidade, das pessoas, baseando os meus argumentos em, digamos, mim. Então, dá pra somar "humano" e "eu" sem maiores problemas. São basicamente o mesmo assunto, mas de formas diferentes, apenas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Aí vem "amor". Acho que eu era um baita dum romântico se fazendo de modernista. No fim, eu sofria de tuberculose, chorava todas as mágoas e morria aos 22 anos. Uma pena, são textos até bem legais, mesmo que só eu entenda a maioria deles. São textos, em geral, feitos pra um eu do futuro que vai fuçar as coisas velhas aqui e vai pensar "puts, como eu era tapado" ou lembrar com alguma nostalgia de coisas que seria melhor ter esquecido.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Então, temos uma gama de sentimentos ruins, como "perder", "sofrer", "solidão", "desistir", "cansei" e por aí vai. Cruzes, é de uma depressão minha que eu desconhecia. Ainda bem, eu gosto de me olhar e pensar que sou otimista, que não tem nada de muito errado, que são só problemas momentâneos que logo logo passa. Esses textos são uma válvula de escape muito boa, mas em compensação são todos uma porcaria. Desaconselho a leitura, nem eu suporto eles agora, blerg.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Uma das com menos postagens (três ou quatro, se não estou louco) é a "felicidade". Parece que, quando eu quero falar dela, eu costumo não dizer a palavra propriamente dita, por que os textos tratam dela como algo distante, mas eu tenho certeza que escrevi sobre a felicidade algumas vezes aqui. Talvez não seja tão óbvio, mas ela está aqui sim, ou estava, no passado esquisito que "eu" "humano" "amava".&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-3964200855388545731?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/3964200855388545731/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=3964200855388545731' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/3964200855388545731'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/3964200855388545731'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2009/07/muda.html' title='Muda'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-2355498091552745388</id><published>2009-07-17T22:57:00.003-03:00</published><updated>2010-10-10T00:08:25.550-03:00</updated><title type='text'>Humanos biologicamente exatos</title><content type='html'>Eu nasci no dia 1º de agosto, por que era casamento dos meus pais. Com 8 meses e meio, uma cesária me fez vir ao mundo exatamente as 18h, por causa do horário do casamento dos meus pais. Eu tinha 25% de chance de ter olhos azuis e cabelos loiros, mas a probabilidade venceu. Me chamor Junior por que minha mãe tinha queda por numerologia. Até os 6 anos tenho fotos, num computador, de todas as minhas vitórias, com nomes como 189.jpg. A partir dos 6 anos entrei num colégio que começou custando R$250,00 e cresceu esse valor em progressão aritmética até atingir os absurdos R$560,00. Acordava as 6h, saia de casa as 6h15, da escola as 13h30 e tinha até as 21h pra voltar pra casa. Quando pude começar a chegar as 22h, parei de me preocupar com os números no meu boletim e decidi perder a virgindade até os 17. Tive 12 namoradas desde a 1ª, com quem fui tirar meu cpf e me tornar números, uma perfeita despersonificação o ato de fazer cpf, deixar de ser Junior para ser 404.235.387-4. Fiz 3 anos de faculdade, psicologia, e desisti do curso por que não gostava e ainda era muito novo, poderia repensar as coisas a tempo. Terminei a faculdade de Administração no ano que eu queria, com casamento marcado, salário alto, casa 257 da rua Francisco Lopes e carro ano 2009 placa CPO - 3672, sem pontos na carteira. Tive 3 filhos, 2 meninos e 1 menina, que tinham 13% de chance de terem olhos azuis, mas a probabilidade também os venceu. Trabalhei duro até alcançar a idade de anos para me aposentar, pagando contas, me preocupando com 3 boletins, sendo indagadado pela minha mulher sobre quantas vezes transavamos por semana, ou quando iriamos viajar para o Recife, com o despertador que me acordava cada vez mais cedo e com os ponteiros do relógio que corriam mais rápido do que antes. Cheguei aos 60, vi meus filhos tomando 3 caminhos diferentes, tive câncer e agora estou com meus dias contados. Morro segunda-feira, amanhã, já prepararam o funeral e consolei minha mulher e filhos. Relembramos nossos melhores momentos, como os 15 anos de Larissa, ou Gustavo ser o 1º lugar no vestibular. Agora estou lendo um livro de 400 páginas, 4 por hora pra conseguir terminar a tempo, e estou contando as linhas pra ver até onde posso levar esse texto antes que a folha acabe.&lt;div&gt;Mas, agora, está na hora dos meus 2 gramas de remédio, desculpem ter de abandonar o texto assim, quero aproveitar o pouco de humanidade que ainda me resta.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-2355498091552745388?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/2355498091552745388/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=2355498091552745388' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/2355498091552745388'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/2355498091552745388'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2009/07/humanos-biologicamente-exatos.html' title='Humanos biologicamente exatos'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-8362691007413697816</id><published>2009-07-13T12:23:00.000-03:00</published><updated>2009-07-13T12:24:29.589-03:00</updated><title type='text'>Metalinguagem</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Acho que o pior problema que um músico pode enfrentar é encontrar uma música que diga o que ele quer dizer. Digo isso não como músico, mas sim como pessoa que escreve – muita arrogância me chamar de escritor.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Baseado na experiência própria: basta eu encontrar um texto, em geral uma música, que reflita o que eu estou sentindo. Pronto, me dou por satisfeito, me bastam as palavras alheias, não preciso mais escrever uma porção de palavras parar parir no papel o sentimento. Ele já veio embrulhado e com código de barra e rótulo e conservantes e não contém glúten. Pra quê me dar ao luxo de fazer uma cópia à guisa de experimentação? São as mesmas opiniões, talvez só a embalagem diferente, até o preço é igual: grátis.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Lá se vai um texto pelo ralo e surge o chamado lapso criativo. Na verdade minha criatividade continua bem, obrigado, eu só não vejo motivos para usá-la quando meu texto já está pronto e eu nem tive de pegar na caneta ou escolher as palavras pra isso. Prefiro chamar de preguiça literária à falta de criatividade, acho que faz bem pra auto-estima.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Se me satisfaço com sentimentos prontos desse varejo interminável de idéias dos outros com que rego meu mundo, minha concepção da realidade, é por que sei me calar. Sei que não é preciso minha voz soar como um gravador da idéia que eu posso cantar ou ler sem dar-lhe roupa nova, sem pôr-me nela quando nela já há muito eu. Sei que não há necessidade de repetir a já dita sensação, sei que alguém já experimentou o que eu sinto. Nessa cumplicidade com gente que eu não conheço, vejo que não sou o único, que não preciso dar forma à uma sensação já catalogada, que eu posso simplesmente retirá-la da prateleira, colocá-la no meu carrinho e dirigir-me ao caixa. Tão meu quanto de quem escreveu.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-8362691007413697816?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/8362691007413697816/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=8362691007413697816' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/8362691007413697816'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/8362691007413697816'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2009/07/metalinguagem.html' title='Metalinguagem'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-7670327902287425560</id><published>2009-07-09T14:26:00.001-03:00</published><updated>2009-07-09T16:46:04.356-03:00</updated><title type='text'>Talvez o universo paralelo seja o cenário perfeito (ou “O que você quer ser quando crescer?”)</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Laís tinha seis anos quando a mãe a colocou no balé, decidiu arriscar na carreira de dançarina, viveu em moscou por 30 anos sozinha e morreu de depressão.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Laís tinha seis anos quando a mãe a colocou no balé, mas ela preferiu uma carreira odontológica, casou e teve três filhos, tendo que abandonar o consultório pra cuidar deles até morrer num assalto a um ônibus.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Laís tinha seis anos quando os pais se separaram e com o choque decidiu nunca se casar, seguindo uma carreira de assistente social e foi morta aos vinte e nove anos por um pai descontrolado pela guarda do filho de sete anos. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Laís tinha seis anos quando seus pais morreram num acidente de carro e ela foi morar com a tia, onde se apaixonou por seu primo e fugiu com ele para a Bahia, tendo lá formado a maior rede de fast-food acarajé do país, morrendo aos cinquenta e sete anos de enfarto do miocárdio.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Laís tinha seis anos quando decidiu ser médica para curar as doenças da mãe, sendo uma vestibulanda louca e frustrada até os vinte e cinco anos, quando sua mãe morreu antes que ela entrasse na faculdade, o que acarretou no seu suicídio.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Laís tinha quinze anos quando engravidou do vizinho pedófilo que a espancava e virou noticia nacional ao ser assassinada por ele em frente ao portão de casa, ainda grávida, a marretadas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Laís foi abandonada numa lata de lixo pelos pais logo após seu nascimento e foi encontrada quando caiu dentro do caminhão de lixo, não resistindo ao socorro e falecendo no hospital pediátrico da cidade.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Laís entrava na adolescência quando descobriu a música gótica, revoltou-se contra seus pais e os matou envenenados por não a compreenderem e a recriminarem, e seu atual paradeiro é desconhecido.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Laís gostava de jogar futebol na infância, fugiu de casa aos dezessete, aos dezoito mudou de nome para Fernanda por odiar Laís e ganhou um campeonato nacional de futsal, tornando-se treinadora aos quarenta e morrendo de velhice e cheia de artrite aos noventa e oito anos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Laís era senadora quando acordou de manhã, desacreditada, teve uma epifania e escreveu um livro sobre fazer uma revolução contra os modelos políticos partindo do próprio senado, que virou best-seller e nada mais, e foi morta supostamente pelas forças da oposição como foi amplamente divulgado nos meios de comunicação, quando na verdade um fã do seu livro percebeu que ela também era senadora e resolveu começar sua revolução por ela.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Laís era o nome da personagem que um psicopata encarnava ao estraçalhar suas vítimas, sempre mulheres, em bordeis da grande São Paulo, até ser identificado pela polícia e assumir que chamava-se mesmo Laís e que era de fato uma mulher que odiava feminilidade pelas aulas de balé traumatizantes que sua mãe a pusera aos seis anos.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-7670327902287425560?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/7670327902287425560/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=7670327902287425560' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/7670327902287425560'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/7670327902287425560'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2009/07/talvez-o-universo-paralelo-seja-o.html' title='Talvez o universo paralelo seja o cenário perfeito (ou “O que você quer ser quando crescer?”)'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-5639552816901731519</id><published>2009-07-05T13:15:00.002-03:00</published><updated>2009-07-05T13:22:52.604-03:00</updated><title type='text'>ao relógio</title><content type='html'>Mas que saco! Seu duas-caras maldito. Se faz de meu amigo pra depois me trair assim, na cara dura. Quando eu não paro de te olhar, contando cada batida do seu ponteiro de segundos, observando os números que marcam minha desgraça, meu furor, minha obrigação, minha oportunidade, você pensa que é engraçado trabalhar devagar. Me bota numa tensão que hiper-valoriza o que quer que venha depois. Admito: parece ruim, mas a espera sempre compensa.&lt;div&gt;O problema é que você deve ter crise de carência, baixa auto-estima, complexo de inferioridade, sei lá! Basta eu parar de te dar atenção pra você enlouquecer a correr, desnorteando o sentido da espera, fazendo o que eu queria que durasse uma eternidade parecer uma insconstância e irregularidade no tempo. Não, minha atenção tem de ser toda sua, não é?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É bem feito quando você nada carinhosamente me acorda de manhã, com tapas e bofetões na orelha, gritando seus impropérios repetitivos que ardem os tímpanos, e eu faço questão de te bater e derrubar no chão. Minha revanche é doce e não poderia ser mais justa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas talvez não seja culpa sua, penso. Pode ser traquinagem daquele seu parente distante, bem mais velho, que você, invejoso, tenta marcar. Tenta ser. Não se dá conta de que na verdade, a história de mais e rápido ou devagar quem controla sou eu, que, insatisfeito com o resultado, jogo a culpa em vocês.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Saiba, porém, que por maior martírio que as suas piadas sejam, seu-falso-fingido, sou masoquista e agradeço por me ajodar a valorizar os momentos em que você desembesta e corre feito um babaca, não tão raros ultimamente. Um dia eu ainda esqueço você de vez e vivo pra sempre uma vida que vai passar rapidinho.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-5639552816901731519?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/5639552816901731519/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=5639552816901731519' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/5639552816901731519'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/5639552816901731519'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2009/07/ao-relogio.html' title='ao relógio'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-1741552514232985746</id><published>2009-06-20T23:53:00.005-03:00</published><updated>2009-06-21T00:29:15.136-03:00</updated><title type='text'>Aos que nunca bocejam</title><content type='html'>Falam por aí, em ruas limpas e cidades vizinhas, que houve uma vez em que um garoto partiu numa jornada pra ver o vento. Sentir o vento ele podia sempre, mas queria um contato mais exato do que o bagunçar dos cabelos.&lt;div&gt;Na manhã úmida, o garoto preparou uma mochila cheia de coisas sem cor, perdidas entre canções que aprendera gostar a pouco, vindas dos fones de ouvido. Não contou pros pais sobre a viagem, mas muitos amigos foram privilegiados com a história.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando saiu de casa, deixando uma quebra de ritmo em sua vida planejada, viu o azul bonito do céu e os algodões fazendo as vezes de nuvens, tentando imitar formas conhecidas. Sentiu o vento passar-lhe de leve, plastificou um sorriso durável última geração e foi.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tomou um ônibus, outro, mais um. Perdido em malhas rodoviárias de asfalto preto, viu casas, prédios, grama. O céu, o tempo todo. Sempre com a janela aberta, sentindo a ventania forte compassada com o ritmo frenético da ansiedade. Não estava sozinho, mesmo a poltrona ao lado estando vazia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A espera milenar do ônibus que não chegava veio a calhar: colocou pensamentos em ordem, analisou decisões, refez os planos pra rimar com os seus. Trazia os sonhos pra somar aos seus.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Cantou baixinho aquela música verdinha, uma duas três vezes, quatro até.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Rabiscou alguma cor nos objetos descolores, mas não estava satisfeito. Um céu tão bonito, umas árvores de galhos tão distintos, e ele ali tentando em vão fazer um mundo colorido numa folha branca de papel amarrotado, justo quando mais via cor pela janela.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sentiu o ônibus parar e o coração disparar. O medo freou-lhe a garganta, a voz sumiu. E se o vento não gostasse dele? E se não fosse bom o bastante? E se ele...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;...esquecesse essas dúvidas infundadas? Quando viu o vento e sentiu-o envolvê-lo em um abraço desejoso de infinito, parou de pensar. Cérebro é coisa de gente sem cor.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E assim não viu o tempo passar. O vento tinha um cheiro que ele não identificava, que não trazia lembranças descolorantes, que não pertencia a passado incolor. Era a letra maiúscula do parágrafo seguinte.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O sorriso tinha se desplastificado e pintado uma nova coisa, que não pode chamar-se sorriso, no que desvalorizaria o que ela realmente é. Como dar nota dez pra uma prova nota onze.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não queria que o vendaval terminasse, mas despedia-se de uma vida de verdade com a promessa de pintar a sua vida de mentira e aproximá-la do vento, que parecia tão incomum quanto era. Naquela época não sabia pra onde o vento ia e não se sentia no direito de sugerir.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Apenas foi.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-1741552514232985746?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/1741552514232985746/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=1741552514232985746' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/1741552514232985746'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/1741552514232985746'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2009/06/aos-que-nunca-bocejam.html' title='Aos que nunca bocejam'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-2144016850429569042</id><published>2009-06-18T14:19:00.002-03:00</published><updated>2009-06-18T14:25:48.524-03:00</updated><title type='text'>Só xerox</title><content type='html'>Num ponto de ônibus azul sentou-se do meu lado um Rafael também azul. Quase que só azul, aliás, monocromático. Como quem não quer nada, o Rafael abriu uma bolsa marrom, pegou uma Bic esferográfica azul e traçou as seguintes palavras num papel amarrotado de um caderno estampado:&lt;div&gt;"Num ponto de ônibus azul sentou-se do meu lado um Rafael também azul. Quase que só azul, aliás, monocromático. Como quem não quer nada, o Rafael abriu uma bolsa marrom, pegou uma Bic esferográfica azul e traçou as seguintes palavras num papel amarrotado de um caderno estampado:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;'Num ponto de ônibus azul sentou-se do meu lado um Rafael também azul. Quase que só azul, aliás, monocromático. Como quem não quer nada, o Rafael abriu uma bolsa marrom, pegou uma Bic esferográfica azul e traçou as seguintes palavras num papel amarrotado de um caderno estampado:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;(...)'"&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O ônibus não veio.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-2144016850429569042?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/2144016850429569042/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=2144016850429569042' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/2144016850429569042'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/2144016850429569042'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2009/06/so-xerox.html' title='Só xerox'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-3976381695725413423</id><published>2009-06-12T01:02:00.004-03:00</published><updated>2009-06-12T01:06:23.865-03:00</updated><title type='text'>C O R</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;N                                       Ã                                            O&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;E                                       R                                            A&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;M                                      A                                            S&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;S                                       E                                            R&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;N                                      Ã                                            O&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;S                                       O                                            A&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;T                                      Ã                                            O&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;M                                     A                                            U&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;.                                         .                                              .&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-3976381695725413423?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/3976381695725413423/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=3976381695725413423' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/3976381695725413423'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/3976381695725413423'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2009/06/c-o-r.html' title='C O R'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-6825977018374212802</id><published>2009-05-27T15:05:00.002-03:00</published><updated>2009-05-27T15:25:32.592-03:00</updated><title type='text'>Sobre satisfação conjugal</title><content type='html'>Quando Rebeca chamou toda a família para um jantar no restaurante mais caro do centro, ninguém imaginava que ficariam surpresos por estarem parcialmente certos em acreditar que ela pediria alguém em noivado.&lt;div&gt;Rebeca anunciou calmamente seu bissexualismo, o que bastou para horrorizar parentes mais próximos . Anunciou então que ia se noivar naquela noite e, quando os mais liberais indagaram o paradeiro do noivo de sexo indefinido, ela afirmou "Sou eu." e, depois de uma pausa, disse sorridente: "Vou noivar comigo mesma".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Aí todos encararam a situação como uma ótima piada que só podia vir do senso de humor da bem sucedida publicitária da família, que com suas sacadas geniais rendeu enormes lucros à Kibon, à Volkswagen e a Coca-cola.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas Rebaca falava sério. Com os ânimos da família mais calmos, ela pôs-se a explicar o motico de sua paixão por si mesma, de seu narcisismo extremo. Depois de diversas decepções amorosas, com homens, mulheres, homens e mulheres, homens que tinham virado mulher, mulheres que se faziam de homens e qualquer outra combinação possível, ela tinha se deprimido tanto que pensava em cometer suicídio. Chegou mesmo a comprar uma pistola, que deve ainda estar enfiada em alguma gaveta do seu quarto, mas não teve coragem de puxar o gatilho. Redigiu uma lista de defeitos de cada um dos relacionamentos e passou a se indagar se encontraria alguém que pudesse resolver todos. Quem mais além dela? Ela sabia se vestir, gostava das músicas que ela gostava, não reclamaria para si quando visse programas até tarde, entendia suas vontades, sabia seus pratos favoritos, de que presentes gostava de ganhar, de que lugares gostava de ir, conhecia muito bem seus pontos erógenos, suas taras. Só ela podia dizer, com absoluta sinceridade, para ela um "Sei como se sente". Não precisaria conciliar horários, decidir o sabor da pizza, a cor dos móveis, memorizar datas importantes, se entender com a família do pretendente. Não teria sogra! A menos que considerasse sua própria mãe sua sogra, mas aí a sogra seria literalmente uma mãezona.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Independente dos protestos familiares, sobre o absurdo da questão, ela colocou em si mesma duas alianças, pagou o jantar e saiu pra viver a vida pré-casamento, que logo mais oficializaria.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Seis meses depois, com a festa perfeita e a parte burocrática da coisa resolvida, Rebeca marcou a data para um mês depois. Decidiu que as coisas podiam ir devagar. Só que seu professor de ioga era muito bonito e, depois de uma aula cheia de posições sensuais, eles foram fazer posições sobre uma cama, nus só eles. Assim que acabou e o professor foi curtir o momento abraçado à Rebeca, viu ela se levantar e agarrar os próprios cabelos. Abismado, viu-a gritar enfurecida: "Vadia! Você é uma biscate, Rebeca!" e dar uns tapas na própria cara. Ela correu até a cômoda ainda gritando impropérios contra si mesma e arrancou uma pistola do meio das calcinhas com cheiro de naftalina que estavam em uma gaveta. Apontou a arma para o homem que, estupefato, apenas olhou e a ouviu dizer: "Pensou que ia me trair e eu não ia saber, não é sua vagabunda?" e, mesmo vacilando um pouco, deu um tiro na cabeça do professor enquanto gritava: "Não, Rebeca! Eu posso explicar!". E aí atirou em si mesma.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-6825977018374212802?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/6825977018374212802/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=6825977018374212802' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/6825977018374212802'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/6825977018374212802'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2009/05/sobre-satisfacao-conjugal.html' title='Sobre satisfação conjugal'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-3444313041619638692</id><published>2009-05-21T16:14:00.003-03:00</published><updated>2009-05-21T16:41:38.937-03:00</updated><title type='text'>Reflexão do estado atual</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uai, tava na hora de um texto falando de mim e da minha mudança pra Minas Gerais!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quase seis meses depois da fatídica mudança de estado, eu digo que acho Uberlândia a mesma porcaria que Diadema. É cheio de gente mal encarada, cheia de ônibus velhos, cheia de lugares longes, cheio de parentes que eu não costumo ver, cheio de gente feia e cheio de gente bonita. É uma cidade, igual a outra. Mesma coisa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Minha casa aqui é melhor. Não tem um montão de degraus pra subir, eu tenho dois quartos, a minha sala é bem mais bonita. Dois banheiros, pra ninguém brigar. Sair da garagem com o carro é uma delícia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A faculdade daqui é fácil de passar e não exige muito. É cheio de universitários e repúblicas, então tem muita gente da minha idade pra eu ficar paquerando, o que faz das viagens nos ônibus velhos algo mais divertido. Continuo arranjando briga com professores, odiando algumas pessoas, sou o mesmo cara, só que menos tagarela.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O principal problema daqui é o fato de que eu não consigo ser sociável e, portanto, não fiz amigos, pelo menos não ainda. As pessoas do meu cursinho são todas aquelas pessoas cheias de dinheiro que empinam o nariz e limpam a bunda em notas de cem. Me dá asco só de pensar em conversar com algum deles. Os meus vizinhos se trancam em casas com muros enormes e dificilmente se vêem, então eles praticamente nem existem. O mais longe que eu cheguei numa conversa com um estranho, aqui, foi numa entrevista de emprego, que por sinal eu não fui contratado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Minhas amizades, todas elas, são online. Mesmo as que eram offline se tornaram online, então meu tempo no computador é destinado basicamente a elas. Triste entrar no messenger e não ver ninguém online. Me sinto ainda mais sozinho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No cursinho é onde eu realmente fico mal com essas coisas. É difícil chegar de bom humor em casa, depois de passar cinco horas numa sala com pessoas que nunca se deram ao trabalho de falar comigo de verdade. Ficar só prestando atenção no professor é super legal (nas matérias que eu gosto), mas não é o bastante.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E eu vejo que as pessoas tem mais o que fazer do que ficar me esperando num comunicador online. O povo tem sumido, entrado cada vez menos (eu também), e quando entram a chance de eu estar num mal-humor de matar é grande. Aí eu digo o que não quero, penso o que não devia, imagino idiotices e me torno super egoísta. Um monstro. Sozinho, eu quero que as pessoas vivam não só pra elas, pra mim também. No momento parece super certo e lógico, mas basta desligar o computador pra eu ver que é egoísmo e bater a culpa. Me frustra não saber viver sozinho, já que eu já vivi assim e não parecia tão ruim. Ou parecia?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meus laços familiares, de alguma forma, ficaram um pouco melhores. A gente briga, se desentende, do mesmo jeito de sempre. Mas agora todos entendem uma brincadeira, não se comovem com uma bobagem, não brigam por um prato sujo. A gente está se aceitando melhor, e eu gosto disso, aqui. Acho que eles percebem que são tudo o que restou da minha "vida social". Ou só fazem o que famílias deviam fazer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fico decidido e me atrapalho a toda hora. Até mês passado ia prestar letras na UFU. Agora é Teatro e, se não passar na prova prática, vou de psicologia. Meus planso mudam o tempo todo, eu não consigo nem ter uma base certa do que fazer. As vezes eu só me deixo seguir, sem pensar em quem eu sou e quem eu vou ser.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Emagreci três quilos, e isso fez bem pra minha auto-estima. Meu cabelo anda me agradando, também, a cabeleireira daqui é bem melhor que a de Diadema.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meu senso de responsabilidade caiu muito. Antes eu era capaz de seguir minhas próprias metas, mesmo que precisasse me utilizar de artimanhas pro processo. Agora eu só consigo ver que está dando errado e não arranjo motivos pra mudar. Fico na mesma.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aprendi muita coisa desde que vim pra cá. Esqueci de muita coisa, também. Acho que é só questão de me adaptar, de trocar de máscara, já que a massa disforme atrás do disfarce nunca aparece de verdade.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-3444313041619638692?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/3444313041619638692/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=3444313041619638692' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/3444313041619638692'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/3444313041619638692'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2009/05/reflexao-do-estado-atual.html' title='Reflexão do estado atual'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-7107628450317689819</id><published>2009-05-17T21:08:00.002-03:00</published><updated>2009-05-17T21:23:55.676-03:00</updated><title type='text'>Na segunda temporada de Rafael Gets Independent, aprendi que:</title><content type='html'>- Três semanas é um tempo muito maior do que parece;&lt;div&gt;- Varrer a casa e passar o pano é recompensador;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- As roupas encolhem de verdade, não é ficção;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- O despertador faz questão de não te acordar quando você mais precisa;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- A televisão é uma ótima companhia para noites silênciosas;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- A sua comida acaba muito rápido;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Coisas usadas são mais baratas e sempre é possível achar algo em bom estado;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Dá muita pena quando seus cachorros começam a ganir de fome;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- O carteiro passa em dias específicos;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Lavar o banheiro é muito chato;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- As moedinhas do troco salvam vidas;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ler no ponto de ônibus significa perder o transporte pra casa;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Galinhas berram muito quando estão pra morrer;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Se secar com uma toalha molhada depois de um banho quente é pedir pra morrer de frio;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Toda casa deveria ter um aparelho de som no banheiro, para banhos se tornarem mais musicais;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- A música estimula na hora de limpar a casa como ninguém;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Comprar pizza de ônibus é burrice;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Revistas são pura enganação e nunca atendem as suas espectativas;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Arranjar um emprego que bata com seus horários é um saco;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- As pessoas não ligam pra você, a vida delas é muito mais importante, então se vire e coma o que tiver;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Miojo cru em excesso dá mesmo dor de barriga;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Bolachas de água e sal com toddy em pó são um alimento saboroso;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Deixar o arror fora da geladeira significa fungos;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Esquecer o pote de açucar aberto significa que você jamais vai conseguir tirar as formigas de lá;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Quando o privada entope o melhor a se fazer é parar de dar descarga;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Larvas aparecem se você não levar o lixo pra fora;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Noites de ventania dão medo;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- O chão da cozinha daqui não é tão frio;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Você é capaz de se virar com o que tem pra comer em casa, sempre. Pintou a fome, você come o que aparecer;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Acender isqueiro;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Acender fogão com o isqueiro;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Esquecer o hamburguer na frigideira significa que ele se tornará cada vez menor;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Hamburguer tem muita gordura;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- O Microondas frita salsichas, mesmo sem óleo;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-7107628450317689819?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/7107628450317689819/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=7107628450317689819' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/7107628450317689819'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/7107628450317689819'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2009/05/na-segunda-temporada-de-rafael-gets.html' title='Na segunda temporada de Rafael Gets Independent, aprendi que:'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-5717884767211284555</id><published>2009-05-13T23:41:00.006-03:00</published><updated>2009-05-14T14:57:36.026-03:00</updated><title type='text'>Anfíbio x 10²³</title><content type='html'>Para muitos, Marcelo era o ás da mentira, tanto é que "Marcelo" era apenas um dos muitos nomes que o rapaz tinha. Também conhecido por Lucas, Antônio, Fernando, Gabriel, Rafael, Cristóvão, Renato, Bruno, Vitor, Pedro, Patricio, Rômulo, Danilo, Daniel e, em alguns momentos mais mórbidos indiferentes à este relato, Regina.&lt;div&gt;Marcelo (ou o nome que preferir) era órfão. Seus pais, segundo o diretor do orfanato, morreram num acidente de trem. Segundo uma professora, eles o abandonaram numa lixeira. Uma amiguinha dele testemunhou que na verdade ele se perdeu num grande parque de diversões. O zelador do prédio que ele morava até semana passada afirma que ele fugiu de casa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Atualmente tem vinte e três anos, segundo uma de suas muitas identidades encontradas em sua carteira, pega por acaso. Não é mais o ás da mentira, por que entrou em coma. Se voltará a ser ou não, basta esperar que ele acorde, mas por enquanto ele não é. Trabalha com publicidade, segundo o vizinho. Uma irmã-de-consideração saída de algum lugar da árvore genealógica ilógica afirma que nunca viu ator melhor. O padeiro diz que ele chora o preço dos pães sempre, dizendo que ser professor de matemática é muito difícil e não dá grana. O dono do bar da esquina diz que ele toma um porre todo sábado por que está desempregado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Segundo Larissa, sua namorada, Lucas (para nós, Marcelo) está sempre de bom humor e adora fazê-la rir. Já para Sabrina, sua namorada, Rogério (ou Marcelo) é o típico cafajeste que é muito bom de cama e que não liga no dia seguinte - que por sinal ela adora. Vanessa, sua namorada, diz que nunca viu Anderson (no caso, Marcelo) feliz, que ele sempre chora pelos cantos sobre como ela é boa demais pra ele e ele não a merece, e ela comovida por pena nunca pensou em acabar o namoro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Marcelo entrou em coma quando bateu um Twingo verde-limão num poste na Paulista, ao meio-dia da quinta-feira da semana passada, 14 de Maio de 2009, como foi amplamente divulgado pelos jornais, revistas e meios de comunicação sensacionalistas. Sua identidade é um mistério, e apesar de todas as vidas que Marcelo levava, numa harmonia invejável para alguém com pelo menos 315 nomes diferentes (segundo estimativa), ele não passa agora de mais do que um ponto de interrogação estirado nessa cama do Hospital Albert Einstein, uma pessoa sem cara e sem história.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Resta saber qual vida ele seguirá, já que agora todas as suas mentiras foram reveladas (mesmo que não se conheça a verdade), quando acordar do coma e descobrir que já não é mais Marcelo, Renato, Guilherme ou o nome que quiser.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-5717884767211284555?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/5717884767211284555/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=5717884767211284555' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/5717884767211284555'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/5717884767211284555'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2009/05/anfibio-x-10.html' title='Anfíbio x 10²³'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-3083247829991830754</id><published>2009-05-09T01:40:00.005-03:00</published><updated>2009-05-09T02:11:14.466-03:00</updated><title type='text'>÷</title><content type='html'>Quem aqui é idiota o bastante de ir comprar pizza de ônibus?&lt;div&gt;Bem, eu sou.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Voltando do meu cursinho, morrendo de fome, andei uns bons vinte quarteirões gastando as calorias do meu jantar, seguindo em direção à única pizzaria barata e boa de Uberlândia - todas as outras ou são boas ou são baratas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Cheguei lá, pedi uma pizza de frango com catupiry, paguei 8,90 (uma merreca!) e aguardei. Estava com medo de perder meu ônibus, que passava na mesma rua da pizzaria, enquanto ela assava. Mas meu ônibus demora MUITO, algo como uns trinta minutos, então a pizza ficou pronta e eu, carregando ela na mão, rumei para o ponto de ônibus vazio.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sentei e esperei uns cinco minutos, lá vinha o 127 - Jd. Patrícia. Praticamente vazio, como sempre, em especial nas sextas-feiras frias. Entrei e percebi que todos me olharam com aquele trambolho redondo na mão. Morri de vergonha, confesso, mas paguei a passagem e sentei no banco mais perto da porta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Aí fiquei imaginando como eu era um idiota de entrar num ônibus com uma pizza, como todas as pessoas (que eram só eu e mais cinco, diga-se de passagem) deviam estar me olhando e comentando sobre meu ato anormal e, então, comecei a sentir o cheiro da pizza, suave, entrar pela minha narina. Meu estômago roncou e minha boca se encheu de água.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Claro que abri a pizza e peguei um pedaço.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas aí fiquei encabulado. Estava pertinho do cobrador, sem ninguém entre nós, então levantei a bandeja em sua direção, num sinal que dizia "Aceita?", mesmo eu estando com a boca cheia. Achei que ele não fosse aceitar, mas ele esticou a mão, o que dizia claramente "Sim, eu quero". Então larguei a bolsa no banco e aproximei a bandeja dele, que pegou um pedaço.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Agora que eu tinha começado a coisa, tinha de oferecer pelo menos para o motorista, também.  Fui até a catraca, me estiquei e falei, segurando o meu pedaço em uma mão e a bandeja na mão esticada: "Motorista, pega um pedaço aqui.". Ele a princípio não me deu ouvidos, mas bastou parar num semáforo para rapidamente virar e, sorridente, aceitar minha oferta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Virei, para sentar novamente no banco, e vi que tinha mais cinco pessoas no ônibus, e que tinha mais cinco pedaços de pizza. Achei que era o lógico e, por algum motivo que eu não conheço, saí distribuindo meu jantar. As pessoas pegavam os pedaços, agradeciam e comiam alegres.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; Ninguém conversou, o ônibus permaneceu no mesmo silêncio que estava.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas eu me senti bem. Tudo bem, não exatamente alimentado, mas estava satisfeito. As pessoas que pouco antes tinham me olhado com desaprovação e desdém tinham sorrido pra mim, agradecidas, e me aceito como pessoa. Por um mísero pedaço de pizza.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Fui o último a descer. Motorista e cobrador me agradeceram o lanche e eu fiquei olhando o ônibus ir embora, a barriga roncando e o sorriso bobo nos lábios.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-3083247829991830754?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/3083247829991830754/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=3083247829991830754' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/3083247829991830754'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/3083247829991830754'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2009/05/blog-post.html' title='÷'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-5556010623073705389</id><published>2009-05-01T00:21:00.004-03:00</published><updated>2009-05-01T00:46:12.226-03:00</updated><title type='text'>Satisfação garantida ou seu dinheiro de volta</title><content type='html'>Juliana era uma trintona não muito atraente que estava encalhada e ia ficar pra titia. Virgem, romântica, nunca teve um namoro que tenha durado mais do que o tempo necessário para o canalha expressar que queria comê-la - o que de fato era muito rápido.&lt;div&gt;Andando apressada pelo centro de São Paulo e pensando nessas desgraças de sua vida, Juliana se deparou com uma loja de prateleiras, cabides e materiais para lojas em geral. E aí ela teve uma idéia estúpida.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Entrou na loja, sem muito entusiasmo e perguntou como quem não quer nada se eles vendiam manequins. Com a resposta positiva do atendente ela preencheu um cheque e mandou entregar um exemplar no endereço X no Morumbi, onde se localizava sua residência.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Foi embora e passou o dia à espera do homem de plástico que não era safado e ia lhe fazer um bem danado. Entusiasmada, resgatou roupas velhas de primos e parentes que as tinham esquecido em seu domicilio sabe Deus porque e compôs o modelito do seu grande amor: uma calça jeans surrada, um cinto preto, uma camisa social cinza claro e um par de havaianas 42 que não entrariam nos pés do manequim por ele não possuir dedos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Reservando as peças, sentou-se no sofá e passou a roer cada uma das unhas, pensando em como ele estava demorando e lembrando-se da biscate sem roupa (e com peitos muito pequenos, ela fez questão de lembrar) que tinha visto ao lado dele na loja quando o vendedor &lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;os apresentou&lt;/span&gt;. Passou-lhe pela cabeça que talvez os dois fossem amantes e isso a deixou zangada, mas logo abriu um sorriso pensando que desmancharia o caso de amor dos dois e que agora ela era a nova dona dele.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ouviu então a campainha tocar e correu desesperada para atendê-la. Nem olhou para a cara do entregador, agarrou a caixa que ele trazia, murmurou um obrigado e entrou extasiada, carregando seu amor nos braços. Colocou a caixa no centro da sala e abriu-a vigorosamente. Mas ao observar o conteúdo, parou. Ele estava desmontado, aos pedaços, e isso fez com que ela imaginasse um esquatejamento e sentisse asco do cadável de seu amor. Sentou desconsolada no sofá, chorando a morte prematura de uma história tão duradoura e linda e decidiu que jamais se apaixonaria novamente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No dia seguinte transou com o vizinho e viveu feliz pra sempre.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-5556010623073705389?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/5556010623073705389/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=5556010623073705389' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/5556010623073705389'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/5556010623073705389'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2009/05/satisfacao-garantida-ou-seu-dinheiro-de.html' title='Satisfação garantida ou seu dinheiro de volta'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-8962561031634517555</id><published>2009-04-26T00:48:00.001-03:00</published><updated>2009-04-26T00:53:56.647-03:00</updated><title type='text'>Três minutos volta ao mundo</title><content type='html'>Sentado num Volkswagen&lt;div&gt;Ouvindo La Vie en Rose&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No meu rádio made in china&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Comendo nhoque&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tomando coca-cola&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Num país tropical&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sou o mundo inteiro&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sou quem eu quiser&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-8962561031634517555?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/8962561031634517555/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=8962561031634517555' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/8962561031634517555'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/8962561031634517555'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2009/04/tres-minutos-volta-ao-mundo.html' title='Três minutos volta ao mundo'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-8318835512244776109</id><published>2009-04-21T21:21:00.004-03:00</published><updated>2009-04-21T21:39:29.400-03:00</updated><title type='text'>Querido diário</title><content type='html'>&lt;img src="http://www.blogger.com/img/blank.gif" alt="Alinhar à esquerda" border="0" class="gl_align_left" /&gt;Hoje acordei magro. Magérrimo de dar dó, diria minha mãe. Pra mim, tava na medida: tinha perdido, sei lá, uns vinte quilos durante a noite e isso fez com que eu olhasse muito bem para mim no espelho e me sentisse bonito. Me aceitei, sorri pra mim mesmo como um homem realizado e fui ao banheiro. &lt;div&gt;Sob o chuveiro, percebi como estava esguio e me senti extremamente sensual. Não havia gordura sobrando, estrias, nada disso. Achei que podia conquistar quem eu quisesse. Mais até: o que eu quisesse. Hoje, se eu quisesse ser dono do título de homem mais bonito do mundo, eu conseguiria e não seria muito complicado. Hoje eu podia assaltar um banco e ainda sair ileso tudo com um sorriso e um charme pra cima da policial.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Com esse tipo de pensamento, me sequei e percebi como a toalha percorria bem meu corpo, que estava praticamente refeito. Andei, suave, pelo corredor, pisando o chão frio, e entrei novamente no meu quarto. Abri o guarda-roupas e escolhi uma calça qualquer entre as muitas que eu tinha. Coloquei-a e, assim que a soltei, ela caiu frouxa pelas minhas pernas. Coloquei um cinto e ela parou lá, cheia de dobras e frizos, mas parou presa na minha cintura. Estava extremamente larga nas coxas e eu quase não a sentia tocando minha pele. Muito esquisito, nada bonito, mas definitivamente era tudo que eu tinha. A camiseta, das menores e mais apertadas, também não ficou lá essas coisas: sobrou em todos os lados, me senti usando uma blusa de adulto num corpo de criança. Triste.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Então decidi que ia comprar roupas novas, pra me adequar à situação nova, de magro. Mas assim que saí, atraí muito olhares, e homens e mulheres começaram a me encarar, cobiçosos. Mesmo naquela roupa ridícula, eu era um deus. Magro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Então tentei disfarçar, andei meio desengonçado, mas isso tornou o meu caminhar ainda mais sexy e, quando eu ouvi um gritinho de uma mulher próxima, senti-a me agarrando e percebi uma outra língua dentro da minha boca. Juntaram-se a ela mais algumas extremistas e eu senti-me todo apalpado. Dedos percorreram locais até então intocados do meu corpo e eu senti arrepios. Me esquivei, utilizando-me de minha nova condição, e escapuli em meio aos braços e mãos. Corri em disparada até um beco e me enfiei lá. Era bem apertado e ninguém que não fosse magro poderia me perseguir.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Decidi que a coisa estava um pouco exagerada. Tudo bem, eu estava realmente bonito, especialmente magro, mas não era motivo para ser atacado por mulheres, homens e seres de sexo indefinido. Não. Isso era tudo um sonho muito bom que estava rapidamente virando um pesadelo muito ruim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Decidi que ia voltar pra casa, deitar na minha cama e esperar o tempo passar. Um dia a sociedade estaria pronta pra mim, seria capaz de me olhar não como o homem mais lindo e perfeitamente magro da face da terra, mas sim como um cara legal e extremamente bonito e belissimamente magro. Demorasse quanto fosse, um dia eu seria capaz de sair às ruas e não me tornar uma celebridade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Me esgueirando pelas sombras, alcancei o portão de casa. Entrei, liguei a tv e resolvi passar alguns minutos assistindo. Eu tinha virado notícia: algum cinegrafista preparado arrancara uma câmera de algum lugar inóspito e tinha filmado meu delicioso caminhar e vendido em poucas horas para uma empresa televisiva, que anunciava uma matéria completa para o jornal da noite sobre o homem mais lindo e grandiosamente magro que a face da Terra já viu.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Então eu decidi que ia escrever um diário, a partir de hoje, deste fatídico dia. E cá estou, assistindo a mim mesmo resplandecer na televisão por mais de cinco horas enquanto escrevo nessas folhas de papel a minha frustração sobre como sou infeliz por ser tão incrivel. Sobre como eu sou perfeito.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;~~~&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Querido diário,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Hoje acordei gordo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-8318835512244776109?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/8318835512244776109/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=8318835512244776109' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/8318835512244776109'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/8318835512244776109'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2009/04/querido-diario.html' title='Querido diário'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-2006879692053223753</id><published>2009-04-10T19:16:00.003-03:00</published><updated>2009-04-10T19:59:21.423-03:00</updated><title type='text'>Feliz incapacidade.</title><content type='html'>Parado no ponto de ônibus, esperando indefinidamente pelo veículo que me levaria pra casa, arranquei o caderno de dentro da bolsa e, tirando uma caneta de um dos bolsos menores da mochila, passei a rascunhar um texto. Estava de fones, ouvindo alguma coisa bonitinha, e estava subitamente inspirado - talvez fosse o tédio, mas eu prefiro acreditar que estava inspirado - para escrever um texto, preferencialmente sobre amor. Algo como alguém dar carona pra alguém e aí rolar um clima, não sei muito bem, não lembro. Acho que eu já devia ter uma ótima idéia pro final, por que eu considerei diversas possibilidades de escrever esse conto. &lt;div&gt;Uma das versões trazia duas pessoas, ainda de sexo indefinido, provavelmente um homem e uma mulher, quando a mulher daria carona para ele e, então, depois de alguma conversa significativa, os dois veriam um clima e aí pá. Mas não rolava. Num carro, as pessoas estão sempre muito distantes, a menos que façam algum esforço para ficarem juntas, e estão sempre fazendo coisas diferentes: uma dirigindo, a outra nada de interessante. São dois bancos, e a situação mais separava do que juntava os pretendentes ainda indefinidos. Descartei.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Aí superei a falta de proximidade colocando os dois - fossem &lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;eles&lt;/span&gt; quem fossem - numa moto. Imaginei a moça agarrada ao homem, os dois de capacete, todo aquele contato de corpos, era quase uma cena erótica. O clima estava quase lá, mas motos são muito rápidas, o som do vento nos ouvidos atrapalha muito um diálogo, quase impossível falar de amor em cima de uma motocicleta em movimento que não esteja numa velocidade muito abaixo da máxima permitida. Além do que, eu não tenho prática nenhuma com erotismo, não me acho capaz de escrever algo do gênero, pelo menos não ainda. Descartei também.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pensei então em, ao invés de uma carona, um oferecer ao outro a companhia, os dois indo a pé. Andando pelas ruas escuras de uma cidade impessoal, cinzenta, me parecia que eles eram o único pedaço de amor visível na cena, e isso me agradou. Até escrevi um parágrafo, com um diálogo fajuto de amor, de companheirismo, uma coisa bem furreca. O cara e a garota eram praticamente um casal, se eles fossem pra lua de mel logo depois da cena eu acharia completamente cabível, tão melado estava o diálogo. E, pra piorar a situação, eu tinha fugido da minha própria premissa: não era mais uma carona, e isso me parecia extremamente importante, é algo como precisar do outro e o outro se propôr a ajudar. Joguei essa idéia fora, também.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Exasperado, sem conseguir escrever uma cena de companheirismo que me valesse a pena, olhei pra avenida, mais pra não olhar a folha já toda rabiscada do que pra ver se o ônibus vinha. E então passaram, numa bicicleta, dois caras. Não prestei muita atenção nas características deles, mas um vinha pedalando e trazia o outro sentado de lado no ferro entre o guidão e o banco. Os braços do que pedalava envolviam o outro num abraço involuntário, já que seguravam o guidão para guiar a bicicleta, enquanto o outro segurava no guidão apenas pra ter algum apoio. Estavam rindo muito, e pareciam extremamente felizes. Não ouvi uma palavra do que eles disseram, mesmo que não estivessem se movendo muito velozes. Nem sei se eles eram de fato homossexuais ou se eram só amigos dividindo a mesma bicicleta por conviniência.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Era a minha cena, desfilando na minha frente. Era o que eu queria, esse tempo todo, escrever, e me sentia incapaz de jogar no papel. Mesmo que eu não tivesse certeza de que havia amor ali, era esse sentimento que eu queria expressar, e eu ainda me sentia incapaz.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Por isso desisti do texto. Fechei o caderno, sorrindo como eles, e desisti de escrever algo que não pode ser escrito com a mesma propriedade de ser visto. Talvez, para que alguém visse a cena da mesma forma que eu vi, tivesse de estar num estado de espírito semelhante ao meu, e por tanto era um momento só pra mim, que só eu podia ter, sentado ali procurando por um sinal de amor que me ajudasse a escrever sobre o amor. E que, mesmo que eu tentasse, não conseguiria reproduzir. Pois o escritor é o interprete da vida, e a vida é uma língua intraduzível.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-2006879692053223753?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/2006879692053223753/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=2006879692053223753' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/2006879692053223753'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/2006879692053223753'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2009/04/feliz-incapacidade.html' title='Feliz incapacidade.'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-7140971366632637102</id><published>2009-04-06T02:34:00.001-03:00</published><updated>2009-04-06T02:35:41.505-03:00</updated><title type='text'>Frustração Colegial</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;A Gabriela era uma filha-da-puta. Ela poucas vezes fez parte da minha vida (ainda bem, ainda bem), mas quando fez me tirou do sério. Trucidá-la seria muito pouco pra satisfazer a minha irritação.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ela era uma garota baixinha – ao menos na minha visão “por alto” das coisas – que estava enfiada, cheia de motivos, no grupo das meninas populares da minha sétima e oitava séries, tal qual no primeiro ano. Aliás, ninguém dessa trupe prestava, só, talvez, a Carla, mas eu nunca tive contato o bastante com ela pra ter certeza, a não ser no trabalho sobre Criacionismo, em que ela encarnou a líder, pra concorrer justamente contra a Gabriela, já que ocorreria um debate Criacionismo VS. Evolucionismo. Nós, do Criacionismo, perdemos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Era por aí o motivo da Gabriela me irritar. Ela era uma garota muito calma, serena, suave. Simpática, talvez. E perfeccionista. Muito perfeccionista. Só que esse perfeccionismo dela não era um problema: ela fazia tudo dar certo. Ela tinha a capacidade aterradora de fazer meros trabalhos escolares virarem shows e palestras, e todos os holofotes viravam pra ela, automaticamente, quando ela começava. Ela realmente merecia todas as notas máximas, todos os aplausos, que ela aceitava modestamente, no fundo cheia de si que eu sei. Nunca, em toda a minha vida próximo dela, ela faz algum trabalho mediano. Não. Sempre o máximo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A letra perfeita, nunca havia um erro. E ela parecia estar sempre no comando, sem hesitar, sem que ninguém tivesse de colocá-la lá. Ela sabia que só daria certo se ela coordenasse, se ela cobrasse, se ela fizesse do jeito que ela queria. Ela parecia prever o futuro e saber exatamente como agir. E era uma convencida ridícula, que se achava gostosa mesmo sendo baixinha e gordinha. Mas a cretina tinha “classe”, ela sabia como se vestir, como &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;parecer&lt;/i&gt; gostosa. Uma vaca completa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;As pessoas, como eu, que são cheias de defeito, tendem a se dar melhor com quem tem muitos defeitos também. Por isso, Gabriela NUNCA voltará a fazer parte da minha vida. Se um dia eu souber que ela está perto de mim, de qualquer forma que seja, fujo disparado pra não ter de conviver com alguém assim. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-7140971366632637102?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/7140971366632637102/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=7140971366632637102' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/7140971366632637102'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/7140971366632637102'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2009/04/frustracao-colegial.html' title='Frustração Colegial'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-1996637664075027487</id><published>2009-04-04T00:12:00.003-03:00</published><updated>2009-04-04T00:30:08.849-03:00</updated><title type='text'>Haikai Mal-feito</title><content type='html'>A dignidade de se andar, devagar, calmamente, sem pressa por uma chuva torrencial enquanto todos correm desesperados para baixo de coberturas é algo que poucas pessoas um dia serão capazes de experimentar. A água a escorrer de seu rosto, pingar de seus dedos, molhar o seu cabelo enquanto você mesmo parece se esvair junto com ela, enfim livre dessa matéria que chamam de corpo. Enfim parte do mundo.&lt;div&gt;O frio da camiseta molhada é apenas o frio, o arrepio da água nos braços é apenas o arrepio. Não há mais roupa, não há mais braços. Há apenas a água espetacularmente simples a molhar. Há apenas líquido. Você é a chuva.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Enquanto a melodia de ruídos acontece, você é o silêncio. O pingar mínimo de uma gota numa vastidão de sons. Trata-se apenas de sentir o que você nunca é de verdade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Aí, chegar molhado (e somente você nesse estado) ao seu destino torna você o único pateta a não ter um guarda-chuva.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O único pateta que pode sorrir para os espertos que se esquivam da chuva. Da gloriosa chuva.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-1996637664075027487?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/1996637664075027487/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=1996637664075027487' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/1996637664075027487'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/1996637664075027487'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2009/04/haikai-mal-feito.html' title='Haikai Mal-feito'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-6928734022808653631</id><published>2009-03-25T18:03:00.002-03:00</published><updated>2009-03-25T18:17:05.959-03:00</updated><title type='text'>Quem precisa de razão?</title><content type='html'>Encucado com as luzes da rua terem se apagado, o pai de família foi lá pra fora checar o que estava acontecendo. Tinha ouvido uma ventania súbita e era aparentemente o único acordado na casa. Estava insone, precisava arranjar um motivo para levantar e  sair andando. Nada melhor que muito vento e pouca luz.&lt;div&gt;Na porta de entrada, percebeu que o silêncio era absoluto. Não havia grilos, não havia carros, não havia conversas, não havia nada. Parecia que ele tinha ficado surdo, sem motivo. Chegou mesmo a enfiar os dedos nos ouvidos, e, pra checar a existência de som, estalou os dedos. Ele continuava a ouvir, mas o barulho dos dedos pareceu muito alto naquela falta de som.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pôs a mão na maçaneta e abriu a porta, devagar, cauteloso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Lá estava o gigantesco disco voador, branco. Ele fitou a nave pousada na rua por alguns instantes, perplexo e, numa briga muito grande com seu cérebro, conteve um palavrão baixo. Largou a maçaneta e deu dois passos pra trás. Tudo parecia muito lento, ele não tinha certeza do que acontecia, se estava seguro, o que importava. Seu mundo inteiro e a sua compreensão dele haviam desaparecido. Quando finalmente deu as costas à porta, à rua, à nave, seguiu em direção à cozinha, os passos controlados. Abriu uma gaveta, pegou uma faca de cortar pão, que pareceria a qualquer um completamente inútil naquela situação. Não para ele.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Foi até o telefone, discou silenciosamente um número e sussurou no bucal:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Há um homem na rua Humberto Gonçales, casa número 137, que vai se suicidar. É bom correr.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Satisfeito, desligou o telefone e voltou até a porta da frente. Ele tinha chamado a polícia de maneira eficaz - "Tem um disco-voador na porta da minha casa!" não era uma frase cheia de credibilidade -, deixara, com isso, a situação nas mãos de pessoas responsáveis e, por fim, já tinha visto de tudo nessa vida. Estava satisfeito.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Meia hora depois, a denúncia a polícia se confirmou, e os jornais não noticiaram nenhuma espaçonave.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-6928734022808653631?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/6928734022808653631/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=6928734022808653631' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/6928734022808653631'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/6928734022808653631'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2009/03/quem-precisa-de-razao.html' title='Quem precisa de razão?'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-1397279535022124134</id><published>2009-03-19T12:34:00.002-03:00</published><updated>2009-03-19T12:39:56.693-03:00</updated><title type='text'>Só pra anotar.</title><content type='html'>Larguei as músicas felizes, deixei o otimismo pra trás, perdi a vontade, abondenei as pessoas, esqueci meus conceitos, não leio mais, acabei com o ímpeto, tirei a máscara, saboriei a verdade, me desenganei, não desconfio do que vejo, cansei, parei de agir, parei de questionar, vaguei pela Rondon, parei de chorar, desanimei.&lt;div&gt;Voltei ao normal. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-1397279535022124134?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/1397279535022124134/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=1397279535022124134' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/1397279535022124134'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/1397279535022124134'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2009/03/so-pra-anotar.html' title='Só pra anotar.'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-6381328027384273836</id><published>2009-03-13T13:42:00.002-03:00</published><updated>2009-03-13T14:17:16.108-03:00</updated><title type='text'>Tenho pena.</title><content type='html'>- É bem fácil - disse o irmão mais velho de Gustavo - Você pega a bateria, coloca na boca e vai sentir um choquesinho levinho. Não dói, juro. Se não sentir, é que ela tá descarregada. Fácil.&lt;div&gt;Demonstrou. Pegou uma bateria do pote da esquerda e colocou na boca. Retirou após alguns segundos e, segurando com o indicador e o polegar, disse:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Carregada. Vou usá-la. - e saiu do quarto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Em cima da mesa improvisada com o criado mudo e uma tábua, haviam quatro potes, dois cheios de baterias e dois vazios. Rodrigo e Gustavo tinham se proposto a ajudar o irmão mais velho de Gustavo, que ia pagar pra eles alguma merrequinha no fim. Uns cinco reais pra cada, talvez.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Começaram. Rodrigo pegou uma bateria do pote cheio da esquerda, colocou na boca, fez uma careta e a retirou, enquanto Gustavo fazia o mesmo com uma bateria do pote cheio da direita.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Dói sim. - disse, por fim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- É. - concordou o outro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E assim seguiram. Pote cheio, bateria, careta, pote vazio. Mesmo com a dorzinha suave, Gustavo estava estupidamente feliz. Conversavam entre si, entre uma bateria e outra, e estavam um ao lado do outro, rindo, se divertindo. Um ao lado do outro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;As cadeiras muito juntas, as mãos rápidas e as caretas momentâneas pareciam fazer muito bem a Gustavo. Rodrigo era seu melhor amigo, se conheciam a uns quatro ou cinco anos, estavam constantemente juntos. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Algum tempo depois, tanto o pote cheio quanto o pote vazio estavam meio-cheios - para rodrigo - ou meio-vazios - Gustavo. Foi então que gustavo acidentalmente pegou uma das últimas baterias do pote vazio de Rodrigo, sem querer e a colocou na boca. Os dois pararam. Rodrigo começou a rir.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Hahaha! Essa daí tava cheia da minha baba! - disse, tirando uma bateria da boca.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Gustavo mais que rapidamente tirou a bateria, com cara de asco, e a colocou de volta no pote de onde tinha pego. Fez uma pausa, enquanto Rodrigo pegava outra bateria do pote cheio. Então Gustavo olhou para os potes, meteu a mão no pote vazio de Rodrigo, e pegou algumas baterias, colocando-as na boca.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Rodrigo olhou pra ele com cara de quem não entendeu. Gustavo, por outro lado, não olhou pra ele. Os olhos baixos, o sangue pulsando mais rápido, um frio nas pontas dos dedos, o choque já não muito suave maltratando sua língua.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;As sombrancelhas vincadas de Rodrigo foram gradativamente se suavizando. Ele desviou o olhar para os potes, pegou do pote vazio de Gustavo algumas baterias e também as enfiou na boca. Olhou para Gustavo decidido. Surpreso, o outro encarou de volta. Ficaram se olhando por alguns segundos, tremendo, o choque ainda insistente na boca. Ao mesmo tempo, levaram ambos as mãos até os lábios, retiraram as baterias, colocaram-nas em qualquer pote que a mão alcançou e sentiram os rostos se aproximarem, a respiração do outro cada vez mais evidente, o tremor ainda zanzando por ali. Em alguns segundos estavam sentindo a respiração, o contato, sem que os olhos vissem qualquer coisa. A sensação engraçada guiou as mãos, ainda trêmulas, o cérebro quase parando de funcionar, o mundo já não existindo. O suave choque, não na boca, e sim no peito, inquieto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Mas o que é isso?! - gritou o irmão mais velho de Gustavo, e aí sim o choque doeu.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-6381328027384273836?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/6381328027384273836/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=6381328027384273836' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/6381328027384273836'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/6381328027384273836'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2009/03/tenho-pena.html' title='Tenho pena.'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-6440321365794079726</id><published>2009-03-07T01:05:00.002-03:00</published><updated>2009-03-07T01:31:50.237-03:00</updated><title type='text'>O que você sabe sobre o mundo?</title><content type='html'>Felipe Peixoto tinha problemas de socialização. Ele não gostava de sair de casa, não gostava de falar com os outros, não gostava de tirar o fone de ouvido. Mas no fundo ele queria ser um astro do Pop, um novo Prince, talvez até um Michael Jackson. Ele queria dançar, cantar, soltar a franga em geral.&lt;div&gt;Ele já era estranho, chamava a atenção, fazia coisas que a maioria das pessoas não fazia, sabia dançar até bem, tinha um inglês fluentíssimo, um vocabulário excepcional, e tinha uma voz muito boa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas ele não tinha extroversão o bastante pra isso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Das coisas estranhas que ele fazia, podemos incluir dançar pelado na frente do espelho, cantar junto com a Witney Huston em todos os graves e agudos, sentar sempre com os joelhos juntos e os pés afastados, o que dava a impressão de constante vontade de urinar, e cantar sem emitir som no ônibus, abrindo e fechando a boca conforme a música, acompanhando as palavras.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Esse último costume bastante peculiar trouxe a ele diversas situações ainda mais peculiares.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ele costumava morar em uma capital qualquer do Brasil. Sei lá, Rio de Janeiro, por exemplo. São Paulo é melhor, por que tem metrô. Ele morava em São Paulo. Quando andava de ônibus, sempre acompanhado de algum aparelho que tocasse música e seus fiéis fones de ouvido surround última geração 5.5 canais, ele sempre cantava alegre as melodias, em silêncio, mexendo a boca. Todo mundo olhava pra ele, e ele se sentia tímido mas não conseguia parar. Queria mais era cantar feliz, queria ligar o som alto e fazer todo mundo cantar com ele, mas não era exatamente persuasivo, como já explicitamos. Nunca, em todo o tempo que morou lá, ele vira alguém fazer o mesmo, ter essa mesma idéia bizarra de cantar sem som. Era a única Britney Spears silênciosa de toda a cidade, e isso deixava ele um pouco receoso, pensando que talvez aquilo fosse uma grande pagação de mico.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Até que ele envelheceu. Arranjou emprego, criou um fundo monetário bacana e comprou um apartamento na mais remota cidade do Paraná. Algo como Inácio Martins serve. Adorava o frio de lá, adorava as pessoas de lá, adorava não ter mais de andar de ônibus por que sabia dirigir. Podia cantar alto no carro e ninguém ligaria.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Em algumas semanas ele virou história na cidadezinha e ficou conhecido como "Bixona da entrada sul". Coitado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Até que um dia ele se viu obrigado a migrar até Curitiba, a negócios. Precisava comprar uns computadores novos para sua lan-house em Inácio Martins (que dava rios de dinheiro com processadores de 8bit), e ele resolveu ir de ônibus por que tinha medo das curvas fechadas das estradas. Teve de apelar para o transporte público.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Em curitiba, usou ônibus também para atravessar a cidade. E usou seu aparelho de mp3 para ignorar o mundo a sua volta: pronto. Ele era de novo a pessoa mais estranha da cidade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ou não. Dessa vez, haviam muitas pessoas com fones de ouvido. Algumas delas arregalaram os olhos pra ele, outros olharam-no com profunda veneração. Aí muitos deles começaram a cantar sem emitir som, também. Todos eles encarando o fato com a mais profunda normalidade. Menos ele.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Voltou para o hotel eufórico. Tinha encontrado a cidade perfeita? Ninguém ali o renegaria? Ele podia finalmente soltar a franga?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Seguiu-se esse tipo de cena nos dois dias seguintes. Ele estava adiando sua volta o mais que podia, e passava horas em ônibus cantando com outras pessoas, em silêncio. Se divertia. Vivia finalmente. Podia acreditar que era feliz.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Até que um dia, um homem alto, com uma camisa preta e um terno cinza chumbo aproximou-se dele e, tirando-lhe o fone do ouvido, sussurrou: "Me acompanhe.", sinalizando que tinha uma arma no bolso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Desceram os dois do ônibus. Entraram numa limusine preta, que estava parada justamente na rua paralela ao ponto de ônibus, e seguiram até uma grande mansão. Foi levado pelo homem até o topo da mansão. Entrou num aposento frio, totalmente escuro, e sentou-se na única poltrona vazia. O homem que contemplava a janela, de costas pra ele, virou-se. Usava fones de ouvido dourados. Os retirou e disse:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- De que classe você é?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Felipe não entendeu. Perguntou ao homem do que ele estava falando, e este passou a explicar-lhe que pessoas que cantavam sem voz em lugares públicos eram de uma ceita que visava um mundo melhor, onde cada pessoa seria capaz de se importar consigo e com os outros, usando fones de ouvido e não detendo a música só para si, compratilhando ela através de leitura labial. Felipe ainda estava confuso, e o homem disse que, por ele cantar com total despojamento e saber muitas letras de cor, devia ser de uma classificação muito alta dentro da seita.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Felipe sorriu, finalmente entendendo. &lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;Não, moço&lt;/span&gt;, disse ele, &lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;Eu canto por que gosto, mesmo&lt;/span&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Entendo. - disse o outro. Sacou um revolver, e deu três tiros certeiros na testa de Felipe.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Voltou-se para janela.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Inevitável, ele sabia de mais.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-6440321365794079726?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/6440321365794079726/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=6440321365794079726' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/6440321365794079726'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/6440321365794079726'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2009/03/o-que-voce-sabe-sobre-o-mundo.html' title='O que você sabe sobre o mundo?'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-5099069161769962010</id><published>2009-03-03T10:55:00.002-03:00</published><updated>2009-03-03T11:07:19.676-03:00</updated><title type='text'>Prazer.</title><content type='html'>Eu posso ser o único, mas tenho pavor de perder. Talvez, por esse pavor, eu perco constantemente, já me acostumei com o segundo lugar, já entendi que eu nunca vou ser melhor que ninguém. Por mais que eu faça e desfaça, me esforce, me proponha, nunca vou chegar à primeiro.&lt;div&gt;Tem uma porção de coisas que as pessoas costumam sonhar com. Eu, por exemplo, queria ser o melhor ator de um grupo de 20. Não consegui. Queria ser a pessoa que eu conheço que mais lê, não consegui. Queria saber fazer algo de verdade como ninguém sabe, queria escrever algo extremamente bom, queria ser o melhor amigo de alguém. Me vejo sendo gradativamente substituido, ultrapassado, contentando-me com o segundo lugar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Vejo que, aos poucos, eu perco a minha vontade, que bate um sentimento de comodismo. Se me falta garra, eu paro, fico estagnado, desisto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Vou de segundo a último.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Aí eu sou o pior filho do mundo, sou o pior aluno do mundo, sou a pior pessoa do mundo, eu mesmo me surpreendo com a minha monstruosidade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não me contento, posso perder o quanto for que eu vou ser sempre capaz de aceitar novos desafios, consciente de que, cedo ou tarde, eu vou perder.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Perdi.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-5099069161769962010?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/5099069161769962010/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=5099069161769962010' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/5099069161769962010'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/5099069161769962010'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2009/03/prazer.html' title='Prazer.'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-8745193534165035659</id><published>2009-02-27T12:53:00.002-03:00</published><updated>2009-02-27T12:59:33.222-03:00</updated><title type='text'>"Não é problema meu", já dizia Dona Eulália</title><content type='html'>- Ei, levanta aí pra senhora sentar.&lt;div&gt;- Ah, desculpa, nem vi ela entrar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E se eu não tivesse levantado? Tivesse olhado para o rapaz que me cutucou e dito:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ela é sua mãe?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Sua avó?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Tem algum parentesco com você?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Então porque se importa tanto com ela?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Pelo mesmo motivo que você devia se importar: você um dia também será velho.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Quando eu for velho ela não vai poder me dar o lugar dela pra sentar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Mas algum jovem educado o fará.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Será? Aliás, será que, quando eu for velho, já não existirá uma máquina de teletransporte e, quando meus netos me mandarem entrar nela, eu não os olhe com repugnância e diga "Eu não, isso estraga a TV" e vá, sentadinho, num ônibus vazio, pra onde quer que eles tenham ido?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Custa dar o maldito lugar?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Se não reparou, o banco preferencial de idosos é na minha frente, e tem uma menina de 16 anos sentada nele. Ela tem muito mais obrigação do que eu.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Mas ela é uma menina e você é um homem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Elas não estavam brigando pela igualdade dos sexos? Só quando convém, é?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Aí, a velha já farta de mim, desceria do ônibus e seguiria para seu destino final, fosse a quitanda ou a discoteca mais próxima.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Maldita resignação.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-8745193534165035659?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/8745193534165035659/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=8745193534165035659' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/8745193534165035659'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/8745193534165035659'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2009/02/nao-e-problema-meu-ja-dizia-dona.html' title='&quot;Não é problema meu&quot;, já dizia Dona Eulália'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-5386905814412233981</id><published>2009-02-21T22:20:00.002-03:00</published><updated>2009-02-21T22:49:12.716-03:00</updated><title type='text'>Pessoas estranhas reagindo à estranheza de outras pessoas</title><content type='html'>Baseado em fatos reais.&lt;div&gt;- - - - - - - - - - - - - - -&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Certa vez uma amiga minha, extrema fã de Britney Spears, avistou num bar próximo a escola que estudávamos um pôster da famigerada e, na época, cabeluda cantora. Tal qual uma fã louca faria, ela ignorou os carros que passavam voando pela rua e atravessou-a sem medo, os olhos brilhando e refletindo a imagem quase semi-nua da princesinha do pop. Entrou no bar, comigo na sua cola, e rapidamente pigarreou e chamou o homem atrás do balcão:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Moço?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O homem virou-se e, pensando que ela fosse pedir um refrigerante ou uma informação, respondeu:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Pois não?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Humm... o senhor poderia... me dar esse pôster da Britney?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Claro, o homem nem devia saber quem era Britney, mas o dedo da mão trêmula da garota, apontando para o pôster, esclareceu tudo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Por que você quer? Você é fã dela?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Sou.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Foi a resposta certa. A primeira de uma série delas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Então tá. - Tornou o homem. - Eu te dou o pôster se você me responder três perguntas sobre ela.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pra mim, o cara ia simplesmente tirar o pôster e entregar pra ela ou então dizer "não, não posso, minha netinha já pediu", nunca imaginei que ele fosse fazer um Quiz ali, no meio do estabelecimento, tendo como prêmio uma Brintey mais baixa do que o normal.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Senti o sangue da minha amiga gelar. Ela sabia tudo sobre britney, mas o medo de perder o pôster falou mais alto. Com um cara de dúvida e uma voz fraca, ela disse:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ok.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Primeira pergunta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Minha imaginação poderia ter voado, tranformado o cara num Silvio Santos, colocado uma porção de luzes e câmeras espalhadas pelo bar, mas não. Pra mim, era só uma adolescente esquisita sendo interrogada por um velho esquisito sobre uma cantora esquisita. Coisa que a gente vê todo dia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Qual o nome do último hit dela?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os lábios dela se encrisparam num sorriso, e eu tive certeza de que ela sabia a resposta. Eu teria chutado My Prerrogative, por causa do cd novo, mas ela estava antenada e sabia que, um dia antes, havia estreado na Mtv o clipe...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Do Somethin'.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O homem do bar sorriu de volta. Afinal, ela tinha algum potencial. Prosseguiu:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- O nome do marido atual dela?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Meu cérebro deu uma travada rápida. Seriam dois fãs loucos duelando por um pôster que valia mais do que barras de ouro, como diria o senhor Abravanel? Eu não via de onde o cara podia estar tirando essas perguntas escabrosas e me perguntei seriamente se ele também colecionava recortes de revista da cantora.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Fácil: Kevin Federline.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ela estava quase explodindo em emoção, dava pra ver. Era mais um passo só e pronto, o pôster era dela, a britney estaria pra sempre na parede do seu quarto, junto com muitas outras que ela já tinha.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Útlima pergunta. Quem as pessoas costumam dizer que ela vai suceder?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Minha amiga ficou pálida. O dia estava bem quente, acho que ela devia estar suando, mas ela imediatamente parecia ter visto um fantasma. Pra mim, era óbvio: Madonna, a rainha do pop e blábláblá. Mas se ela estava na dúvida, tinah de ter mais alguma coisa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Hum... Madonna?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Pode levar o pôster, querida. - Respondeu o atendente, e sorriu.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ela quase explodiu em alegria. Nunca vi, de verdade, alguém comemorar pulando, sorrindo e gritando "Yes". Só daquela vez.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mais tarde, no ônibus, perguntei pra ela por que ficou em dúvida sobre a Madonna, na última pergunta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ela, ajeitando o pôster entre as pernas e ajeitando o cabelo, disse:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ah, é que falam também de uma outra tiazinha lá, mas eu nunca ia lembrar o nome.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Imagino se o rapaz não sabia o nome da "tiazinha" e apenas deu o pôster pra poder ver a menina sorrir.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Gente estranha, viu.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-5386905814412233981?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/5386905814412233981/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=5386905814412233981' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/5386905814412233981'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/5386905814412233981'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2009/02/pessoas-estranhas-reagindo-estranheza.html' title='Pessoas estranhas reagindo à estranheza de outras pessoas'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-7942016808625329195</id><published>2009-02-17T15:32:00.002-03:00</published><updated>2009-02-17T15:43:54.270-03:00</updated><title type='text'>Duas semanas sozinho em casa aprendi que:</title><content type='html'>- Varrer a casa a cada três dias é extremamente necessário se você não quiser passar o resto dos dias espirrando e coçando o olho;&lt;div&gt;- Cachorros dentro de casa são ótimas companhias;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Mas também são filhos-da-puta que cagam na sua cama;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- A louça pode ser lavada a cada quatro dias sem muitos problemas;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Comer uma pizza sozinho dá azia;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Se a solidão bater, a televisão faz você esquecer;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Os vizinhos não gostam quando você ouve música à noite;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- O telefone vai SEMPRE tocar quando você quer dormir;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Esquecer de regar as plantas é um pecado: elas morrem rapidinho;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Arrumar a cama é uma bobagem, você vai dormir daqui a pouco de novo;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- A mesa da cozinha é o melhor lugar pra se escrever e fazer tarefas que envolvam um caderno;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não é legal quando o chuveiro queima e você não sabe consertar;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Feche TODAS as janelas se começar a chover. A chuva é tão volúvel que pode molhar sua cama só de brincadeira;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Tirar o pó dos móveis não é exatamente imprescindível, mas é bem útil para colaborar com o primeiro item da lista;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- As coisas são muito mais caras do que você acha que são;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Os locais são muito mais longes do que você acha que são;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Checar a correspondência todo dia devia ser algo natural, pena que não é;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Você vai ODIAR não pagar uma conta na data certa;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Fila de banco demora mais quando você tem mais coisas pra fazer;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Os hipermercados roubam seu um centavo do 8,99;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- As papelarias roubam seus dez centavos do 15,90;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Livros acumulam m u i t o  pó;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Cumprir listas de coisas a se fazer é quase impossível;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Totalmente normal esquecer de tomar os remédios, apesar de isso não ser bom;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Despertadores são a coisa mais terrível que o ser humano jamais inventou;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Nunca abra o portão de casa só de cueca;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Esqueça que a geladeira está vazia e vá comer os malditos legumes;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Fazer arroz não é tão difícil;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Fritar batatas é;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Cerveja é um nojo, mas no calor vai qualquer coisa;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- As noites frias são mais solitárias;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Pipoca de microondas faz muita sujeira;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Lasanha de microondas é muito cara;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- O maldito do lixeiro passa muito cedo;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Juntar cocôs de cachorros é um saco;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Colocar comida pra eles é algo muito difícil de se lembrar;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Depois que você deita na cama, é impossível levantar pra fazer qualquer outra coisa até terem se passado no mínimo quatro horas;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Insetos são um saco;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Olheiras saem na água quente;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Até que não foi mal.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-7942016808625329195?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/7942016808625329195/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=7942016808625329195' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/7942016808625329195'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/7942016808625329195'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2009/02/duas-semanas-sozinho-em-casa-aprendi.html' title='Duas semanas sozinho em casa aprendi que:'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-6618411078685201479</id><published>2009-02-13T00:49:00.002-02:00</published><updated>2009-02-13T01:15:34.435-02:00</updated><title type='text'>Fruteira.</title><content type='html'>Dizem que severina ia uma vez por semana a feira para cantar os feirantes. Que ela tocava com toda a sua sensualidade nos melões, acariciava lentamente as bananas, acolhia os pepinos delicadamente, quase uma prostituta das frutas. Era severina entrar na rua da feira e os gritos de "Olha a laranja, moça, baratinho!" cessavam, a tensão bloqueava a respiração de todos os homens transpirantes de testosterona que precisavam urgentemente de uma paquera descompromissada.&lt;div&gt;Não que severina fosse bonita, imagina. Ela era bem feia, pra ser franco, tanto de rosto quanto de corpo. Não atrairia olhares em parte alguma que não naquela feira. Talvez fosse esse o motivo de continuar indo até lá, exibir-se em sua passarela particular, jogando charminho para cara macho que, sendo ainda mais sincero, também não eram exemplo de beleza. O que importava era que severina era uma das atrações da feira, e, tal qual homens olhavam a miss-fruta com certa volúpia, as donas de casa conservadoras a encaravam com desprezo, abriam espaço para não ter de respirar o mesmo ar que aquela vagabunda. O efeito de tal ato - talvez até condenável - por parte das senhorinhas menos atiradas era que o caminho da feira se abria como uma romã (e melhor analogia não há) de onde saía e passava severina flertando com os feirantes.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas um dia, severina encontrou uma rival, num domingo silencioso. A feira estava meio murcha, tal qual as frutas e os legumes, e severina foi a andorinha solitária que fez verão na rua povoada de barraquinhas. Ergueu os ânimos de todos os presentes, ouviu até mais assobios do que o comum, seu ego inflou e ela tornou-se uma modelo nacional de um comercial do suco Tang. Esbanjando toda a sua sensualidade, severina caminhou no asfalto quente em sua mais moderna chinela havaiana e, categoricamente, esbarrou na perua loira de salto alto, microsaia e tomara que caia vermelho bordel. Esbarrou tão categoricamente, se essa expressão é realmente possível, que a vadia derrubou sua sacola de compras e as frutas e verduras rolaram coloridas pelo asfalto preto. A arrogância de severina vencera a beleza triunfante da outra putinha.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ou ao menos foi assim, até que ela, espantada com a atitude de severina, passou a recolher sensualmente os produtos do chão quente. As posições, a forma como ela se locomovia, os dedos roçando as cascas dos alimentos, não demorou cinco segundos para que os feirantes dessem vivas para a atuação, provavelmente não proposital.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E foi assim, todo dia de feira depois: severina entrava toda esbelta, balançando o corpo e seduzindo o abacate, mas ineficiente perto da capacidade feminina da concorrente. Reduzida ao esquecimento, severina tornou-se só uma dona de casa que, com repulsa, abria caminho para a nova diva do hortifruti.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-6618411078685201479?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/6618411078685201479/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=6618411078685201479' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/6618411078685201479'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/6618411078685201479'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2009/02/fruteira.html' title='Fruteira.'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-4421260071353422999</id><published>2009-02-02T23:13:00.001-02:00</published><updated>2009-02-02T23:13:47.547-02:00</updated><title type='text'>Elitismo lingüístico</title><content type='html'>Com trema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me irrita profundamente a utilização de vocabulários que não são entendidos nem por metade da população brasileira. Claro, temos uma língua rica, cheia de sinônimos, palavras variadas, sentidos para todos os sabores, mas o que interessa na comunicação é que a pessoa entenda, certo?&lt;br /&gt;Claro que não. A beleza do jogo de palavras complicadas SEM UTILIDADE é do agrado de pessoas que se supõem mais inteligentes que o resto do Brasil que não entende. Lendo maquiavel, platão e karl marx, esses idiotas discutem a sociedade de hoje com idéias de alguns séculos atraz, usando palavras que não tem motivos pra existir.&lt;br /&gt;Me pergunto: por que não facilitar? É tão patético manter o conteúdo e o saber não acessível a todos. Os conceitos e as filosofias são sempre expressas em palavras complicadas, cheias de letras e silabas, vontade de humilhar e restringí-las. Não é por que expandímos nosso conhecimento, aumentamos nosso vocabulário, que precisamos reservá-los somente à nós.&lt;br /&gt;Além do que, me pergunto de que adianta discutir "se, por pensar, eu existo", quando isso não traz nada de prático e útil ao ser humano. Corretíssimo está o senhor Joaquim que, comprando pão na padaria, se preocupa mais se todos os pães que está comprando são o suficiente para todos os seus filhos do que com complexo de inferioridade humano, com problema psicológico de gente que não tem o que fazer e não tem o que inventar.&lt;br /&gt;E essas porcarias de palavras difíceis estão em todo lugar: manuais de instrução, bula de remédio, sites de internet, livros algumas vezes até bem atuais. Quem realmente quer se informar precisa primeiro passar por todo um processo que o leve a entender do que se trata coisas como "inexpugnável". Que os intelectuais e bons utilizadores da língua portuguesa vão todos ao raio que o parta, eu fico com o povo que fala "tauba" e "largato".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-4421260071353422999?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/4421260071353422999/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=4421260071353422999' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/4421260071353422999'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/4421260071353422999'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2009/02/elitismo-linguistico.html' title='Elitismo lingüístico'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-7400071463856006879</id><published>2009-01-27T19:09:00.002-02:00</published><updated>2009-01-27T19:37:21.764-02:00</updated><title type='text'>Nove horas</title><content type='html'>O senhor José Oithoemeya Santos era um tanto quanto paranóico sobre sua pontualidade. Ele tinha tamanho terror de se atrasar para qualquer tipo de compromisso, que preferiria morrer a, por exemplo, perder a consulta do dentista. Por tamanha neurose, o senhor José adiantava seu relógio em, no mínimo meia hora.&lt;div&gt;Antes tarde do que nunca o escambau.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Acordava quando os galos ainda sonhavam com galinhas bonitonas, saia de casa muitas vezes antes do primeiro ônibus imaginar passar no ponto, e reclamava da demora como se fosse absolutamente normal estar tão cedo na rua por livre e espontânea vontade e, ainda por cima, sem estar bêbado. Sua vida era uma correria louca e o desespero do atraso o perseguia toda hora, em cada canto que fosse, lá estava o suor frio e a dor de barriga característica que diziam claramente "sou doido de pedra".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No dia do seu casamento, chegou tão absolutamente cedo à igreja que, inconsciente do adiantamente proposital, imaginou que a mulher tivesse desistido e que nunca chegaria. Entrou em depressão súbita caiu de joelhos no altar implorando a Deus e à santo antônio, além de outros santos que ele acabara de conhecer na igreja, que sua mulher aparecesse logo. Rezou quarenta ave-marias, trinta pais-nossos, fez promessa, disse que se ela aparecesse ele comeria uma rosa na frente de todos os convidados e daria o dinheiro da gravata para um orfanato do bairro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eles não tiveram lua de mel por falta de renda e ele até hoje não esquece do sabor adocicado da flor.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Multas de trânsito pululavam nas gavetas de casa, chegavam com freqüência pelo correio, nem ele sabia para quem mais transferir os pontos. Pensou até em andar de biscicleta, econômico e ecológico, mas sua mulher o impediu imaginando o marido voando demente pela Anhangüera achando-se atrasado e sendo morto por uma cegonheira qualquer, que nem se daria pelo estrago que faria no pobre homem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas a vida de José se resolveu na sua operação do cérebro. A mulher tinha ido viajar para o Piauí quando ele subitamente descobriu possuir um tumor no encéfalo. não chegou mesmo a avisar a mulher. Haveria uma cirurgia daqui a três dias, as nove e meia da manhã.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Foi dormir tranquilo, certo de que tudo correria bem (o médico era de extrema confiança e habilidade), e não contou com a desgraça do seu relógio estar com a pilha fraca.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O despertador não tocou e José, pontualmente, acordou as nove horas pra correr num taxi até o centro cirúrgico e viver pra sempre.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas o relógio parou justamente as oito da manhã e, para José, ainda eram oito e meia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Um soninho a mais não mata.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-7400071463856006879?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/7400071463856006879/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=7400071463856006879' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/7400071463856006879'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/7400071463856006879'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2009/01/nove-horas.html' title='Nove horas'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-4818292815278780989</id><published>2008-12-24T16:54:00.002-02:00</published><updated>2008-12-24T17:05:53.452-02:00</updated><title type='text'>Extravasa!</title><content type='html'>Libera e joga tudo pro a-a-a-a-ar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não posso MESMO ir à festas. Aquele monte de gente se embebeda por que sim e dança por que não se esfregando em mim ao som de "eu puxo o seu cabelo, faço o que você gosta, dou tapa na bundinha - vou de frente e vou de costas!" não é pra mim. Por mais que os drinks estivessem realmente gostosinhos (nem senti o gosto do álcool) e houvessem pessoas bonitas, eu não tava com pique nenhum de remexer a periquita e meter com vontade no da frente.&lt;br /&gt;Créu.&lt;br /&gt;Aí eu penso que talvez eu é que seja o velho rabugento. Não faz meu estilo uma porção de gente junta e muito menos conhecer gente com uma porção de gente junto. Eu gosto da introspecção, de pessoas sentadas numa mesa - pequena - conversando. Me diverte muito mais.&lt;br /&gt;Até então, eu também não gosto de praia. Quer dizer, se for pra ficar sentado em baixo do guarda-sol bebendo refri e falando abobrinha, sou até a favor. Sair pra nadar, de jeito nenhum.&lt;br /&gt;E adoro quando chove também. Tem coisa mais deliciosa do que passar a tarde assistindo um filminho legal enquanto o mundo cai lá fora? Ou mesmo jogando banco imobiliário ou baralho.&lt;br /&gt;Pra que existem as festas afinal?&lt;br /&gt;E acho que odeio cada vez mais gente que vai a essas festas e, pior, se diverte nelas. Acho medíocres e, podem dizer o que quiser, já comecei a gerar algum preconceito.&lt;br /&gt;Mas eu vou nelas também. Pra ficar encostado olhando os outros dançarem (?), mas vou.&lt;br /&gt;Durante aquela porcaria toda eu só queria desligar a música, tirar os sapatos e sentar folgadamente na cadeira. Um calor dos infernos e o povo dançando de terno. Fala sério.&lt;br /&gt;Sou mesmo um velho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-4818292815278780989?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/4818292815278780989/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=4818292815278780989' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/4818292815278780989'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/4818292815278780989'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2008/12/extravasa.html' title='Extravasa!'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-4887384759085597337</id><published>2008-12-03T19:06:00.002-02:00</published><updated>2008-12-03T19:14:55.128-02:00</updated><title type='text'>Listagem</title><content type='html'>Adoro quando acaba:&lt;div&gt;O quiabo&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A novela&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A tensão&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O fio da lã&lt;/div&gt;&lt;div&gt;As peças do quebra-cabeça&lt;/div&gt;&lt;div&gt;As coisas pra arrumar&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A aula&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A fila&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A prova&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O chiado&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Odeio quando acaba:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O tempo&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O sono&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A vontade&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A lasanha&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O crédito&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A luz&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O xampu&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O domingo&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A inspiração...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;cabou.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-4887384759085597337?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/4887384759085597337/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=4887384759085597337' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/4887384759085597337'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/4887384759085597337'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2008/12/listagem.html' title='Listagem'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-83939197524958995</id><published>2008-11-21T23:28:00.002-02:00</published><updated>2008-11-21T23:41:20.520-02:00</updated><title type='text'>O balé dos infelizes</title><content type='html'>A banda começa a tocar, e a sinfonia de gritos, tapas e angústias são ouvidas a quilômetros. Um espetáculo para poucos. Muito poucos.&lt;div&gt;Vem o primeiro movimento do primeiro dançarino: o benefício da dúvida. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;"Você não acredita em nada do que eu digo, certo?", canta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Em resposta, o segundo concorda. Giram pelo quarto, agarrando os próprios cabelos, enfezados e a gritar injúrias. Se odeiam simultaneamente, para que haja simetria.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O terceiro está de peso, de juiz, apenas no meio do palco. Não concorda com nenhum dos dois, não toma partido. Está apenas para que o centro não fique vago.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O primeiro dançarino ataca pra valer: ofende até a alma do segundo, e este, por sua vez, parece destruído, então cai em lágrimas. Nesse instante, o terceiro, até então neutro, vai em direção ao primeiro para espancá-lo. O segundo intervém, mesmo que quisesse que o terceiro batesse, não queria que o primeiro apanhasse. O primeiro, sabendo de toda essa marcação, se faz de durão, demonstra que não tem medo do terceiro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O segundo diz que vai ligar para a polícia. O primeiro incentiva, diz que duvida que ele seja capaz. De fato, não o é: faz por que sabe que o terceiro vai impedí-lo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Aí o primeiro diz que vai sumir pra sempre. Se dirige a porta, sabendo que o vão impedir, e quando é impedido vê o próximo movimento do segundo: a tão temida ameaça de suicídio. Que nunca veio e nunca virá, todos sabem, mas fingem que não para cumprir o espetáculo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A coisa termina com o primeiro se rebaixando aos outros dois. Se depara com a falta de opção, que está sozinho na empreitada. E não é somente por que os outros dois não lhe dão apoio. É por que ninguém lhe dá.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Está completamente só, e parte então para a cochia para poder chorar as lágrimas que não estão previstas no roteiro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Fecham-se as cortinas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-83939197524958995?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/83939197524958995/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=83939197524958995' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/83939197524958995'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/83939197524958995'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2008/11/o-bal-dos-infelizes.html' title='O balé dos infelizes'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-1357139215843506301</id><published>2008-11-12T21:41:00.001-02:00</published><updated>2008-11-12T21:43:25.229-02:00</updated><title type='text'>Sociedade Cruel, A série</title><content type='html'>Por - BioHazard, Colaborador especial de horas [muito] vagas&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;Astolfo Meniz de Phorras teve uma infância difícil por causa de seu sobrenome.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;-Gosta de 'leitinho' também, Phorras?!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;Sua vida social declinava cada dia mais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;-Não vou falar com alguém que me lembra sacanagem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;Na escola era um excluído, mas ninguém tinha culpa disso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;-É um animal antisocial, mesmo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;-Ele mesmo se exclui, né? Que coisa!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;~~&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;Astolfo tenta esquecer seu passado ouvindo músicas clássicas durante o recreio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;O que não o ajudou a pegar muitas garotas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;-Piano para mim é coisa de viado!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;Sabia tocar violino, porém seus dotes não passavam de motivos para mais piadas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;-Que tal tocar a minha 'gaita' agora, esquisito?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;~~&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;Era um dos mais estudiosos da sala.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;-CDF de merda!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;Seu conhecimento, porém, não era valorizado por muitos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;-Ratos de biblioteca, não merecem muito a minha atenção, entende?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;E para completar, os marginais nunca aceitaram a sua sabedoria.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;-Gosta de aplicações de forças, não é? Vai adorar esse chute no saco!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;~~&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;Sua reputação afetava sua vida amorosa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;Até mesmo durante as pegações na capela do colégio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;-Você escovou os dentes antes, seu escroto?!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align:center"&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Muitas foram as rejeições.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;-Gosta de mim, Astolfo? Entra na fila.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;E as alegrias duraram pouco.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;-Sabe como é, você é bonitinho, mas o Eduzão aqui dança o créu e desce até o chão, cara!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;~~&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;Um dia, Salsicha, seu cachorro e melhor amigo, foi descoberto &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;morto em uma grelha de churrasco.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;-Você tinha um bichinho de estimação? Haha, pensei que os animais&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;tivessem medo de você!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align:center"&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Corre o boato de que Carlos, o marginal 4x4 da sala, foi quem cometeu o crime.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;-Digo apenas que minha mãe sempre me ensinou a sempre comer de tudo...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;Mas o novo piercing na barriga da Luíza era mais importante que qualquer outra coisa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align:center"&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;-NOSSA, AMIGA! Doeu muito?!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;-Deve ter sofrido tanto, coitadinha...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;~~&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;Um belo dia de sol, Astolfo mata 29 alunos de seu própria sala de aula, usando duas réguas e um compasso como ferramentas para seus crimes. Já passavam das 120 horas de negociações quando Astolfo resolve soltar um dos 15 reféns que ainda mantinha consigo para contar a história. Todos os outros foram mortos à tesouradas e acompanhados de um sorriso sádico no rosto de seu assassino.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;Logo em seguida, ele pula do prédio mais alto do colégio, rindo compulsóriamente, como se tivesse prazer em todo o horror que causara.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;~~&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;Uma palavra é usada pela sociedade para definir Astolfo:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-mso-bidi-language:#00FF;font-family:Tahoma;"&gt;-Monstro!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-1357139215843506301?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/1357139215843506301/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=1357139215843506301' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/1357139215843506301'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/1357139215843506301'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2008/11/sociedade-cruel-srie.html' title='Sociedade Cruel, A série'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-670100794251346007</id><published>2008-11-07T18:15:00.002-02:00</published><updated>2008-11-07T18:21:56.072-02:00</updated><title type='text'>Viva a natureza (des)humana</title><content type='html'>Sinto que encontrei o ser humano perfeito, a Mary Sue de carne e osso. Sinto que ele não tem defeitos e, se o tem, acabam sendo insignificantes ou mais um traço necessário para sua personalidade sem erros, como aquela cicatriz estilosa que foi a marca do assassinato dos pais do seu personagem favorito ou qualquer coisa assim.&lt;div&gt;E é engraçado por que eu nunca cogitei a existência de alguém perfeito. Alguém tão legal, tão bacana, tão sem defeitos. Pra mim esse ser humano era coisa de autores frustrados querendo fazer personagens adoráveis para, quem sabe?, aumentar as vendas dos seus livros medíocres. Pois descobri que infelizmente eles existem. E isso é uma droga, aliás.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Essas pessoas perfeitinhas, que não se esforçam pra que todo mundo os ame, são a ferida do mundo que tava muito bem povoado por seres humanos que, se não são podres, ao menos tem defeitos, mesmo que escondidos. São os ladrões de pessoas e criadores da discórdia, são os alastradores do ciúme. Eles trazem a inveja pura, eles criam a falta de amor, eles dão o abandono de verdade. Se você já sentiu inveja, ciúme e solidão por alguém que não era perfeito, não sabe o que é a pureza desses sentimentos. De, por algum motivo que parece, eles todos serem justificados.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Então eu acho que prefiro os personagens volúveis, meio falsos, meio cínicos, meio toscos. O ruim é que eles preferem as mary sues, e aí eu sobro.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-670100794251346007?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/670100794251346007/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=670100794251346007' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/670100794251346007'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/670100794251346007'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2008/11/viva-natureza-deshumana.html' title='Viva a natureza (des)humana'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-1933343826077361158</id><published>2008-10-29T21:42:00.002-02:00</published><updated>2008-10-29T21:48:01.112-02:00</updated><title type='text'>Aos bons momentos que nunca vieram.</title><content type='html'>&lt;div&gt;- O céu sempre foi assim... tão triste?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Um único dia da minha vida ele sorriu pra mim. Mas há quem diga que ele tá sempre de bem com a vida.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ele me parece tão deprimente, hoje.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Então esqueça o céu e olhe pro chão. Ponha os pés no chão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- O céu consegue mesmo assim ser mais alegre que a terra firme.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Então ponha os pés no chão e continue só admirando o céu.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Você é tão prático. Queria ser assim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não, não, eu só me faço de prático. Na verdade eu faria questão de olhar pro chão, mas eu não quero que você faça o mesmo. Eu ia dizer pra você pensar em X coisa, mas é melhor não pensar. Nem pense, só aja, faz mais bem pra saúde.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Eu receio que nem sei como agir, mais.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- É aí é que você tem que agir! Se não sabe pra que lado caminhar, só ande. Se não sabe pra onde olhar, só encare. Não faz tanta diferença quanto parece que faz. Pense menos, faça mais! O mundo e a sua sanidade mental agradecem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Será que o mundo realmente agradece ou apenas secretamente fica contente por estar perdendo mais uma pessoa sã?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Perdendo? Ele vai estar ganhando. Sua sanidade vai embora quando você pensa muito tempo. É como um carrinho de fricção, quebram as molas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Mas do que adianta não pensar, também?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Dói menos. Pra mim, é um ótimo motivo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Mas não pensar irá doer do mesmo jeito.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Já experimentou?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Já, e não senti muita diferença.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Se não sentiu diferença, é por que não parou de pensar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ou será que isso não depende de cada indivíduo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Só segui um raciocínio lógico.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Eu nem sei mais o que é lógica.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-1933343826077361158?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/1933343826077361158/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=1933343826077361158' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/1933343826077361158'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/1933343826077361158'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2008/10/aos-bons-momentos-que-nunca-vieram.html' title='Aos bons momentos que nunca vieram.'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-7635709102295759104</id><published>2008-10-24T20:53:00.003-02:00</published><updated>2008-10-24T21:12:45.750-02:00</updated><title type='text'>O problema é ser-humano</title><content type='html'>- Você me ama?&lt;div&gt;Guardo minhas pinças, escondo meus chifres, recolho as garras, disfarço as escamas, oculto as guelras, apago as orelhas pontudas, nego o dedo a mais, recolho as asas de morcego, desapareço com as antenas, engulo os caninos pontudos, dou cor à face pálida, diminuo o estômago externo, retiro a serra do meu braço, coloco o pé no lugar que ele devia estar, restituo a pele, limpo os lábios ensangüentados, contraio as pupilas, engulo o veneno, arranco a cauda de jacaré, curo os ferimentos, paro os movimentos compulsivos do corpo, oculto a coluna vertebral a mostra, recoloco cabeça sobre o pescoço, retiro a corrente fundida ao meu pulmão, destranformo-me.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas de nada adianta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;______________________________________&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Traga já o seu motivo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Motivo? De que me importa o motivo de, por hora ou outra, esvaio-me na falta deles? Se o meu problema é justamente não haver nenhum motivo para justificar meus atos? Ajo por falta de motivo, por problemáticas insiceras. Viceral, suponho, mas ainda assim comum. Não medi conseqüências, não pensei em por quês. E duvido que você o faça o tempo todo para poder me julgar assim. Abandonei, deixei, esqueci, e não me puno por tal. Nem você pode me punir.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ainda bem que penso por nós dois. Ainda bem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;______________________________________&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nem mais um passo. A casa não é minha, isso é invasão de propriedade. Por deus, não, eu não posso. O limiar de uma decisão está aqui, nesse tênis imundo que suja o carpete. Sigo o instinto, adentro a casa, encho-me de curiosidade e então corro o mais rápido que puder antes que me notem? E essa necessidade estúpida de entrar aqui nem se vê motivos. Estou querendo entrar só pelo prazer da aventura, para os hormônios que me enxeram de entusiasmo. Avante! Avante! Que se suje todo o carpete em nome de uma nova descoberta humana que delimitará ainda mais esse ser inexplicável, insólito. Pensando bem, o que ganho com isso? Uma treslouquice juvenil que me fará sorrir por alguns minutos e, quiçá, mais uma boa lembrança na coleção? Pois então, valhe o risco.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- O que está fazendo na minha porta, rapaz?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-7635709102295759104?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/7635709102295759104/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=7635709102295759104' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/7635709102295759104'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/7635709102295759104'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2008/10/o-problema-ser-humano.html' title='O problema é ser-humano'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-857620162688627516</id><published>2008-10-21T18:46:00.002-02:00</published><updated>2008-10-21T18:53:12.257-02:00</updated><title type='text'>Meus pais se acham farmacêuticos</title><content type='html'>- Toma lisador, tem dipirona, vai melhorar a garganta.&lt;div&gt;- Não, eu só quero o limão com mel, mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ah, podia tomar tylenol, tem paracetamol, vai diminuir a dor.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Cadê o mel?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Aqui, olha, toma o scaflam, nimesulida é antibiótico.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não, valeu. Vou ter de confiar nos meus anticorpos, mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Tó, toma esse aqui.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Que isso?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Pondera ou cloridrato de paroxetina, pros íntimos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não é seu antidepressívo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ah, é mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Dá.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Isso quando não e fazer o favor:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Rafa, pega o metrotexato pra mim?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Quem?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- O remedinho de cápsula azul.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Todas as cápsulas são azuis.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Azul e branca.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- ...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Trás a caixinha aqui, vai.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-857620162688627516?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/857620162688627516/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=857620162688627516' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/857620162688627516'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/857620162688627516'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2008/10/meus-pais-se-acham-farmacuticos.html' title='Meus pais se acham farmacêuticos'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-7399105915965907971</id><published>2008-10-15T23:46:00.002-03:00</published><updated>2008-10-15T23:51:30.517-03:00</updated><title type='text'>Pensando sobre minha vida ou "a morte da bezerra em vários ângulos", Vol 2 - E ela podia simplesmente terminar</title><content type='html'>Examinar a própria existência é algo que exige questionamentos mais que afirmações. Prometo que vou fugir do padrão.&lt;div&gt;Ao mesmo tempo que existo, eu acabo. Vou me embora pra já. Não quero ver o que vem depois da linha que eu estou prestes a cruzar. Ao mesmo tempo que quero que acabe o ano, tenho medo do fim. Quero o fim. Do ano, do dia, de tudo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quero não ter de viver o que esperam que eu viva. Quero não ter de ir atrás do que eu espero que eu viva. Não quero brigar por uma merreca de futuro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O mais sofrível é que eu quero de mais e ajo de menos. Sou um inútil preso à contemplação da minha vida, imaginando como seria bom que tudo parasse, voltasse.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O pior de ir ao extremo da felicidade é o baque que se tem quando se bate no fundo do poço assim que se cai da estratosfera. Dói.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Por que não simplesmente deixar ir? (aparecem os questionamentos) Me desprender é o mais simples, ignorar futuro, passado, me manter na queda livre pra sempre e não bater mais no chão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Dou-me a resolução do problema por mim mesmo. E não sei se é isso que eu quero. Não sei se quero resolver o problema. Por que, pra mim, continua parecendo errado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-7399105915965907971?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/7399105915965907971/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=7399105915965907971' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/7399105915965907971'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/7399105915965907971'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2008/10/pensando-sobre-minha-vida-ou-morte-da_16.html' title='Pensando sobre minha vida ou &quot;a morte da bezerra em vários ângulos&quot;, Vol 2 - E ela podia simplesmente terminar'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-5118014778007049467</id><published>2008-10-10T16:27:00.002-03:00</published><updated>2008-10-10T16:35:20.665-03:00</updated><title type='text'>Pensando sobre minha vida ou "a morte da bezerra em vários ângulos", Vol 1 - Minha vida existe</title><content type='html'>Sabe o que mais me impressiona? O fato de eu ter começado esse texto com uma pergunta, coisa que eu abomino.&lt;div&gt;Além disso, me impressiona também o fato de eu existir. O fato de eu existir, apesar de ser monstruoso, é minúsculo: Ok, tou aqui, e daí?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O que vem depois disso, afinal? Questões éticas politécnicas infelizes, suponho, coisa de físico-quântico. Sou uma merreca de dados na extensão do universo e, droga, é só isso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Aí, olhando por outro ângulo, eu sou alguém que faz muita diferença na vida de um montão de pessoas, que cria e descria na pontualidade que quer. Manipulo e ajo com decaso, mas tou sempre ali, fazendo todo mundo sentir que estou ali.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas a semelhança entre os dois é justamente esse fato: eu estou ali. Eu existo e, raios, vocês só já não podem mais mudar isso. Mesmo que me matem, que me isolem, eu já vou ter existido, isso vai ser um fato. E aí vocês se perdem na confusão de pensamentos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas é só minha vida, mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-5118014778007049467?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/5118014778007049467/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=5118014778007049467' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/5118014778007049467'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/5118014778007049467'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2008/10/pensando-sobre-minha-vida-ou-morte-da.html' title='Pensando sobre minha vida ou &quot;a morte da bezerra em vários ângulos&quot;, Vol 1 - Minha vida existe'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-3991263831157356629</id><published>2008-10-06T22:59:00.002-03:00</published><updated>2008-10-06T23:12:00.382-03:00</updated><title type='text'>Conto instantâneo tipo teste de gravidez farmacêutico</title><content type='html'>Volta e meia vinha o rapaz com a aspirina na mão, ainda segurando o troco:&lt;div&gt;- Moço, certeza que não mata?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Absoluta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Era corriqueiro, já. Dava pra ter certeza que, dois ou três dias depois, estaria o adolescente de uns dezessete anos a me perguntar se aspirina matava. No começo estranhei, achei meio estrambólico, meio exótico. Não questionei-o, mas mantive a dúvida pra mim mesmo. Sabe-se lá por que Deus colocou na terra uma figura que tinha medo de aspirina mas que vivia a comprá-la. Medo do conhecido, nesse caso talvez até medo do familiar. Pavor de que a aspirina corresse a casa atrás dele? Não sei, mas o rapaz voltava sempre.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Moço, certeza que não mata?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Mata não.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Parecia vir pra me gozar, rir da minha cara nas entranhas do quarto escuro, já fazendo coleção de aspirinas e de imagens mentais da cara de palerma que o atendente da farmácia - eu! - fazia ao desmanchar as suspeitas assassinas que o rapaz tinha sobre o comprimido. Pois bem, não ia nadar contra a corrente, que risse de mim até onde quisesse, que viesse todos os dias e perguntasse, não estava mesmo dando a mínima. Venha, pergunte-me se aspirina mata!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Moço, certeza que não mata?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Claro que mata, rapaz. Estou te enrolando faz seis meses pra tomar esse veneno lento e sumir da minha vida de uma vez por todas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ele me olhou pesaroso, e saiu. No dia seguinte foi encontrado morto, com um testamento ao lado do corpo:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;"Deixo a minha dívida da farmácia ao filho-da-puta que queria me matar. Queria mas não conseguiu, otário!".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ao menos ele nunca mais voltou.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-3991263831157356629?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/3991263831157356629/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=3991263831157356629' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/3991263831157356629'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/3991263831157356629'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2008/10/conto-instantneo-tipo-teste-de-gravidez.html' title='Conto instantâneo tipo teste de gravidez farmacêutico'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-5980382826358787496</id><published>2008-09-28T22:20:00.003-03:00</published><updated>2008-09-28T22:27:23.722-03:00</updated><title type='text'>Diálogo de si pra si, sobre teatro e ano passado.</title><content type='html'>- Sabe o que eu realmente sinto falta?&lt;div&gt;E aquilo me pegou de surpresa. Ora, bolas, por que eu, afinal, estaria voltando a essa discussão, que eu nunca vi real utilidade para?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Sinto falta dele.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Duh! Claro que não sentia. Vocês nem se quer eram amigos, caramba. Colegas, e olhe lá.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Sente?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Sinto. Talvez não dele em si, mas da presença dele.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Espera. Isso é anormal, ainda. Tem algo que eu não saiba aqui? E como poderia EU não saber?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Como assim?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Era divertido... invejar, ele. Concorrer. Intimamente, eu só queria ser melhor que ele, e nada mais.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ah. Ah, bom. Ah, droga.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Como um rival?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Como um rival. Era alguém que eu admirava e que eu dava tudo de mim pra superar. Talvez nem sejam as aulas de teatro que me fazem falta. Talvez seja só ele.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Mas você não nutria uma paixonite secreta por ele?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Que nada! Era só pra esconder essa invejinha medíocre, esse ciúme sem motivo. Eu sempre soube que eu não tinha nem se quer uma atraçãozinha física por ele. Embora sempre invejei, também, o brinco na orelha e o cabelo legal.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Você assumiu, assim?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não, só parei de esconder algo sem motivo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O que é isso? Estou vendo as coisas irem pro lado que nunca deviam ter se quer perpassado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Então, na real, você sempre foi um fã dele, é isso?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Sim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Droga.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-5980382826358787496?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/5980382826358787496/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=5980382826358787496' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/5980382826358787496'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/5980382826358787496'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2008/09/dilogo-de-si-pra-si-sobre-teatro-e-ano.html' title='Diálogo de si pra si, sobre teatro e ano passado.'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-6389948828821356074</id><published>2008-09-24T14:00:00.003-03:00</published><updated>2008-09-24T14:06:01.081-03:00</updated><title type='text'>Feliz Emo Day</title><content type='html'>Parabéns especiais para: Ed Carlos, Luana, Kauê, Ítallo, Défi, Dayse, Brub's, Tri, Bio, Carmem, Kally, Cristina, Rage, Anakin, Piolho, Flash, Chapo, Aero, Bananénhow, Kon, Tyket, Wind, Kosd, Deity, Twero, YusukY, Galada, WoH, Abraço Over 9000, Delavu, Clear, Daph, Crazy, Fredusko, Rob, Noni, Pouls, Touya, Strife e pra Xuxa e pra Ana Maria Braga.&lt;div&gt;Pro Cold não, por que ele é macho.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;(foi só pra participar do Emo Day, fazer uma piada tosca e atualizar o blog, mesmo.)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-6389948828821356074?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/6389948828821356074/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=6389948828821356074' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/6389948828821356074'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/6389948828821356074'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2008/09/feliz-emo-day.html' title='Feliz Emo Day'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-7824646117085432762</id><published>2008-09-18T15:03:00.002-03:00</published><updated>2008-09-18T15:52:29.576-03:00</updated><title type='text'>Quem é você e quem eu fui.</title><content type='html'>Eu briguei com &lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;aquele&lt;/span&gt; meu amigo, tão amigo, tão legal, quando ele passou a querer ser meu único amigo. Foi uma briga de terminar tudo que já tinha existido, foi um basta abrupto. Aconteceu, e terminou. Ele pensando que eu nunca tinha sido um cara legal, mesmo, e eu achando que estava fazendo o certo em abandonar tudo por que precisava de espaço.&lt;div&gt;Espaço.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu queria ser livre! Obrigado, você me ajudou a crescer, fez de mim a grande pessoa que eu sou hoje e, finalmente, eu estou sendo capaz de conquistar as pessoas e fazer com que elas me olhem por outro ângulo que não o do nojo, da indiferença, do ódio. Obrigado, de coração. Mas agora eu preciso de mais pessoas, além de você. Claro que quero continuar sendo seu amigo, mas não só seu. Mandei, então, tudo pro espaço.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E ele me esqueceu. Deve ter chorando até a última gota de líquido que suas glândulas conseguiam produzir, e olha que ele nunca chorava. Eu sabia que era importante pra ele, no fim das contas. Mas acabou, mesmo. Eu me distanciei, eu me afastei, eu o coloquei de lado. Ele sempre tentando desfazer a situação, até desistir e, por fim, vir a briga.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Essa briga, que eu ganhei, nenhum trofeu pra casa eu levei. O máximo que consegui, com isso, foi nutrir um grande ódio e uma superioridade besta. Não pingou nenhum lágrima, não veio nenhum choro. Não precisava &lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;mesmo&lt;/span&gt; dele.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Acho que essa é a primeira vez que estou sendo absolutamente sincero quanto ao assunto, que pra mim parece um grande turbilhão. Eu me desprendi de tudo de uma vez só, por causa do espaço. E ele quem me fez ser assim. Foi ele quem me fez gostar do que eu gosto hoje em dia, que me fez ser não mais tão idiota quanto eu era. Ele quem me ensinou o valor da sinceridade, do companheirismo. De vencer barreiras.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E eu deixei tudo isso pra lá. Aparentemente, com algum esforço -ou ao menos é o que eu espero, acho -, ele também deixou tudo isso pra lá. O grande problema é que eu não deixei. Passou tudo e o espaço voltou a ser pequeno. Tá sobrando espaço e faltando gente. Faltando você. E eu penso que, tudo que eu realmente queria, era saber que esse seu orgulho não vai me repudir se eu pedir desculpas. Do fundo da minha alma, pedir desculpas. Você me humilhava, me ridicularizava, me botava pra baixo. Mas a sinceridade estava em cada um desses atos. E eu não acho mais ela, em mais ninguém.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nem em mim.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-7824646117085432762?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/7824646117085432762/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=7824646117085432762' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/7824646117085432762'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/7824646117085432762'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2008/09/quem-voc-e-quem-eu-fui.html' title='Quem é você e quem eu fui.'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-7234305875854644773</id><published>2008-09-12T18:06:00.003-03:00</published><updated>2008-09-12T18:13:02.483-03:00</updated><title type='text'>Presença (ou "Não controlo meu superegoooo")</title><content type='html'>Olhe pra mim,&lt;div&gt;veja-se em mim,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;sou você por outro ângulo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Me implatei&lt;/div&gt;&lt;div&gt;sem você perceber,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;sem você pedir.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Estou na sua vida&lt;/div&gt;&lt;div&gt;a alguns segundos&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e você nada pode fazer.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pode parar de ler&lt;/div&gt;&lt;div&gt;mas agora já é&lt;/div&gt;&lt;div&gt;tarde - demais.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-7234305875854644773?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/7234305875854644773/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=7234305875854644773' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/7234305875854644773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/7234305875854644773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2008/09/presena-ou-no-controlo-meu-superegoooo.html' title='Presença (ou &quot;Não controlo meu superegoooo&quot;)'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-1417805088794928796</id><published>2008-09-09T17:00:00.003-03:00</published><updated>2008-09-10T21:09:50.771-03:00</updated><title type='text'>Metáfora alimentar</title><content type='html'>Imagine que a sua vida é uma coxinha. É, uma coxinha. Daquelas bem grandes, que custam um assalto mas compensam cada centavo gasto, desde a massa a todo o recheio esplendoroso.&lt;div&gt;A dúvida é: como você come coxinha?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Algumas pessoas vão direto pro melhor, comendo a coxinha "por baixo", mordendo de cara o recheio. Se deliciam em algumas bocanhadas, mastigando o saboroso frango em meio à pouca massa. E, logo depois, partem pra massa que, agora que já se provou o maravilhoso frango, parece mais sem graça que nunca. Droga! O frango, ápice da coxinha, estragou todo o sabor da massa e fez ela parecer totalmente sem gosto, sem sal, sem tempero. Sem vida! Droga de massa ridícula, viu.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Outras pessoas, por sua vez, comem a coxinha por cima, engolindo a parte sem graça primeiro e, gradativamente, sentindo que o frango se aproxima. Vem aquela coisa branca de trigo e sem gosto, com a casquinha comum, e vai aumentando de tamanho até - nham! - o frango. E aí estoura de prazer em sentir o frango desfiado substituindo a massa sem graça. Se diverte com toda aquela loucura de sabor, o impetuoso tempero e o fim abrupto. Acabou-se a cozinha, justo quando finalmente estava sendo aproveitada. Nem dá tempo de se conformar, quando vê já está engolindo e sobra só o papel sem sabor na mão, ainda pior do que a massa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Agora, quantas pessoas comem a coxinha de lado? Mordem o frango, saboreiam com prazer, depois mordem o frango com a massa, tanto prazer quanto insosso misturados numa só mordida fenomenal. Partem, então, para o processo inverso, comendo massa e frango e, por último, só frango. Estouro no começo, muito bom no meio, incrível no fim. O frango está lá, em todos os momentos! Mesmo misturado à chatice da massa, ele se faz valer, salta ao paladar invariavelmente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Proponho, portanto, que comamos a nossa coxinha de lado. Deve haver algum ponto baixo nessa forma de comer coxinha, mas ainda não tentei. Se, vierem a tentar e descobrirem-no, pode ser que eu já esteja com o papel solitário na mão, ao ponto de engolir o frango.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-1417805088794928796?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/1417805088794928796/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=1417805088794928796' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/1417805088794928796'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/1417805088794928796'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2008/09/metfora-alimentar.html' title='Metáfora alimentar'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-3658951571425636452</id><published>2008-09-07T02:47:00.003-03:00</published><updated>2008-09-07T02:53:46.104-03:00</updated><title type='text'>Mediocre Idade</title><content type='html'>Parabéns para o blog, nesta data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida!&lt;div&gt;Quantos anos ele faz? Não sei.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sei que eu criei ele a dois anos. Sei que comecei a postar de verdade a um ano só.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Fica o impasse.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O que realmente importa é que, em quase cem textos durante toda a existência desse sitezinho esquisito, meio emo e meio gay, vocês puderam sacar como eu penso, como eu costumo agir. Eu pude mostrar pro mundo todas as minhas esquisitisses, treinar meu (ainda ruim) senso de humor e a minha vontade de escrever. Quase cem textos, já! Não sei o que comemoro, afinal: a criação do blog, o último ano todo de postagens, os cem textos, a minha nota do trabalho de geografia...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Penei, desisti, voltei atrás, e cá estou. Esse monte de carácteres representa todo um momento da minha vida que ficou pra trás, que me mudou de corpo e alma. Sou outro ser humano, que não escreve mais como escrevia, que não pensa mais como pensava, que não julga mais. É uma vitória ler os primeiros textos e ver como eu cresci, relembrando da minha vida como num album de fotografias - só que são apenas palavras.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Apenas? Não. Essas palavras são emoções, são o meu ódio e a minha alegria misturados à todo o sarcasmo e implícito em textos que queriam mostrar a situação, sem mostrar que era comigo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu não escrevo por escrever.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Beijo pra minha mãe, pra titia e pra vovó. E especialmente pra você (xuxa!) leitor, talvez não assíduo, mas ainda assim leitor.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-3658951571425636452?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/3658951571425636452/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=3658951571425636452' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/3658951571425636452'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/3658951571425636452'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2008/09/mediocre-idade.html' title='Mediocre Idade'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-2355314698424084275</id><published>2008-09-03T16:47:00.005-03:00</published><updated>2011-09-14T15:11:32.763-03:00</updated><title type='text'>Conto instantâneo tipo Papinha de Neném</title><content type='html'>Diz-se que, de um dia pro outro, ele não acordou mais. Os vizinhos não o viam, não se ouvia barulho no apartamento, o telefone nunca mais foi atendido. A situação ficou preocupante quando, finalmente, ele atrasou a conta do prédio e não atendeu à insistente campainha, que era apertada freneticamente pelo síndico. Arrombaram a porta, quando finalmente o síndico encheu-se da história de mais um inquilino que não pagava e, em especial, um que não dava motivos.&lt;div&gt;Como um anjo, estava deitadinho na cama, de sapatos e ainda de terno. Mesmo com os chamados do síndico, os cutucões e os tabefes, ele não acordou. Aí bateu aquele medo de estremecer os ossos, e o síndico teve medo de que ele estivesse morto. Mais medo de que ele estivesse morto, tinha medo de cadáver, e por isso teve uma crise de pânico: desatou a gritar feito uma menininha, estabefeando cego os moveis do quarto, procurando desesperadamente a saída. Depois de muito tempo, encontrou-a e desabou na escada. Morreu com o pescoço quebrado no último degrau.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A inquilina do apartamento 39, ao ver a cena, desatou a correr para checar o que tinha acontecido com ele. Percebendo o síndico morto, e com uma súbita repulsa por ter abaixado-se para checar-lhe a respiração, desembestou até a portaria, implorando por socorro. Quando chegou o porteiro até a escada e viu o síndico, seu irmão por parte de pai, morto, tratou de correr até o apartamento do salafrário que o havia matado. Óbviamente, o rapaz que não pagava a conta e não respondia aos chamados, tinha de ter sido ele! Ao entrar no quarto, berrando como nunca se ouvira naquele prédio, seguido pela mulher, tropeçou em uma dobra do tapete, tal esbaforido que estava, e caiu em cima do vaso de cerâmica co canto da sala, com o qual teve seu pescoço cortado em dois.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A mulher, que assistira à cena da porta, enlouqueceu de vez e saiu correndo pelo prédio, gritando que dois homens haviam morrido e que o prédio devia ser amaldiçoado. Depois de subir até o último andar, anunciando a todos as novidades, se jogou da janela do corredor.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pessoas em massa ignoraram o chamado, outras tantas correram pra fora do prédio - talvez pra ver o corpo da mulher que havia enlouquecido e se jogado, testemunhas oculares ou figurantes da reportagem do Jornal Nacional - e algumas, que já haviam ouvido o boato do rapaz que não atendia à porta, correram imediatamente para lá. Viram o cadáver na sala e, os mais corajosos, seguiram determinados até o quarto. E lá estava o rapaz, dormindo tranquilamente, o peito arfando suavemente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Seis meses depois ele acordou, dizendo que estava treinando uma técnica de ioga relacionada com a hibernação, e que não entendia o por que do prédio tão vazio em que estava morando.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-2355314698424084275?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/2355314698424084275/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=2355314698424084275' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/2355314698424084275'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/2355314698424084275'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2008/09/conto-instantneo-tipo-pipoca-de.html' title='Conto instantâneo tipo Papinha de Neném'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-6410250673269036311</id><published>2008-08-31T21:58:00.002-03:00</published><updated>2008-08-31T22:03:17.298-03:00</updated><title type='text'>Oscilações inimigas</title><content type='html'>As pernas balançam.&lt;br /&gt;Os dentes mordem a unha.&lt;br /&gt;Tentam alcançar a cutícula.&lt;br /&gt;Os dedos tamborilam na mesa.&lt;br /&gt;As mãos passam pelo cabelo.&lt;br /&gt;Os pés batem no chão.&lt;br /&gt;Os olhos percorrem a sala.&lt;br /&gt;A cabeça se vira para olhar o lado.&lt;br /&gt;O pulmão propõe um suspiro.&lt;br /&gt;O coração acelerado.&lt;br /&gt;Morde o lábio.&lt;br /&gt;Treme o maxilar.&lt;br /&gt;Estala os dedos.&lt;br /&gt;Pulsa.&lt;br /&gt;Pulsa.&lt;br /&gt;Pulsa.&lt;br /&gt;Sejam bem vindos ao Enem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-6410250673269036311?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/6410250673269036311/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=6410250673269036311' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/6410250673269036311'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/6410250673269036311'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2008/08/oscilaes-inimigas.html' title='Oscilações inimigas'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-6427278935583478568</id><published>2008-08-27T18:42:00.000-03:00</published><updated>2008-08-27T18:43:21.692-03:00</updated><title type='text'>O Banheiro.</title><content type='html'>É claro, o certinho, sem repetir uma vez se quer, sem cair de moto ou dirigir sem carteira, sem pegar zilhões de menininhas, não é tão interessante quanto o cara foda que faz tudo isso.&lt;br /&gt;Ainda bem, não queria ser assunto numa reunião dessas. Graças a Deus tenho primos muito mais incomuns, e fico feliz de saber que não dão a mínima se estou tomando o vigésimo quarto copo de refrigerante pra me manter acordado em meio as dissertações soporíferas.&lt;br /&gt;Um estupor me toma naquele jantarzinho meia-tigela na Trianon, na qual a família bem sucedida convida por educação a família má sucedida que vai por educação. Ninguém reparou em quantos crepes eu comi, amém.&lt;br /&gt;E aquela prima ricaça ainda se vê obrigada a pagar o táxi da tiazona chata que reclama até da joanete. Tudo bem que a prima ricaça é tão sem graça quanto todos os outros convidados, mas ao menos ela joga disfarçadamente na nossa cara o quão mau sucedidos somos. O sorriso plástico não engana ninguém, e todo mundo sabe que ela tá chorando pra zarpar dali.&lt;br /&gt;Ainda pendurados na música de ivete sangalo vem aqueles primos malas que se acham engraçados dançar formando um casal gay ridículo. Um deles é realmente gay, mas só o besta aqui reparou nisso. Enquanto toda a sala segura as taças cheias de vodka e coca-cola, com sorrisos estampados sem motivo na cara, rindo da cena ou de quanta bebida já suportou.&lt;br /&gt;Meia-noite e o banheiro é o meu alívio. Não tem ninguém. Eu, a privada, a torneira maravilhosa. Posso tirar o boné sem ninguém olhar feio pro meu cabelo. Poderia passar o resto da festa toda ali, mas o parabéns vem logo mais. Bosta.&lt;br /&gt;Canta-se parabéns, com os engraçadinhos de sempre substituindo "Pic" e "hora" por...&lt;br /&gt;Dá uma da manhã e meus pais não foram embora ainda. Que porre! Alguém me retire desse sofá confortável antes que eu ignore todos vocês e durma aqui.&lt;br /&gt;E ainda terminam puxando assunto comigo, o excluído, loser com L maiúsculo da festa:&lt;br /&gt;- O que vai fazer de faculdade?&lt;br /&gt;Encho a boca pra dizer não sei. Minha mãe responde por mim. Grande!&lt;br /&gt;Vamos embora, depois de beijar novecentos rostos diferentes com um sorriso fingido na cara. Ninguém se toca de como eu estou sendo falso? Tou fazendo um esforço grandão pra notarem.&lt;br /&gt;No carro, o silêncio me conforta. Nem um pio.&lt;br /&gt;Graças a Deus, eu não dou festas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-6427278935583478568?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/6427278935583478568/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=6427278935583478568' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/6427278935583478568'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/6427278935583478568'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2008/08/o-banheiro.html' title='O Banheiro.'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-5527070121405423665</id><published>2008-08-25T18:54:00.002-03:00</published><updated>2008-08-25T19:04:21.932-03:00</updated><title type='text'>Fenecimento por aspecto distinto.</title><content type='html'>Não teve muito tempo de sentir, apesar de os microlésimos de segundos que durou pareceram muito mais longo do que foram de verdade. Terrível, rápido, meio alucionógeno.&lt;br /&gt;Não entendia direito como tinha sido, na verdade. Sentira o peso sobre as costas, as pernas quebrarem, o crânio espatifar, o cérebro se desfazer. O sangue nem escorreu. Ficou todo enlameado em meio aos pedaços. Não pudera dar se quer um pio.&lt;br /&gt;Por que tinham acertado-o assim, sem motivo, com essa coisa, fosse o que fosse, tão absolutamente pesada? Estava em paz, naquela imensidão azul, sem assolar ninguém. Pagando pecados, talvez? Na verdade, nem se quer tinha concepção de pecados, de certo ou errado. Poderia estar mordendo alguém que não saberia se isso era algo errado. Não importava, na verdade. Só conseguia pensar na dor de morrer. De ser esmagado sem dó, sem motivo. Pobre dele, que nunca matara ninguém, ser morto dessa forma, impiedosa.&lt;br /&gt;Ficara colado, destroçado, ao chão. Não sentia mais nada, e ia para onde quer que fosse depois do fim da vida. Depois da destruição do seu corpo. Quem era, mesmo? Como fora sua vida?&lt;br /&gt;A dor das pernas quebrando e do cérebro sendo esmagado ainda falava alto de mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mãe, traz um pano que o pernilongo que eu matei melou a parede toda!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-5527070121405423665?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/5527070121405423665/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=5527070121405423665' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/5527070121405423665'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/5527070121405423665'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2008/08/fenecimento-por-aspecto-distinto.html' title='Fenecimento por aspecto distinto.'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-6240808270482513879</id><published>2008-08-22T19:34:00.003-03:00</published><updated>2008-08-22T20:27:32.335-03:00</updated><title type='text'>Fico.</title><content type='html'>Perdido no tempo-espaço, eu analiso a minha vida: sou uma merrequinha de ações numa imensidão de insolência. Nem sei quem sou, e nem sou quem posso ser. Não sou.&lt;br /&gt;Trato-me por primeira pessoa do plural, em noventa por cento dos casos, para sentir-me, talvez, altruísta. Sou egoísta, um poço de singularismo, o ímpar perfeito que sobra por que prefere pensar em si. Venho então a denegrir-&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;me a mim mesmo&lt;/span&gt;, e refiro-me a mim como se falasse dos seres humanos, por que, se porco sou, porco sois.&lt;br /&gt;Pouco me importa.&lt;br /&gt;Nem penso na verdade em tudo isso. Tenho mais o que ler, mais o que ver, mais o que crer. Não lembro dos motivos daquela pergunta, não lembro da resposta que dei para justificar meus motivos. Falta-me o meio da história toda.&lt;br /&gt;Já não sei como cheguei até aqui. A minha presença, tal qual ser humano que sou, e que posso assegurar-me também você é, é inútil a todos e inexplicavelmente cabível. Precisam de mim, precisam de mim.&lt;br /&gt;Sou eu, afinal, que estou presente no seu fim de tarde.&lt;br /&gt;Trago as boas lembranças para o silêncio da sala vazia, no sofá vazio, e os pensamentos se esvaem. Não vem o sorriso, não sei quem sou. Não sou.&lt;br /&gt;Me nego. Me engano. Não sou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há quem diga que enlouqueci.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-6240808270482513879?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/6240808270482513879/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=6240808270482513879' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/6240808270482513879'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/6240808270482513879'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2008/08/fico.html' title='Fico.'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-3774795165060923498</id><published>2008-08-19T15:26:00.003-03:00</published><updated>2008-08-19T15:36:07.003-03:00</updated><title type='text'>Minha experiência com a cafeína em análise científica e comportamental:</title><content type='html'>18/08/2008&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;22h30 - Um cafézinho besta não vai fazer mau pra ninguém. Certeza.&lt;br /&gt;23h - "Anda, menino, vai dormir! E ainda fica se enxendo de café, não vai dormir nem se quiser."&lt;br /&gt;23h30 - Rolando na cama observando dos desenhos que o poste de luz faz no meu teto.&lt;br /&gt;23h50 - Desenroscando caderno com anotações velhas de dentro de uma gaveta velha e põe-se a trabalhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19/08/2008&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;00h - Desenhando coelhos.&lt;br /&gt;02h15 - Lendo Dostoiévski, Crime e Castigo.&lt;br /&gt;03h - Relógio paterno desperta, passando a fingir que dorme para enganar o progenitor.&lt;br /&gt;03h30 - Pai sai de casa para trabalhar.&lt;br /&gt;03h35 - Levantando e conferindo mensagens novas no computador.&lt;br /&gt;04h - Desenhando no mesmo caderno velho.&lt;br /&gt;05h - Tentando dormir ao menos 45 malditos minutos.&lt;br /&gt;05h30 - Desistindo e levantando antes do relógio despertar.&lt;br /&gt;06h00 - Tomando mais café pra não dormir nas aulas.&lt;br /&gt;06h40 - Quase vomitando na saia da senhora graça à: azia do café, cheiro insuportável do perfume dela e o maravilhoso bigodinho mexicano da mesma.&lt;br /&gt;07h00 - Em estado totalmente homossexual e saltitante, na escola.&lt;br /&gt;13h - Saindo da escola e marco de 24h sem dormir.&lt;br /&gt;14h - Chegando em casa e tentativa falha de sono.&lt;br /&gt;15h30 - Desiste e vem escrever no blog.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prevejo: mais 24 horas sem dormir, ou se quer ouvir a abertura de malhação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-3774795165060923498?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/3774795165060923498/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=3774795165060923498' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/3774795165060923498'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/3774795165060923498'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2008/08/minha-esperincia-com-cafena-em-anlise.html' title='Minha experiência com a cafeína em análise científica e comportamental:'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-2141247006278425248</id><published>2008-08-16T22:48:00.001-03:00</published><updated>2008-08-17T01:44:57.574-03:00</updated><title type='text'>Faltam as palavras.</title><content type='html'>&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-2141247006278425248?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/2141247006278425248/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=2141247006278425248' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/2141247006278425248'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/2141247006278425248'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2008/08/faltam-as-palavras.html' title='Faltam as palavras.'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-8475281912451713195</id><published>2008-08-12T18:53:00.002-03:00</published><updated>2008-08-12T19:01:22.236-03:00</updated><title type='text'>Uma questão de modos.</title><content type='html'>Clic, flash.&lt;br /&gt;Por que flash, afinal? O que irrita as pessoas com a luz natural? É amarelo de mais? Por que essa luz branca totalmente falsa é infinitamente preferida?&lt;br /&gt;Clic, flash.&lt;br /&gt;O glamour, talvez. Os flashs maravilhosos iluminando os rostos perfurados por acne e cheios de imperfeições. Celebridades de quintal.&lt;br /&gt;Clic, flash.&lt;br /&gt;Perde-se toda a beleza de composição luz e sombra, num misto de luz insuportável - do tipo destruidor de retina - e sorriso forçado. Onde estão os rostos sérios agora?&lt;br /&gt;Clic, flash.&lt;br /&gt;E as poses na frente do espelho requerem, finalmente, a falta do flash. Este não deve sair na foto, mas única e exclusivamente iluminar o dono da máquina (que em geral está segurando-a virada para si).&lt;br /&gt;Clic, flash.&lt;br /&gt;Perde-se o motivo de apagar as luzes, no momento do parabéns, já que os flashes deixam tudo claro o bastante pra que todos vejam sem a iluminação da vela.&lt;br /&gt;Clic, flash.&lt;br /&gt;O pôr do sol é fotografado no fundo, sem motivo, sem utilidade, enquanto as moças de biquinis gargalhantes sorriem apenas para si.&lt;br /&gt;Clic.&lt;br /&gt;E faz-se estupenda a luz do dia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-8475281912451713195?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/8475281912451713195/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=8475281912451713195' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/8475281912451713195'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/8475281912451713195'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2008/08/uma-questo-de-modos.html' title='Uma questão de modos.'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-6090556970199595590</id><published>2008-08-09T00:04:00.002-03:00</published><updated>2008-08-09T00:15:51.534-03:00</updated><title type='text'>Conto instantâneo tipo pipoca de microondas</title><content type='html'>Pendurada pela mão, agarrada firmimente ao braço de seu irmão, a garota percebeu que tentar andar pelo beiral do prédio até a janela aberta do vizinho não havia sido uma boa idéia. Mesmo que eles estivessem trancados no apartamento do trigésimo andar pelo lado de fora à uns bons dois dias, quando seu pai prometeu que não demorava e saiu batendo a porta.  O desespero os levara mesmo a comer todas as tranqueiras restantes do armário, e eles não sabiam bem como se alimentariam depois. Pensaram em ligar para a polícia, mas descobriram que o telefone - bem como a energia elétrica - havia sido cortado. Talvez fosse esse o motivo da fuga do pai: as dívidas finalmente tinham entrado em casa, ao invés de prostar-se do lado de fora.&lt;br /&gt;De qualquer forma: estava pendurada apenas pela mão, o abdomem do irmão apoiado no peitoril da janela, ambos segurando um ao outro tal que uma insensibilidade atravessava os músculos das mãos. Mas resistiam. O garoto não tinha forças suficientes para ergue-la, e ela não conseguia arranjar apoio no peitoril novamente. Estavam enrascados, de forma que não tinham muito tempo pra pensar. Com medo de que perdesse o equilíbrio ao oferecer a outra mão, o garoto segurava-se firmimente em um puxador do guarda-roupas. Sentiu o suor infiltrar-se pelos dedos, e evitou à todo custo a cara de pavor. O otimismo era o ponto.&lt;br /&gt;- Maninha - começou - Eu não queria te contar, mas acho que vai ser mais divertido se você souber. O papai nos trancou aqui de propósito, para que você tentasse pular a janela do vizinho. Isso aqui é uma cena de um filme nacional, onde a garota cai do apartamento, depois de muito segurar...&lt;br /&gt;- Não minta pra mim.&lt;br /&gt;- Tem uma cama elástica lá em baixo, você vai estar bem quando cair. Pode até enfurecer-se conosco depois...&lt;br /&gt;- Não minta pra mim.&lt;br /&gt;- Pense que o cachê que vamos ganhar vai ser bem alto, e poderemos finalmente comprar um colchão decente, talvez de molas...&lt;br /&gt;- O seu autruísmo é mais doído que a sua sinceridade, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;maninho&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;E soltou-lhe a mão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-6090556970199595590?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/6090556970199595590/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=6090556970199595590' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/6090556970199595590'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/6090556970199595590'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2008/08/conto-instantneo-tipo-pipoca-de.html' title='Conto instantâneo tipo pipoca de microondas'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-2802784852397368301</id><published>2008-08-02T22:15:00.002-03:00</published><updated>2008-08-02T22:27:55.139-03:00</updated><title type='text'>Quem somos e quem queremos ser.</title><content type='html'>Observando todos de cima, o sábio só é considerado sábio por que não vem à presença dos idiotas demonstrar sua sabedoria. Dá-nos aos pouquinhos a sua pouca sabedoria, e faz parecer que é inteligentíssimo, exemplar. Não é mais que um idiota reservado, introverso, que sabe tão pouco quanto todos os idiotas que pululam por aí, falando pelos cotovelos, mas não demonstra que não sabe nada.&lt;br /&gt;Alguns sábios - que também não sabem de nada - diriam que é justamente essa sua qualidade sábia, o fato de saber quando e o que falar. Pronunciar-se em minúcias, entregar-se em pormenores, sobrepor pequenos detalhes. Nunca uma obra toda, de vez. Enquanto os idiotas saem por aí, gritando a Deus e o mundo sua opinião, esteja ela certa ou errada, os sábios fazem questão de observar no que a grande maioria dos idiotas concorda, com os melhores argumentos, para então expor usa opinião de acordo com eles. Nunca contra.&lt;br /&gt;Sábios são conchas vazias, sem personalidade, que preferem ficar em silêncio do que contar pra todos que, no fundo, são iguais aos restantes.&lt;br /&gt;Os idiotas, por outro lado, fazem do sábio o que é. Tumultuam, ditam, erram, ofendem. Tudo na busca de uma verdade, de sua própria verdade. Não se intimidam, mesmo quando errados, e se propõem a discutir com qualquer tipo de argumento, seja ele válido ou não, defendendo seu ponto de vista. São aqueles que não analizam mesmo o que dizem, que se fazem pronunciar, que se fazem ouvir. Mostram aos sábios a verdade, e esperam que a grande maioria concorde com eles, e, quando errados, dão finalmente as costas à discussão, derrotados. Passam vergonha por um bem maior: seu próprio estado de espírito, sua própria fé. Nos demonstram que, o ser humano nasceu pra se conhecer, e não para se privar.&lt;br /&gt;Benditos idiotas que movimentas o mundo enlouquecidamente, benditos sábios que fazem questão de freá-los. A espécie humana segue assim, por toda a eternidade, demonstrando que, tentando saber de tudo, prefere não saber de nada.&lt;br /&gt;E o mundo é perfeito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-2802784852397368301?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/2802784852397368301/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=2802784852397368301' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/2802784852397368301'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/2802784852397368301'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2008/08/quem-somos-e-quem-queremos-ser.html' title='Quem somos e quem queremos ser.'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-5475518842534129551</id><published>2008-07-29T23:09:00.002-03:00</published><updated>2008-07-29T23:19:56.107-03:00</updated><title type='text'>O dilema da tampa da privada</title><content type='html'>Abro o zíper da calça e me sinto o rei no mictório: não tenho tampa pra levantar, não dou a descarga, se eu não quiser, e ainda tem os gelinhos que derretem quando minha urina os toca. Nojento pra alguns - me incluindo aí -, a situação, de fato, remete-me à algum prazer. Tenho total controle sobre um momento que sempre devia ter sido simples, desde os primórdios humanos, quando nós defecávamos atrás de moitas e não usávamos o famigerado papel higiênico.&lt;br /&gt;Duvido muito que imperadores, sejam chineses, japoneses, poloneses ou do raio que o parta, tenham mictórios no lugar da privada. A maldita tampa, que impede a liberdade do urinar de nós, homens, está lá, pra ser usada ou em momentos em que não queremos urinar, mas sim&lt;br /&gt;ou por mulheres que, chatas pra caralho que são, sentem necessidade de sentar para urinar. Pelo menos temos essa praticidade sobre elas, e acho que é justamente por isso que elas se vingam de nós, homens, forçando-nos a levantar a maldita proteção anti-germes conhecida como tampa, na qual elas em geral sentam para defecar de todas as formas. E elas usam papel higiênico nos dois momentos, pensem nisso.&lt;br /&gt;Eu me pergunto: por que nós, seres dominantes que somos, temos de erguer uma tampa para evitar que os resquícios acumulem-se ali se apenas usamos essa tampa quando temos o intúito de sentar-mos-nos na privada. Por que &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;nós&lt;/span&gt; temos de levantá-la? Temos de abaixá-la, também, para que as donzelas não se dêem ao trabalho?&lt;br /&gt;Quem precisa da maldita tampa são elas. Elas que cuidem da higiêne da mesma, portanto. Proponho uma revolução: vocês, mulheres, que levantem a tempa depois de usar o vaso e sequer suas respectivas vaginas com o papel higiênico. É simples: entrem, abaixem a tampa, abaixem as calças, urinem, limpem-se, levantem a tampa, levantem as calças e façam todo o resto do processo que preferirem. Não dói.&lt;br /&gt;Pra nós, homens, porém dói. É o nosso orgulho masculino que nos proíbe de levantá-las, nosso instinto animal que nos dá vontade de ir até a moita e não se preocupar com tampa nenhuma. Nosso instinto que nos dá o prazer de molhar os cubinhos de gelo. Respeitem-nos, pelo amor de Deus.&lt;br /&gt;E eu já ergo a tampa da privada por costume, aliás.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-5475518842534129551?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/5475518842534129551/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=5475518842534129551' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/5475518842534129551'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/5475518842534129551'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2008/07/o-dilema-da-tampa-da-privada.html' title='O dilema da tampa da privada'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-6511995076131033383</id><published>2008-07-25T14:22:00.002-03:00</published><updated>2008-07-25T14:38:49.296-03:00</updated><title type='text'>¡Protesto!</title><content type='html'>Um protesto é legal, verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu quero que todos vocês, amantes de filmes, vão cagar.&lt;br /&gt;Vejam: tive um diálogo bem legal, logo após ver Batman - The Dark Knight, com um intelectual amante de filmes. Ele me perguntou o que eu achei, e quando eu disse que era fenomenal, ele me respondeu que queria ver também, apesar de ser filme de super herói.&lt;br /&gt;Só por que o filme é de super herói ele não pode ser bom?&lt;br /&gt;Só por que não é o Scorsese quem dirige a bagaça, o filme não pode ser legal?&lt;br /&gt;Só por que todos os seus amiguinhos intelectuais odeiam filmes blockbuster, você tem de odiar também?&lt;br /&gt;Eu acho muito idiota, aliás, julgar um filme nessas condições:&lt;br /&gt;a) sem ver;&lt;br /&gt;b) sem pesar a proposta;&lt;br /&gt;c) sem extrair-se dos próprios preconceitos.&lt;br /&gt;Há uma &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;grande&lt;/span&gt; diferença entre opinião pessoal e crítica. Dizer "Eu achei esse filme uma bosta" é uma opinião pessoal. Dizer "Esse filme é uma bosta" é uma crítica e, portanto, precisa de argumentos palpáveis para fazer-se real.&lt;br /&gt;É de dar nos nervos. O pessoal vê filmes franceses, alemães, chineses, tailandeses, afegãos, e, só por que é &lt;span style="font-style: italic;"&gt;cult&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;underground&lt;/span&gt;, considera bacana e odeia Hollywood. Produções independentes são tudo hoje em dia.&lt;br /&gt;Mimimi, eu não gosto de filme comercial. E por que não? &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Só&lt;/span&gt; por que é comercial? É essa a desculpa? Querem vender algo e, portanto, não presta? Vai me dizer que você come queijo que a uma vaca cheia de inspiração deu à um homem bom que, por algum motivo, viu que ele era maravilhoso e resolveu vendê-lo? Pois é.&lt;br /&gt;Filmes, música, livros. Tudo isso não pode ser julgado, por que é arte. A diferença entre "comercial" e "tentando virar &lt;span style="font-style: italic;"&gt;bestseller&lt;/span&gt;" é que a segunda metade é intragável. Você repara que o dinheiro é absolutamente tudo que importa na real. Se querem vender algo, é por que nada é de graça.&lt;br /&gt;E eu assisto sim blockbusters, acho todos eles muito bons, amo o Tim Burton e espero, realmente, que o mundo perceba o quão hipócrita é quando defende o não preconceito ao mesmo tempo em que se nega a ver filmes de super heróis talvez muito melhores do que uma porcarias cults tipo o Búfalo da Noite.&lt;br /&gt;E tenho dito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-6511995076131033383?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/6511995076131033383/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=6511995076131033383' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/6511995076131033383'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/6511995076131033383'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2008/07/protesto.html' title='¡Protesto!'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-1758970331448494193</id><published>2008-07-20T20:54:00.002-03:00</published><updated>2008-07-20T21:08:06.402-03:00</updated><title type='text'>Saia das entrelinhas</title><content type='html'>Os dedos sobre o teclado hesitaram, o cérebro expôs: como começar? A dúvida tão cruel vinha-lhe sobre a mente e, portanto, cabía-lhe única e exclusivamente retirá-la de lá decidindo-se por uma princípio.&lt;br /&gt;"Eu não penso da forma que realmente penso"...&lt;br /&gt;Parou de digitar. Os dedos novamente repousados sobre o teclado esperavam o novo conflito interno terminar. Queria, pois, contar ao mundo o que realmente sentia, como realmente era, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;quem&lt;/span&gt; realmente era. Queria contar tudo que se passava, tudo que lhe atormentava, os segredos e as aflições, a sua grande dor.&lt;br /&gt;Queria que o mundo soubesse, mas não queria que o mundo soubesse. Não queria ser obrigado a dizer. Queria que o mundo percebesse, que o mundo notasse. Não que o mundo soubesse, tivesse certeza.&lt;br /&gt;Apagou o que escreveu e recomeçou:&lt;br /&gt;"Ele não pensava da forma como realmente pensava. Não era assim que funcionava, não conseguia ser franco. Precisava ser sutil, sublime, mostrando quem realmente era sem mostrar quem realmente era."...&lt;br /&gt;Tornou a hesitar. O mundo, na verdade, não estava realmente nem aí pra ele. Não se daria ao trabalho de desvendá-lo, de procurar entendê-lo. O mundo não tinha tempo pra ele, e só compreenderia a mensagem da forma mais direta e franca possível. Era hora de ser prático, curto e grosso. Era vergonhoso adimitir tais coisas, mas queria, não queria, que o mundo finalmente olhasse-o e visse quem ele realmente era?&lt;br /&gt;Desisti da terceira pessoa. Eu não penso dessa forma que eu realmente penso. Não é assim que eu funciono, não consigo ser franco. Estou tentando, agora mostrar que eu não sou quem você pensa que eu sou. Que eu não sou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-1758970331448494193?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/1758970331448494193/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=1758970331448494193' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/1758970331448494193'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/1758970331448494193'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2008/07/saia-das-entrelinhas.html' title='Saia das entrelinhas'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-1693254104131592656</id><published>2008-07-17T16:44:00.002-03:00</published><updated>2008-07-17T17:00:39.863-03:00</updated><title type='text'>O macaco (ou "o que costumam chamar de auto-estima")</title><content type='html'>Minha mãe foi perder uma manhã da sua vida numa daquelas feiras matinais próximas à 25 de março. Bugigangas de todos os tipos à venda e, claro, ela trouxe algumas pra casa, com o sorriso de orelha à orelha, encantada com tamanha formosura dos objetos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;made in taiwan&lt;/span&gt;. Sonhadora, exibiu para nós diversas tranqueirinhas alegres que ganhavam vida com um bom par de pilhas AA, dentre elas um macaco de pelúcia, daqueles de grudar no vidro da janela. Colocou as pilhas AA nele e mostrou a todos nós (por todos nós me refiro à mim e a minha irmã mais velha) que o macaco assobiava a cada vez que alguém passasse na frente dele. Um perfeito canalha bissexual, diga-se de passagem, e ela achou encantador.&lt;br /&gt;Era só um sensor de luz, e rendeu umas boas risadas nos dois primeiros dias. Em especial quando minha irmã estava atarantada procurando o salto enquanto arrumava o cabelo, passando de um lado para o outro da sala e,  portanto, sendo cantada pelo macaco pedreiro. Umas oito vezes o assobio deu-nos o ar de sua graça, e sempre que ele aparecia, não vou negar, havia um ar de sorriso em todas as bochechas, provavelmente involuntário. Mas rimos de verdade quando, depois de encontrado o sapato de salto alto e bico fino, minha irmã passou diante dele e ele, seguindo à sua natureza, assobiu, e ela o mandou ir cagar. Tudo bem, nem foi realmente engraçado, mas o sorriso sincero finalmente pode sair sem culpa.&lt;br /&gt;Mas depois dos quatro primeiros dias, passou. Ninguém mais se quer tinha ar de riso pendurado na bochecha para o macaco, e ele estava começando à enxer. Era assobio em cima de assobio, em especial durante a manhã, quando eu queria era dormir. Durante a tarde, com o retardado aqui acordado, o estapafúrdico macaco ficava quieto, já que não havia ninguém em casa.&lt;br /&gt;Foi numa dessas tardes que eu passei em direção ao banheiro e, portanto, pela sala, na sua frente. Ele assobiou pra mim e eu o ignorei. Mas ao olhar no espelho, confesso que me observei com cuidado e pensei que somente um macaco sem olhos pra me achar atraente ao ponto de me cantar. E voltei pro meu quarto, sendo cantado de novo.&lt;br /&gt;Olhei-me no espelho do meu quarto, onde a iluminação favorece os meus traços (???) e, por motivos obscuros, me senti até um rapaz bonito. Percebi que as espinhas estavam quase invisíveis, de pequenas, e que o meu cabelo estava de uma forma bacana. Até meu sorriso saiu sincero. Parei. E voltei para o banheiro.&lt;br /&gt;Assobio.&lt;br /&gt;O cara no espelho agora tornava-se um galã de novela, do tipo que as donas de casa suspiram quando olham. Não era &lt;span style="font-style: italic;"&gt;sexy&lt;/span&gt;, mas dava pro gasto. Me atrevi até a sorrir mostrando os dentes que, pasmem, eram brancos e certinhos. Voltei pro quarto.&lt;br /&gt;Assobio.&lt;br /&gt;O cara era tipo o Brad Pitt, cobiçado por todos, cachorrinho da Angelina Jolie. Bonitão, aparentando ter vinte anos a menos do que tinha na real. Meu Deus, quem era aquele homem no meu espelho? Voltei pro banheiro.&lt;br /&gt;Assobio.&lt;br /&gt;Os flashs captavam o melhor ângulo do rapaz &lt;span style="font-style: italic;"&gt;gostoso&lt;/span&gt; que atravessava a passarela em meio à assobios e gritos gerais, com uma barba rala de dar arrepios de tão perfeita, um cabelo castanho meio arrepiado, um sorriso maroto e um tanto sacana, as mãos no bolso. Parei de frente pro macaco e fiquei passando e voltando, passando e voltando, passando e voltando.&lt;br /&gt;Quando a minha irmã entrou na sala e eu percebi que, na real, eu era só um nerd pançudo de boné.&lt;br /&gt;Eu e minha irmã concordamos que o macaco ajudaria mais sem as pilhas.&lt;br /&gt;E eu agradeci a deus por não ser fútil.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-1693254104131592656?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/1693254104131592656/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=1693254104131592656' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/1693254104131592656'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/1693254104131592656'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2008/07/o-macaco-ou-o-que-costumam-chamar-de.html' title='O macaco (ou &quot;o que costumam chamar de auto-estima&quot;)'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34038496.post-1000535946984408722</id><published>2008-07-05T23:14:00.003-03:00</published><updated>2008-07-05T23:38:05.739-03:00</updated><title type='text'>Texto.</title><content type='html'>Foda-se o blog. Acabou essa putaria toda aqui.&lt;br /&gt;Eu vou é virar atendente do mc donald's, e depois virar podólogo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34038496-1000535946984408722?l=cachecolog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cachecolog.blogspot.com/feeds/1000535946984408722/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34038496&amp;postID=1000535946984408722' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/1000535946984408722'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34038496/posts/default/1000535946984408722'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cachecolog.blogspot.com/2008/07/texto.html' title='Texto.'/><author><name>Rafael Michalichem</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16762104958169013636</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-I0xXFOydLus/TnzqdcZZkMI/AAAAAAAAAkI/iDJctdLIVDM/s220/DSC03154.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
